23
Jun

Obama, Osama e Ibama

Como dizia meu querido vovô: o que o relógio tem a ver com as calças? Obama, Osama e Ibama…??? Parece o “samba do crioulo doido” e é. Na verdada nada tem a ver com nada e, ao mesmo tempo, tudo tem a ver com tudo. Vamos às explicações. Nós brasileiros nos consideramos os caras mais abertos do mundo às novas idéias, aqueles que sacam rápido e se adaptam antes que quaisquer outros. Também somos o povo mais alegre e criativo do mundo. Esse nosso jeitão nos leva às vezes a simplificações perigosas, como achar que o Ibama está mais preocupado com os bagres do que com a fome do povo. Ou então, transformamos um dos maiores criminosos da história, o Osama, na personagem simpática do Cafofo do Osaminha. O Osaminha afina quando sua nega chega perto e compra bazukas na feirinha “robauto”. É muito divertido, mas é triste também, pois enquanto brincamos com coisas tão sérias não saimos do lugar, não evoluimos, não resolvemos nossa incongruências.

Enquanto isso, lá na gringolândia do norte, nossos brothers quadradões e retrógrados, preconceituosos ao extremo, escutam atentamente um novo discurso, vindo de um americano meio “Tabajara” (o Obama é negro, nascido no Hawai, de pai queniano, que era mulçumano e batizou o filho com um nome não americano) e, surprise, pouco a pouco apreciam, entendem, aceitam e colocam o novo personagem à frente de um WASP típico (o McCain).

Com todos os defeitos do mundo exterior à nossa volta, seria muito didático para nós brasileiros observarmos os gringos. Sua capacidade de ouvir atentamente, deixando os preconceitos (que existem) de lado, os tornam modernos, adaptados, movendo seus países para frente, a despeito de todos os seus grandes problemas sociais e culturais.

Enquanto isso nós, moderninhos e abertos, gozamos com tudo e com todos, enquanto esquecemos de olhar o próprio rabo. Enquanto criamos o Osaminha, esquecemos da seca, do analfabetismo, da infra-estrutura aos cacos, do sistema de saúde pública inexistente, dos impostos escorchantes e de nossa falta total de cidadania.

O Brasil, embora avançado em algumas tecnologias, com uma economia inegavelmente robusta, continua atrasado no que diz respeito a criar uma sociedade civil organizada e engajada, para atuar como a camada de cobrança e controle entre a população e os políticos.

Nosso desbafo é meter o pau neles, esquecendo que eles somos nós (!?). Da mesma forma que não participamos da sociedade de bairro, ou da associação de pais e mestres, achamos que política é problema dos políticos. Onde esse tipo de atitude vai nos levar? A lugar nenhum, onde já se encontram Argentina, Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador, a África inteira, as nações muçulmanas e todos aqueles que acham que a melhor forma de resolver seus próprios problemas é atribuido-os aos outros.

Houve um tempo que os EUA topavam serem os pais do mundo (vide plano Marshall ao final da segunda grande guerra). Bem, essa época acabou, pois hoje americanos, europeus e todo o primeiro mundo estão muito mais preocupados em resolver seus próprios problemas, do que em pajear os idiotas que sobram no resto do mundo.

O Obama é definitivamente uma lição a ser apreendida.

28
Mai

Get lost!!!

Meu pai dizia que o melhor esconderijo do ladrão é a multidão. Sábio paradoxo. Hoje em dia, o melhor lugar para a alguém se esconder é a Internet. Talvez nem todos tenham percebido, mas a Internet nos últimos cinco anos não cresceu, a Internet simplesmente explodiu! O número de internautas no mundo todo mais do que dobrou nos últimos cinco anos, se aproximando rapidamente da cifra de 2 bilhões (estimativa para 2010) de usuários. O conteúdo da WWW em Exabites (1 EB = 10 bytes elevados a uma potência de 1 8) dobrou nos últimos dois anos, se aproximando hoje de 8 EB. Qual foi o estopim desse crescimento vertiginoso? Três fatores influenciaram muito: o barateamento do acesso à banda larga, a diversificação de conteúdos (web sites, blogs, áudio/podcasts, vídeo/videocasts, documentos, registros médicos, e-mails, mapas, ring tones, fotos, música, brochuras, etc) e novos meios de armazenamento, geração e manipulação desses conteúdos (Internet propriamente dita, PC, Laptop, Celular, Smart Phones, tocadores de MP3, câmeras digitais, HDTV, DVR, etc). Apenas para dar um exemplo, existem hoje na blogosfera, cerca de 50 milhões de blogs em todo o mundo, todos eles produzindo conteúdo 7 X 24.

