Religião e Espiritualidade

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Faz tempo que eu não escrevo em meu blog. Preguiça, falta de inspiração, sei lá… Ultimamente eu tenho estado mais para ler e estudar do que para escrever. Mas, meu mestre tem me orientado sobre os riscos da passividade e eu não quero incorrer nesse erro. Estudar, vivenciar e aprender (consequência das duas anteriores), sem compartilhar, é o mesmo que guardar uma linda jóia dentro de um cofre, longe dos olhares alheios. Isso seria um prazer egoísta e inútil.

Eu tenho estudado sobre muitos temas de meu interesse, mas acho que todos são ligados pela mesma raiz: espiritualidade. O que é espiritualidade? Muitos confundem com religião, mas são coisas completamente diferentes. A espiritualidade está para a religião assim como a arte de cozinhar está para um livro de receitas. Existe uma só arte de cozinhar, baseada no paladar apurado, no amor no preparo dos pratos e no gosto por servi-los a quem os aprecia. Um livro de receitas é apenas um livro de receitas. Ler um livro de receitas e seguir a risca o que está escrito não nos transforma em bons cozinheiros. O amor pela cozinha e a prática, isso sim nos transforma em mestre cucas e só estes conseguem interpretar corretamente as receitas de um livro.

As diversas religiões são os muitos livros de receitas da espiritualidade. Não precisamos deles para praticarmos a espiritualidade, mas uma vez praticantes seguir os ensinamentos de uma religião pode acelerar nossa elevação. Qual religião? Qualquer uma. Todas podem ser boas, ou ruins, dependendo da forma que seguimos seus preceitos. Todas têm os mesmos fundamentos: ama ao próximo como a ti mesmo e acredite que existe uma inteligência superior (Deus?) que pauta as regras da nossa evolução. O resto é detalhe…

Eu, pessoalmente, não sou uma pessoa religiosa. Já experimentei diversas e achei todas parecidas em seus defeitos. As religiões costumam ser sectárias (ou está comigo, ou queimará nas chamas do inferno), dogmáticas (não aceitam discussão) e liturgicas (agora ajoelha, agora senta, feche os olhos, abra os olhos, cubra a cabeça, esconda o corpo, etc, etc, etc). Os ritos podem ajudar na conscientização de quem acredita neles, mas para um ignorante, como eu, equivalem às instruções da FIFA para não jogar futebol com a camisa para fora do calção, ou as meias abaixadas (ajuda, atrapalha…?).

As religiões não são essenciais para o bem viver. Na maioria das vezes atrapalham, inspirando separação, violência e guerras. Já a espiritualidade é fundamental para uma vida que faça sentido. E o que é espiritualidade, afinal? Cada um pode definir como quiser, mas eu tenho minha própria definição: “ESPIRITUALIDADE É A BUSCA CONTÍNUA DA ELEVAÇÃO DO NÍVEL DE CONSCIÊNCIA, COMO A BASE DO BEM VIVER”. E o que é viver bem? A maioria de nós sem pensar diria que viver bem é viver em paz, atingir um estágio na vida onde tenhamos tudo que precisamos e que possamos desfrutar tranquilamente. Sinto desaponta-los, mas isso está errado. Tento me explicar com um exemplo.

Imagine que você é um jogador de futebol de alta performance, joga no Barcelona e seu sonho é ganhar a Champions League. Aí alguém chega para você e diz: fique tranquilo, a taça está na mão, já subornamos todos os juízes e você não precisa nem treinar, porque está tudo garantido. Ué, e cadê a graça de ganhar uma taça assim? Ou então, o Bill Gates doa para você um bilhão de dólares, com a condição de que nunca mais você trabalhe na vida (muitos idiotas dirão que esse é seu sonho, mas no fundo sabem que estariam morrendo de tédio em poucos meses).

Pois é, se não tem graça ganhar um campeonato sem ralar, treinar e competir, também não tem graça alcançar a paz, a felicidade plácida com que sonhamos sem fazer por merecer. O sal da vida vem do atrito, das restrições que somos obrigados a enfrentar e o prazer decorre do esforço que fazemos para superar as adversidades. Viver é ralar e elevar o nível de consciência é aprender com a ralação. Isto é espiritualidade.

Quer dizer que os problemas e dificuldades são coisas boas em nossa vida? Essa é a grande verdade, difícil de ser aceita. Quando você é promovido, quando ganha uma competição esportiva, quando conquista um novo amigo, um novo amor, em todas essas situações o prazer vem do processo. Atingido o objetivo, o prazer é fugaz e imediatamente precisamos definir uma nova meta para nos mantermos motivados. Um alpinista que chega ao cume de uma montanha curte a paisagem por alguns minutos e na sequência já começa a pensar no próximo desafio que enfrentará. Seu prazer veio da adrenalina da escalada e das mãos machucadas nas pedras e a vista maravilhosa do cume é apenas uma prova que que ele mereceu chegar lá.

