O tempo e o vento

sushi

Vou dividir este post em 2 partes, até para tornar a leitura mais palatável. O tema é o tempo e o uso, bom ou mau, que fazemos dele.

O TEMPO

Gente eu ando sufocado pela impossibilidade concreta de fazer tudo que eu preciso, pra não falar do que eu gostaria. Tem mil desculpas, desde o trânsito até minha falta de disciplina. Mas, eu não creio que esteja isolado em minha neura. O estresse da falta de tempo é uma síndrome coletiva do século XXI. Será que o tempo está encurtando em nossas vidas para nos forçar a tomar decisões que por muito tempo temos adiado… Filosofemos um pouco juntos.

Defina tempo. Cada um pode escolher sua definição e eu tenho a minha. O tempo é o espaço que nos separa das consequências de nossos atos, ou que nos separa de eventos em função das circunstâncias. Uma indecisão é uma decisão. Se você bobeia quando a cestinha de sushi passa, vai ter que esperar uma volta inteira para alcança-la de novo, ou seja, pela sua indecisão você criou artificialmente tempo entre você e o prazer de degustar seu sushi favorito. Onde está a cestinha de sushi: no presente, passado, ou futuro? Está nas três dimensões, ao mesmo tempo.

O tempo também é aquilo que separa a dor do sofrimento. A dor é da vida, o sofrimento é escolha nossa. Mais uma vez está provado que colocar tempo na nossa vida é uma decisão autônoma. Você tem um diagnóstico ruim, apontando para uma possível doença grave. A decisão de procurar imediatamente seu médico, ou não, é inteiramente sua. Se criar coragem, procurar o médico e seguir as recomendações que ele lhe dará, não haverá sofrimento e a solução de sua dor terá sido trazida para o presente.  By the way, a doença talvez nem exista. Se, alternativamente, você sentir medo e decidir não procurar o médico, adiando o enfrentamento do problema, estará criando sofrimento para sí mesmo. E quanto tempo vai durar esse sofrimento? Quanto você quiser, a decisão é sua.

Tudo isso nos leva a pensar que o tempo é um mal necessário, porque sem ele as consequências de tudo seriam imediatas em nossas vidas, tipo ação/julgamento/pena simultâneos para todos os nossos atos. Isso nos roubaria a chance de pensar e exercer nosso livre arbítrio, único caminho possível para o aprendizado e a evolução. Ou seja, o bom uso do tempo pode elevar nosso nível de consciência, o que eventualmente vai zerar esse efeito (tempo) em nossas vidas. Quanto mais conscientes somos da importância de tomar decisões e aprender com as elas, menos sentido o tempo fará em nossas vidas.

Indo por esse caminho, podemos também imaginar se é possível antecipar o futuro. Sim, claro. O cara com diagnóstico de câncer e que enfrentou o problema hoje, antecipou seu futuro, enquanto aquele que procrastinou deixou tudo na região do sometime, somewhere… E o passado nós podemos mudar? Claro que sim. Se você bobeou quando a cestinha de sushi passou, não bobeie da próxima e aprenda com suas más decisões tomadas anteriormente. Em outras palavras, podemos refletir sobre os erros cometidos, porque eles não passaram ainda, estão vivos em nossa cabeça. Pense que em sua vida como uma cestinha de sushi, que passa sempre de novo, pode até não ser a mesma, que alguém já comeu, mas será outra similar.

Quando fugimos de um enfrentamento (como eu de minha corridinha, hoje cedo) sabemos que, inevitavelmente, situação similar nos será apresentada num futuro próximo. Muitas vezes, podemos até antecipar o enfrentamento, provocando já aquela situação da qual fugimos. Eu, por exemplo, poderia fechar o computador agora, botar meu tênis e sair para a rua, o que feliz ou infelizmente não vou fazer.

Resumindo, misturando tudo e criando a maior confusão, na minha e na sua cabeça. Existe uma relação estreita entre passado, presente e futuro, relação esta cuja dimensão somos nós mesmos que criamos. Sendo repetitivo, o tempo reflete por diferentes ângulos os nossos atos e suas consequências. Com a devida prática, com muita coragem e elevação de consciência, cedo ou tarde misturaremos as três dimensões numa só. E aí, o que terá acontecido? Teremos zerado o tempo de nossas vidas, trazendo consequências imediatas para todas as nossas ações. Por que não podemos fazer isso agora? Simplesmente porque não estamos preparados. O medo, a insegurança e a preguiça nos solicitam criar tempo em nossas vidas, adiando a antecipação do futuro e evitando a análise do passado.

Não está convencido ainda? Então aí vai uma reflexão final de boteco, para te mandar direto para a frente da tela da Globo, onde o tempo não existe porque lá não é preciso pensar. O que é o presente? O ano, o mês, a semana, o dia, a hora, o segundo, o milisegundo que você está vivendo? Para quem respondeu que o presente é esse exato instante, eu pergunto: o que é instante? Quando eu digito estas palavras eu estou no presente, ou no futuro? E o próximo ponto final que eu vou digitar, onde está? Você decide. Me minha parte, vou tomar um banho que tenho adiado desde que que entrei em casa, antecipando o frio a ser enfrentado até a água do chuveiro esquentar.