O perfil desta verdadeira multidão na web está mudando rapidamente. Tudo começou com a chamada Web 1.0 (exemplo da Amazon quando foi lançada), que se baseava na simples apresentação de informações (CD´s e livros são tipos de informação). Mais recentemente, nos últimos dois anos, surgiram os conceitos de Web 2.0 (com os Blogs, Wikis, avaliações de produtos pelos consumidores, leilões, etc), cujo paradigma é a interatividade, com a participação ativas dos internautas como geradores de conteúdo. A Web 3.0, que está próxima, será a Web dos sites inteligentes, que “conversam” e trocam informações entre si.

A partir do advento da Web 2.0 o consumidor sente o gostinho de colaborar e quer influenciar cada vez mais nas decisões do mundo corporativo. Clientes conectados vão pressionar nossa empresa por melhores níveis de serviços, produtos mais aderentes às suas necessidades, atendimento personalizado, novas tecnologias, preços mais baixos, novos canais de distribuição, etc, etc… o céu é o limite da ambição para quem tem o poder da informação na ponta dos dedos.

Portanto, se você quer utilizar a web como uma nova plataforma de negócios é bom se preparar. Sem um plano e um bom mapa, você vai se sentir perdido como se marcasse um encontro na Praça da Sé ao meio dia.

20
Mai

Kipling, na versão das “Organizações Tabajara”

Quando menino estudei o IF de Kipling durante minhas aulas de Inglês. Apesar de perceber a beleza dos versos e a profundidade do tema, nunca pude compreendê-lo plenamente. Até que há cerca de 15 anos atrás tive oportunidade de ler (e guardar) uma belíssima versão, supostamente traduzida por Guilherme de Almeida em 1938. Em vão tentei fazer com que meus filhos a lessem e se inspirassem na profundidade de seu texto. Até que, por inspiração do Casseta & Planeta (meu programa de TV favorito) eu produzi a “versão Tabajara” do If do Kipling. Aí meus fihos leram e entenderam a profundidade da mensagem. Quem sabe poderá ser útil também aos filhos de vocês.

Abaixo as duas versões: a minha e a do Guilherme de Almeida:


Rudyard Kipling, na versão do Seu Creyson

Se você ficar gelado diante de quem lhe injuria, e no instante em que duvidarem de sua palavra você puder ter fé “no próprio taco”, deixando que o seu ofensor “enfie a viola no saco”…

Se você não odiar a quem o odeia, nem sacanear quem o sacaneia e, nem por isso, se sentir com “a bola cheia”…

Se você puder sonhar, sem “viajar na maionese”; dar tratos à bola, sem contudo fundir a cachola; e dar um tempo ao tempo, esperando com calma o correto momento…

Se, na boa, você puder enfrentar qualquer vitória, ou derrota a toa, como um jogo da roleta da vida; e firmemente suportar as fofocas e mentiras, que torçam todas as palavras que você diga…

Se quando tudo que você construiu numa vida “for para o espaço” num instante, você puder meter o pé na estrada e seguir avante…

Se um dia você der uma de louco e apostar todas as fichas numa só jogada, perdendo tudo numa só grande bobeada, e, mesmo assim, voltar ao trabalho de mansinho, sem ficar com a história furada enchendo o saco de seu vizinho…

Se você tiver garra e coragem, para vencer a tentação à vadiagem, e fizer de seu corpo e mente sua criadagem…

Se, no meio dos figurões e celebridades, você puder manter a naturalidade, e no meio do povão a personalidade; corajoso não se deixar levar por “puxa-sacos”, ficando “tranquilão” e nunca deixando seu grande amigo na mão…

Se a cada minuto você continuar “sentando a pua”, então a Terra será sua e aí então, careta, você será “o rei da cocada preta”.