Apesar desses exemplos óbvios indicarem que o prazer da vida está no enfrentamento dos problemas e desafios, nós fugimos deles como o diabo foge da cruz (será que foge mesmo?). Por que? Porque temos medo, insegurança e preguiça. Esse trio é um adversário duríssimo de se enfrentar e os três têm uma só raiz: nosso ego. Medo, insegurança e preguiça são os argumentos que nosso ego utiliza para nos convencer a não correr o risco de falhar, porque a falha representa nosso ego exposto, em toda a sua fraqueza.

Assim, o caminho da espiritualidade e da elevação do nível de consciência passa por enfrentar e vencer nosso ego e suas variantes: orgulho, vaidade, inveja, mágoa, vitimização (umas das formas mais sofisticadas de ego) e arrogância. Enfrentar o ego é como praticar na cozinha, treinar no futebol, faz parte do processo para nos tornarmos algo maior.

O enfrentamento do ego nos torna mais fortes e preparados para enfrentar as tormentas inevitáveis, e talvez importantes, em nossas vidas. Doenças, morte, decepções, traições, frustrações, etc, são as várias técnicas de treinamento da elevação espiritual. Partamos do princípio que vivemos numa escada com muitos degraus e que em todos eles há sofrimento e felicidade, oferecidos na mesma quantidade. Ou você acha que alguém cego, ou paraplégico tem menos chance de ser feliz que você? Essa consciência de que a felicidade vem da plenitude interior e não do preenchimento de desejos imediatos e egoístas, nos ajuda a viver melhor.

Importante uma palavrinha sobre plenitude. A definição está auto-contida: plenitude é se sentir pleno, preenchido e o oposto é se sentir vazio. Pense nos momentos em que você se sentiu oco, vazio. Dificilmente (para não dizer nunca) isso ocorreu em momentos de grande pressão, de grande turbulência, quando usamos toda a nossa energia e capacidade para sobreviver, superar os obstáculos, sem tempo para existencialismo. O vazio acontece quando perdemos os objetivos na vida. E nós perdemos os objetivos na vida quando achamos que já temos tudo. Isso é um perigo! Daí a importância das perdas, tão difíceis de aceitar. Nós não sentimos falta de algo que nunca perdemos e é a perda que desperta na gente a vontade de lutar para recuperar. Pense que a luz em nossa vidas precisa de um espaço para ser preenchida e que esse espaço é aberto por perdas e restrições. Pense: você daria valor à sua saúde se nunca tivesse estado doente, ou visto alguém doente à sua volta? Pois é. 

Muitos perguntarão: então eu devo buscar as situações de dificuldade para ser feliz? Não é preciso, elas virão até você. Se você aceitar que o moleque das bolinhas do cruzamento é tão importante quanto seu filho, que o estranho que morreu na fila do SUS poderia ser seu pai e que a promoção conseguida por seu inimigo (?) é tão importante quanto a sua, então os desafios e objetos de superação estarão à sua volta, todos os dias, todo o tempo. Aceitar isso é iniciar uma vida de contínuas aventuras e emoções, com recompensas que ocorrerão todas as noites quando encostarmos a cabeça no travesseiro.

E isso é fácil? Não!!!! Eu estou longe disso, mas já entendi que este é o caminho e minha busca é incessante. Podem discordar, porque eu não sou dono da verdade e posso estar redondamente enganado, mas não custa experimentar.

“Nós” e “Eles”

moisespescadorO Brasil é o único país do mundo onde a população está dividida em duas metades: “nós” e “eles”. O incrível é que se somarmos as duas metades o resultado é o dobro da população!? Os “nós” e os “eles” não se misturam, pois não são farinha do mesmo saco. “Nós” somos legais, hospitaleiros, divertidos, criativos, prontos para ajudar, inteligentes, honestos, trabalhadores, estudiosos, cultos, amigos, colaborativos, leais, respeitadores, enfim, “nós” somos o fino da bossa, como se dizia no tempo do Tom Jobim. Se o Brasil fosse populado apenas pelos “nós” seriamos um país de primeiro mundo, quem sabe líderes globais, à frente de USA e China.

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Gênio, ou tranquilão, quem é “o cara”?

IEO que Steve Jobs, Richard Branson e Bill Gates têm em comum? Além de serem bilionários, todos foram maus alunos (Steve e Branson nem se formaram). Estamos aqui fazendo a apologia “Lulistica” da inutilidade do estudo? De jeito nenhum. Muito pelo contrário, nos dias atuais um diploma de graduação é pouco, pois a maioria chega aos head hunters já ostentando seus diplomas de MBA.

Porém, apenas estudar não garante o sucesso profissional, muito menos nossa realização como seres humanos. Bons alunos são feitos de QI elevado + esforço. Já os profissionais de sucesso, em sua imensa maioria, são os que têm QE (Quociente de Inteligência Emocional) mais elevado. Na minha turma de Engenharia os que tiveram maior sucesso profissional eram quase todos da “turma do fundão” (da classe).