Rudyard Kipling, na versão do Guilherme de Almeida:

Se puderes guardar o sangue frio diante de quem, fora de si acusar-te, e no instante em que duvidem de teu ânimo e firmeza, tu puderes ter fé na própria fortaleza, timbrando em confundir a desconfiança alheia…

Se tu puderes não odiar a quem te odeia, nem pagar com a calúnia a quem te calunia, sem que tires daí motivos de ufania…

Se puderes sonhar, sem permitir que o sonho te domine; pensar, sem que em pensar tua ambição se confine; e esperar sempre e sempre, infatigavelmente…

Se, com o mesmo sereno olhar indiferente, puderes encarar a derrota e a vitória, como embustes que são da fortuna ilusória; e estóico suportar que intrigas e mentiras deturpem a palavra honesta que profiras…

Se puderes ao ver em pedaços destruída pela sorte maldosa a obra de tua vida, tomar de novo a ferramenta desgastada e, sem queixumes vãos, recomeçar do nada…

Se, tendo loucamente arriscado e perdido tudo quanto era teu, num só lance atrevido, puderes voltar à faina ingrata e dura, sem se referir jamais à sinistra aventura…

Se tu puderes, coração, músculos e nervos, reduzir pela vontade à condição de servos que, embora exaustos, obedeçam-lhe ao comando…

Se, andando a par dos reis e com os grandes lidando, puderes conservar a naturalidade e, no meio da turba, a personalidade; impávido afrontar adulações, engodos, opressões, merecendo a confiança de todos e que possa contar incondicionalmente contigo teu maior amigo…

Se de cada minuto os sessenta segundos tu puderes tornar com o teu suor fecundos, então a Terra será tua e, o que é melhor, meu filho, então serás um Homem!

Guilherme de Almeida, 2 de abril de 1938.

20
Mai

A nova corrida do ouro

A Internet tem sido vista pelo mundo corporativo, erroneamente no meu entender, apenas como mais um canal de vendas. Competindo com vendas diretas, revendas, distribuidores e call centers, a Internet é percebida apenas como o mais um canal, o mais barato e popular deles. Se temos um produto com uma pequena margem, cujas vendas queremos massificar, então imediatamente pensamos na Internet como o canal ideal.

Embora essa visão não esteja de todo errada (é mais fácil vender um livro pela Internet do que um avião), ela é tímida e preconceituosa. A Internet é o “novo Eldorado”. Ela é, em sí, um novo ambiente de negócios. Quem for mais rápido nessa nova corrida do ouro vai levar as pepitas maiores. Se vocês quiserem ser mais ousados, podem considerar a Internet um outro mundo corporativo, paralelo ao mundo físico. A maioria das empresas ainda usa a Internet apenas para comunicar, ou vender algo.

Existe uma enorme diferença entre usar a Internet como um canal de contato com o mercado e ter seu negócio na Internet. Quando oferecemos informações, ou vendemos pela Internet, quem vem até nós são aqueles que nos conhecem. Quando usamos a Internet como um ambiente de negócios, o potencial cliente não precisa saber de nossa existência, basta que ele nos descubra e constate que temos algo a lhe oferecer que lhe interessa (e que eventualmente ele nem sabia que existia).

Vamos a um exemplo banal que diferencia vender pela Internet, de usar a Internet como um ambiente de negócios. Alguém quer comprar um carro popular e para isso deseja consultar as ofertas na Internet. Ele pode pensar no Gol da VW, no KA da Ford e no Uno da Fiat. A pessoa entra no Google e digita “Ford Ka VW Gol Fiat Uno”, tendo como resposta as URL’s dessas várias empresas que marketeiam e vendem na Internet. Suponha agora que uma quarta empresa (uma montadora chinesa, nova no Brasil, mas que tenha um carro popular mais competitivo que os três mencionados) opera na Internet, conhecendo a lógica dos buscadores a ponto de oferecer seu produto CARRO POPULAR sempre que alguém digitar o nome dos concorrentes. Usando dentro de suas páginas web os tags com os nomes dos concorrentes, essa empresa poderia direcionar o buscador Google (ISSO É POSSÍVEL) para seu espaço onde o headline seria: CHEGA AO BRASIL O CARRO POPULAR COM O MENOR CUSTO OPERACIONAL DO MUNDO! Você concorda que pelo menos uma bicadinha o potencial comprador iria dar?

Esse exemplo simples mostra a diferença entre empurrar informação unidirecionalmente a quem procura, ou postar informação de forma inteligente, sabendo que hoje o usuário internet não quer publicidade, mas sim conteúdo aderente à sua necessidade instantânea. Esse é o fascinante mundo da Internet colaborativa, interativa, onde todos postam e geram conteúdo. Essa nova Internet é uma espécie de “mercado persa”, onde só aqueles que lá estabelecem seus negócios conseguem entendem sua lógica mercantil, maximizando as oportunidades.

05
Mai

A vida se reduz a isso

Sexta-feira. Ansiosamente esperado, o fim de semana se prenuncia sombrio. Início do outono, de repente o céu cinzento, São Paulo garoento e frio. Aquela idéia de sair para comer uma pizzinha, ou curtir um choppinho com picanha na chapa fica sem graça. O que fazer? Assistir ao Jornal Nacional, folhear um livro e cair no sono. Não!!! Definitivamente, não.
Vamos ligar para aquele casal amigo e combinar qualquer coisa em casa, lá pelas 20 hs. Já são 18 hs, assim é preciso correr. Vamos dar um pulinho até o mercadinho gourmet mais próximo de casa. Basta um carrinho pequeno, pois a lista é curta: 200 gramas de um bom presunto “pata negra”, ou Parma, cortado bem fininho; um pão de grãos com pistache e nozes e um outro italianinho; uma cestinha com amoras silvestres; um pedaço de queijo Prima Donna azul bem macio; um punhado de nozes; uma garrafinha de vinho do Porto e uma garrafa (ou duas, ou três) de um vinho de corpo médio (um corte tipo Bordeaux, ou um Tempranillo espanhol, ou um Merlot da Califórnia ou, se o dinheiro estiver sobrando, um Chateau Lafitte 1999 para trás).
Vamos correr para casa, que já são 18:30 hs. Antes do banho, vamos preparar uma reduçãozinha… Peça uma panelinha para sua esposa (uma Tefal vai bem) e uma colher de pau, ou plástico. Derrame dois cálices de vinho do Porto na panelinha, junte as amoras (lave antes), uma colher de café de mel e um pouquinho de canela em pó. Regule a chama do fogão para fogo baixo e comece a mexer, mexer, mexer… até que a mistura se torne pastosa. Você acaba de criar uma redução de frutas no vinho do Porto. Coloque a panelinha na geladeira para esfriar.
Enquanto a sua redução de vinho do Porto esfria, prepare o cenário. Acenda a lareira, fatie os pães, monte a tábua com o queijo, nozes e o presuntinho fatiado. Escolha alguns CD’s cabeça de jazz (um Stan Getz pega muito legal).
Agora vá tomar um banho morno, que seus amigos estão chegando. Uma bela redução de vinho do Porto combina com roupa folgada e chinelões (os amigos têm que ser da casa).
Plim, plim! Os amigos chegaram. Receba-os como se fossem os “reis magos”. Você só abre o vinho na frente deles, pois um deles vai degustar o primeiro gole. Vinho aprovado, vamos à luta. Vale decantar o vinho.
Uma casquinha de pão italiano com “pata negra” e um gole de vinho. Foi bom? Vai ficar melhor. Agora corte uma fatia fininha de Prima Donna e coloque sobre ela uma gota da redução de vinho do Porto com um pedacinho de nozes. É o céu, com Leonardo d Vinci, os anjinhos, a Capela Sistina, e tudo mais, numa só bocada (acompanhada de vinho).
E aí, alguém nota o Stan Guetz acompanhando a Astrid Gilberto na Garota de Ipanema, com pegada de jazz. E o papo cabeça rola. Daqui para frente é puro prazer.
São 21 hs. Acabou o vinho e a redução de Porto. Olha a saia justa. Ache um conhaquinho. Um Remy Martin, ou Martell vão muito bem, mas se não tiver uma boa cachaça de cabeça (já esteve em Pernanbuco?) também serve, ou um bela Bagaceira portuguêsa. Se também tiver uns charutos (Montecristo no. 5, pequeno é a pegada, mas um Dona Flor da Bahia também cai bem), melhor ainda. Faça um bule de café italiano (todo mundo tem uma Bialetti) e daqui para frente a merda rola. Sugira que as mulheres vão assistir à “Saia Justa” (se for o dia, se não for a Luciana Gimenez serve). Daqui para frente o papo é sobre futebol, ou algo ainda mais sério. E a merda rola…
Enjoy!!! A vida se reduz a isso.