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Liderança (*)

lider_inspirador-nggid03527-ngg0dyn-340x240-00f0w010c010r110f110r010t010Todo mundo é líder de alguma forma, com os filhos, com os amigos, com a família, na empresa.  Ser líder é influenciar as pessoas a se movimentarem do ponto A para o ponto B. Liderar não é comandar, é inspirar. Quando inspiramos estamos compartilhando algo que possuímos, uma visão, uma informação importante. Quando ordenamos, quem recebe a ordem provavelmente obedeça, mas será algo que irá contra sua natureza, caso não esteja convencido.  Comandar só faz sentido em situações de emergência. A questão é separar emergências reais de situações onde nós estamos ansiosos para mudar algo à nossa volta!
Para liderar é preciso passar confiança. As pessoas se dispõem a confiar em alguém na medida em que quem tenta inspirar se expõe, aceitando se colocar numa situação de fragilidade. A liderança tem que ser forte, sem ser autoritária. O líder precisa explicar o sentido daquilo que solicita, ou sugere.

e-Jovens

imageOs jovens do século XXI vivem em rede. Meu sobrinho (e afilhado) e sua namorada, ambos de 26 anos, moram em Berlim. Eles são “e-jovens”. Apesar de não terem o comportamento obsessivo dos jovens brasileiros, que checam FB e e-mail no cinema e na academia, o Pedro e a Mariane dependem totalmente dos seus smartphones para viverem. Suas vidas são direcionadas pelos apps do iPhone e pelas redes sociais (virtuais e físicas). Conviver por dois dias com esses dois jovens brasileiros, que vivem como europeus, foi para mim uma lição de vida.
O Pedro se formou em Tecnologia da Informação aos 22 anos, mas iniciou sua atividade profissional, como um empresário de e-commerce, ainda durante a faculdade, aos 19 anos. Em parceria com outro jovem, o Pedro fundou uma empresa de e-commerce para vender livros jurídicos pela Internet. Ele e seu sócio, além de programar, vendiam, faturavam, cuidavam da logística e do recebimento. Terminando a universidade, o Pedro iniciou sua pós-graduação.
Aos 23 anos ele foi convidado para trabalhar como desenvolvedor de e-commerce da UOL e aos 24 anos se transferiu para a Rocket (uma empresa global de venture capital, especializada em incubar negócios de e-commerce), para atuar na exportação de sistemas para as novas empresas sendo incubadas no Brasil. Algum tempo depois ele foi convidado pela maior concorrente de seu empregador para ser o  lider de desenvolvimento, baseado em Berlim, com o mesmo objetivo anterior, mas agora com responsabilidade por toda a América Latina. Nesse momento o Pedro sentiu que a coisa iria longe e convidou a Mari para se mudar com ele para Berlim. A Mari é advogada e, coincidentemente, já estudava alemão.

O Fluxo

riverflowTrechinho de um post mega legal do Stef Lewandowski no blog Medium.com:

“Existem dias onde os astros se alinham para prover um ambiente perfeito para nossas realizações. Nesses momentos a gente se sente poderoso, capaz de tudo, absolutamente o melhor. Parece que somos parte de um fluxo, onde podemos fazer coisas em segundos, que normalmente levariam horas. Nessas ocasiões os movimentos de nosso corpo e os pensamentos mais complexos se tornam naturais e fáceis, como cortar manteiga. Todo trabalho se torna agradável, seus resultados são de alta qualidade e o sentimento de realiza-lo é de puro prazer.”

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O tempo e o vento

sushi

Vou dividir este post em 2 partes, até para tornar a leitura mais palatável. O tema é o tempo e o uso, bom ou mau, que fazemos dele.

O TEMPO

Gente eu ando sufocado pela impossibilidade concreta de fazer tudo que eu preciso, pra não falar do que eu gostaria. Tem mil desculpas, desde o trânsito até minha falta de disciplina. Mas, eu não creio que esteja isolado em minha neura. O estresse da falta de tempo é uma síndrome coletiva do século XXI. Será que o tempo está encurtando em nossas vidas para nos forçar a tomar decisões que por muito tempo temos adiado… Filosofemos um pouco juntos.

Defina tempo. Cada um pode escolher sua definição e eu tenho a minha. O tempo é o espaço que nos separa das consequências de nossos atos, ou que nos separa de eventos em função das circunstâncias. Uma indecisão é uma decisão. Se você bobeia quando a cestinha de sushi passa, vai ter que esperar uma volta inteira para alcança-la de novo, ou seja, pela sua indecisão você criou artificialmente tempo entre você e o prazer de degustar seu sushi favorito. Onde está a cestinha de sushi: no presente, passado, ou futuro? Está nas três dimensões, ao mesmo tempo.

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Onde pensar é livre pensar…

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