29
Abr

Sobre macacas, porcos, aranhas e outros bichos

“A macaca enfrenta os porcos no Moisés Lucarelli e sai de lá com vantagem para matar o campeonato no Palestra”.

“Sufocada em seu campo, pela tática do Luxa, a macaca não consegue subir além do meio campo”.

“O ala do verdão coloca a bola no segundo pau, encobrindo o Aranha”.

Para quem gosta de futebol, como eu, entendeu tudo. Para quem não gosta, provavelmente acha que eu estou delirando. As frases acima estão em linguagem de “boleiros”, aqueles que de algum jeito estão envolvidos com o mundo da bola (torcedores fanáticos, juizes, jogadores e comentaristas profissionais e amadores). Não existe preconceito entre os “boleiros”. Amadores e profissionais coexistem no maior respeito. É comum ultimamente que atores, cantores, escritores e artistas de várias categorias “incorporem” cronistas esportivos, escrevendo crônicas, comentando jogos na TV e participando de mesas redondas aos domingos à noite.

As mesas redondas são um fenômeno sociológico muito saboroso. Sempre que posso, quando minha mulher cochila e eu tomo posse do controle remoto nos domingos à noite, viajo de uma mesa redonda para outra, ouvindo as mesmas coisas, as interpretações mais “estrambólicas” imagináveis sobre os jogos do dia, não pelo conteúdo, mas apenas para saborear o linguajar dos boleiros.

Ouvir uma discussão acalorada sobre um lance do jogo do dia, entre um ex-jogador, um jogador que aparticipou da partida, um juiz e um comentarista polêmico (tipo Silvio Luiz, ou Cajuru… de novo isso é linguagem de boleiro) é um prato saboroso, a ser degustado por “gourmets do futebol”.

De repente, para explicar um lance confuso e polêmico, aquele ex-juiz famoso (permitam-me não pagar o jabá) se sai com: “a regra é clara”. Isso encerra uma discussão envolvendo toda a mesa, como se “Jeová tivesse se pronunciado definitivamente sobre quem abriu o mar Vermelho”!!!

Outras vezes, quando a câmera pega um lance errado de impedimento não dado pelo juiz, coisa de 10 cm do atacante á frente do zagueiro, começa uma discussão interminável sobre se a bandeirinha gostosa estava distraída e deixou o juiz vendido no lance.

Tudo isso me delicia. É como se eu estivesse assistindo a um espetáculo popular de cordel, ou degustando uma buchada de bode numa feira do nordeste. São sabores sutis, que só podem ser apreciados por quem é fascinado pela sofisticação da simplicidade. Quem nunca experimentou, perca o preconceito e experimente. É viciante, como um bom sandwiche de mortadela com pingado, com o umbigo grudado no balcão da padaria, ao lado de um bêbado degustando um rabo de galo às 8 hs da manhã.

A propósito, para quem não é boleiro:

  • A “macaca” é a designação da torcida para o time da Ponte Preta de Campinas.
  • “Porco” (ou Verdão) é o time do Palmeiras.
  • “Aranha” é o goleiro da Ponte Preta.
  • “Ala” é o jogador que joga nas laterais do campo.
  • “Segundo pau” é a baliza do gol do lado oposto de onde a bola foi cruzada.
  • Palestra é o estádio do Palmeiras e Moises Lucarelli o da Ponte.
  • Luxa é o Wanderley Luxemburgo, técnico do Palmeiras.

Quer aprender mais? Não perca a mesa redonda do domingo, no horário do Fantástico. Eu garanto que é bem melhor do que a turma do Pânico.

14
Abr

Ordenando o caos

Eu estou lendo um livro genial, indicado por um não menos genial amigo que, supreendentemente, só começou a ler livros depois dos quarenta. O nome do livro é “A Era das Máquinas Espirituais”, de Ray Kurzweil (www.kurzweilai.net). Eu ainda não cheguei na metade do livro, mas um turbilhão já se formou na minha cabeça e a única forma de alívio é escrever o que penso a respeito, mesmo que eventualmente eu seja o único leitor. A seguir eu misturo conceitos propostos pelo livro, com outros que foram despertados em minha mente.

O autor sugere que o desenvolvimento humano se dá pela contraposição de dois conceitos: caos e ordem. Ele propõe mesmo uma “Lei do Tempo e do Caos” que poderia ser formulada da seguinte maneira: “Em um processo evolutivo, o intervalo de tempo entre eventos relevantes (aqueles que alteram a própria natureza do processo e afetam seu futuro) é inversamente proporcional à quantidade de caos”.

O universo (a natureza, os seres vivos) representa o caos. À medida em que o universo se expande e o caos aumenta, os eventos significativos se tornam mais distantes e o tempo desacelera exponencialmente (isto é comprovado pelo estudo da evolução do universo, desde o Big Bang).

Por outro lado, a evolução tecnológica representa a ordem. À medida em que a ordem aumenta, o tempo se acelera também exponencialmente. Um bom exemplo do aumento da velocidade relacionada à evolução tecnológica é a Lei de Moore, formulada em 1965 por Gordon Moore, o inventor do circuito integrado e ex-presidente da Intel. A Lei de Moore previa que a área ocupada por um transitor sobre a superfície de um circuito integrado seria reduzida em 30% a cada 24 meses. Desde então, esse ritmo tem se confirmado ano após ano.

A lei da aceleração da evolução tecnológica vale infinitamente? Claro que não. As curvas evolutivas de qualquer tecnologia tem a forma de um “S”. Quando o “S” tende a achatar a evolução pelo envelhecimento de uma tecnologia, o caos entra em ação, provocando a inovação que gera um novo ciclo de evolução tecnológica, e assim sucessivamente. Isso significa que caos e ordem são opostos que se complementam, ou as duas faces de uma mesma moeda. Como o caos evolui cada vez mais lentamente e a ordem cada vez mais rapidamente, isso sugere que o tempo não faz muito sentido. E, se o tempo não faz sentido, muito menos o espaço. Imagine que você está a 10 m de um objeto. Reduza essa distância pela metade. Depois reduza a distância novamente pela metade e continue dividindo a distância pela metade, sucessivamente. Quando você atingirá o objeto? A resposta é nunca (ao menos conceitualmente). Agora, afaste-se do objeto, dobrando a distância a cada afastamento. Quando você perderá o contato com o objeto? A resposta também é nunca. Ou seja, proximidade e distância absolutas são abstrações.

É como se zero fosse igual a infinito! Ou seja, início e fim são a mesma coisa. Não existe fim no processo evolutivo. Lembre-se que o final de uma curva “S” é uma nova curva “S”. A vida se nos apresenta sempre em ciclos, sem início, nem fim (dia e noite, as estações do ano, as marés, as fases da Lua,… caos e ordem).

Ou seja, caos e ordem são no fundo a mesma coisa e um depende do outro para existir. Observem que todos os ciclos de ordenamento e progressos rápidos na história da humanidade se seguiram a períodos de caos (guerras, cataclismas, pestes, destruição, caos social,…).

Os países emergentes, que hoje crescem rapidamente, estão saindo de situações de caos (Brasil, Russia, India e China). Se essa observação é válida (valha-me Deus), isso é um bom prognóstico para Cuba, Haiti, Iraque, Venezuela e a Africa como um todo (?!). Alternativamente, isso também significa bad news para USA, Europa, Japão e países desenvolvidos em geral (onde o ordenamento é cada vez maior, deixando pouco espaço para o caos e a consequente inovação).

Onde chegaremos com tudo isso? A lugar nenhum. Não ouso sugerir que Deus represente o caos e o homem a ordem e que ambos sejam a mesma coisa, mas que essa idéia coça, lá isso coça…

Uma coisa é certa. Depois de ler esse livro vou observar o caos gerado pelo governo Lula com um pouco mais de respeito e interesse.

08
Abr

Isabella

Vocês, como todos nós que ligamos o rádio, a TV, ou folheamos o jornal diariamente já devem estar cansados da overdose sobre o polêmico e triste fim prematuro da garotinha Isabela. Programas de TV “sanguinolentos” exploram todos os ângulos da tragédia humana, até a exaustão. E nós, indefesos consumidores da mídia lixo, nos deixamos levar por essa onda de emoções. Depois de uma semana de consumo excessivo do mesmo assunto nos cansamos, o que também está errado. Triando um pouco de tudo que ouvi sobre o caso, o debate de hoje entre o Carlos Heitor Cony e o Artur Xexéu na CBN finalmente trouxe alguma inteligência à cobertura desse caso sinistro. Trata-se de um caso policial aparentemente simples, dadas as circunstâncias: indícios aos montes e sómente duas pessoas na cena do crime. Descontada a tradicional incompetência investigativa da polícia brasileira, o culpado deve ser apontado brevemente. Já do ponto de vista sociológico, estamos diante de uma trama ultra-complexa. O que levaria (em hipótese) um pai (que segundo todas as testemunhas adorava sua filha) a se transformar num assassino? Por quê faria isso na presença de seus outros filhos? Por quê dos requintes de perversidade (espancamento, esganamento e arremesso do 6o. andar)? Tudo isso nos lembra casos tão complexos como o da menina que mata os pais dormindo, da mãe que lança sua filha recém nascida numa lagoa, dos bandidos que incendeiam um ônibus com as pessoas dentro e por aí vai? Quem consegue explicar toda essa loucura? Lugares comuns como “o mundo sempre foi violento”, ou “resultado das diferenças sociais extremas”, ou ainda “efeito globalização”, tudo isso é muito pouco para explicar. Como todos, eu também teho minha teoria. Nós todos, sociedade maluca do século XXI, somos um pouco os assassinos da Isabela. Ela morreu de indiferença de uma sociedade com sentimentos embotados pela violência banalizada (cinema, jornais, TV’s, You Tube), de reação indevida das pessoas às pressões absurdas da rotina das cidades grandes (trânsito, filas, falta de educação, agressividade) e do desaparecimento dos núcleos familiares tradicionais. Estamos todos girando à toda velocidade dentro do liquidificador social. De vez em quando alguém é apanhado pelas pás e triturado. Isso pode acontecer com qualquer um. São reações espontâneas às pressões da sociedade de ultra-consumo e ultra-competição. Existem antídotos para esse veneno que nos corrói? Não sei. Talvez o próprio veneno possa gerar o antidoto. A extrema pressão gerada pela convivência social quem sabe nos levará a novos patamares de convivência. É tempo de fazermos um furinho na bola de gas, ou então cedo ou tarde ela explodirá em nossa cara.

01
Abr

Colaboração está na moda

Por favor não me julguem precipitadamente, mas eu realmente acho que colaboração é um requisito para ser competitivo nos tempos atuais. Pode parecer paradoxal, pois afinal vivemos uma época de competitividade intensa, mas para ser competitivo é preciso compartilhar!

Como assim? Ué, se você não percebeu vive num mundo plano e integrado, onde não existem mais segrêdos. A Internet invadiu até a China e Cuba e não há mais segredo bem escondido. Você quer saber como funciona um míssil… a Internet explica. Sendo assim, a única forma de evoluirmos e seguirmos vencendo batalhas é juntando nossas informações com as que estão disponíveis publicamente para sermos melhores que os concorrentes. É como num jogo de cartas, onde todos vêm o que foi descartado na mesa e o que importa é saber usar melhor essa informação.

Ontem participei de um web panel sobre “desenvolvimento colaborativo de ergonomia de software”. Fiquei impressionado com o nível dos participantes e o interesse despertado pelo tema. Na sala estavam presentes editores e jornalistas da mídias mais importantes, ombro a ombro com blogueiros e executivos c-level. O sponsor do evento foi o CEO da Datasul, empresa brasileira de software de gestão empresarial e o mediador do painel de debates o Antonio Carlos Rego Gil, presidente da BRASSCOM (entidade que congrega a maioria das grandes empresas envolvidas com exportação de software e serviços de TI). O painel de debates envolveu os presentes e os participantes da sala de chat e as perguntas (sempre muito boas) se seguiram por 1,5 hora, até o instante final em que o link foi cortado.

Fiquei pensando se todos nós temos consciência clara da importância real que a colaboração assumiu no Mundo Plano… Para quem ainda não dedicou algum tempinho a pesquisar o tema eu sugiro que o faça. O que vocês acham dessa mudança tão difícil de explicar (quanto mais colaboramos, mais competitivos nos tornamos)???

28
Mar

Quem mexeu na minha muçarela?

Para vocês que como eu estranharam a grafia de muçarela, saibam que, segundo as últimas edições do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a grafia correta é muçarela, ou mozarela.

Hoje de manhã uma das primeiras notícias que li no jornal foi: “Governo italiano tomará a partir desta sexta-feira (2 8) medidas exigidas pela União Européia para retirar do mercado a muçarela suspeita de contaminação por dioxina. A contaminação ocorre devido a substâncias tóxicas acumuladas no terreno onde o gado pasta, ano após ano, devido a um péssimo gerenciamento do manuseio do lixo na região”.

Eu adoro mussarela (o Houaiss que me perdoe, mas eu não consigo aceitar a grafia muçarela), daquela molinha, que vem num vidro cheio de soro. A gente abre, corta no meio e coloca azeite extra virgem com mangericão no miolinho macio e depois devora, junto com um vinhozinho tinto leve. Acho que já estou com fome…

Pois não é que até nossa sagrada mussarela está sendo colocada em risco pela iniquidade dos poluidores do ambiente!? Por trás dessa notícia aparentemente insignificante, esconde-se um dos maiores dramas do tempo em que vivemos: nossa absoluta incapacidade, como sociedade, de controlar cada um de seus elementos. No seu egoísmo e incoerência, os mesmos cidadãos que irão reclamar da mussarela contaminada, são os mesmos que poluem o meio ambiente à sua volta, sem a menor consciência do risco que provocam.

Aqui em São Paulo, por exemplo, o programa de despoluição do Tietê, que já consumiu coisa de mais de R$ 1 bilhão, é parcialmente fracassado porque a população continua fazendo ligações clandestinas de esgoto e atirando lixo no rio (de garrafas PET a camas, pneus), como se corrente abaixo o problema não fosse mais seu. Quando depois a água invade o barraco, o mesmo cidadão vai reclamar num programa de TV!?

Os governos investem pesados em campanhas de conscientização, sem grandes resultados práticos. O que fazer a respeito? Lamentavelmente acho que muito pouco dá para se fazer. Quando a gente lembra que até hoje os USA não assinaram o protocólo de Kioto, dá para perceber que na verdade não existe nenhuma diferença na atitude do Bush, ou do maloqueiro em São Paulo, quando se trata de “defender o meu e o resto que se lixe”.

Não é simplesmente um problema cultural, pois em diferentes medidas atitudes insanas de agressão à natureza ocorrem na Amazonia (com as bençãos do Lula), no rio Tietê, na Itália, ou nos USA. Trata-se do maldito egoísmo humano, que enxerga apenas o impacto imediato de suas ações. O que cura isso é a natureza, que tende sempre a reequlibrar o universo se preciso através do caos.

Portanto, nos resta educar nossos filhos a fazer o que é certo, enquanto nos conformamos com a chuva de m…. que continuará caindo sobre nossas cabeças. Como diz o Macaco Simão, “nós sofri, mais nóis diverti”!!!

Saiba mais sobre o caso da muçarela, ou da mussarela:

» Itália afirma que muçarela contaminada não foi exportada para a UE