O USO DO TEMPO

O tempo tanto pode trabalhar a nosso favor, como pode nos controlar, só cabe a nós decidir. O tempo é o único patrimonio, que não nos pode ser roubado, exceto pela morte. Tudo o mais, riqueza, poder, saúde, familia, amigos, etc, não tem nenhuma garantia de posse ao longo da vida. Porém, paradoxalmente, o tempo apesar de nosso é, na maioria das vezes, gerenciado pelos outros. O ambiente à nossa volta é determinante para o uso que fazemos de nosso tempo.

Mas, isso não deveria nos estressar. Mais importante do que gerir o tempo é gerir nossa energia. Ficar rolando na cama de manhã não é bom, pois cria preguiça em nosso dia. A melhor forma de iniciar um dia é pular da cama no primeiro toque do despertador e lavar a cara. Na sequência comece seu dia agradecendo a Deus por estar vivo e tendo em mente o que você quer proativamente fazer com ele. Cabe a nós decider como gastar nossa energia no novo dia que começa. De um jeito ou de outro o tempo vai rolar. Se a gente se dispõe a tomar decisões, boas ou não, mas por vontade própria, não seremos seus reféns.

A dica é viver focado, não perdendo tempo com enrolações e indecisões. Planeje sempre seu dia, tenha um objetivo em mente, mostrando a Deus que você valoriza seu tempo. A vida é um presente e cada minuto deve ser vivido com a clara consciência de que estamos vivos agora e podemos estar mortos na sequência. Pessoas inteligentes vivem suas vidas como se cada dia fosse o último.

Para decidirmos onde aplicar nossa energia e nosso esforço, é inevitável um correlação com o tempo. Precisamos separar o importante do urgente. É urgente abrir a porta quando a campainha toca, mas isso provavelmente não é importante. Assistir a apresentação de ballet de sua filha na escola na semana que vem é importante, mas não é urgente. E tem coisas que não são nem urgentes, nem importantes e que apesar disso nos consomem muito tempo (por exemplo, o Facebook).

O tempo é o grande insumo a ser utilizado na aplicação de nossa energia, essa sim um valor concreto da vida. Se você crê em Deus, acredite que ele nos emprestou tempo para aplicarmos nossa energia nas coisas que valem a pena, tais como, o trabalho, a familia, os amigos, a caridade, o descanso, enfim, tudo aquilo que dá um sentido à vida. Usar nosso tempo para gastar energia em algo que não vale a pena pode ser considerado um falta grave. Por isso, pense duas vezes antes de ficar zapeando na TV sem coragem para se levantar da cadeira, ou gastando horas de seu sono lendo inutilidades no Facebook, ou desperdiçando aquela linda tarde de domingo rindo displicentemente das babaquices do Porta dos Fundos (que eu adoro), ou pior ainda, assistindo à Dança dos Famosos no Faustão. Se quer gastar tempo com alguma irrelevância que faça sentido, pelo menos assista a um jogo do Corinthians!

Quer dizer que devemos zerar as irrelevâncias de nossas vidas? NÃO! As irrelevâncias nos relaxam e aliviam um pouco a pressão pela utilidade continua da vida. Mas, quando optamos por dormir até mais tarde, ou jogar um pouco de tempo fora assistindo ao último filme do Sacha Baron Cohen, que eu também adoro, faça-o conscientemente, não induzido pela preguiça de ter que tomar alguma decisão.

Iniciar, parar e reiniciar é um grande é um grande desperdício de tempo e energia. Em cada reinício perdemos eficiência naquilo que fazemos. Imagine que você finalmente se decidiu a iniciar um trabalho de musculação na academia. Depois de um mês de malhação, quando o corpo começava a dar sinais de força e resistência, você dá uma desanimadinha e arruma uma desculpa para ficar duas semanas parado. Quando voltar, a chatice será maior do que no primeiro dia, você terá voltado à estaca zero, todos os quilinhos estarão de volta e se sentirá um babaca diante do espelho. E por que fazemos isso? Porque nós seres humanos temos mesmo uma quedinha pela babaquice.

O importante mesmo é sermos pró-ativos, donos de nosso tempo, sem dar espaço às indecisões. Mas, ao determinarmos nossa próxima ação poderemos também estar determinando suas consequências, sejam elas boas ou não. O medo dessas consequências é que nos leva a tergiversar.  Mas, para que possamos atenuar os erros inevitáveis em nossas vidas é melhor que tomemos as decisões já, porque suas consequências nos darão chances de enxergar os erros de julgamento, ainda com tempo de corrigi-los.

É bem verdade que até o ultimo minuto de nossas vidas ainda poderemos nos arrepender de atitudes inadequadas e fazer uma reforma íntima que nos permita fechar os olhos tranquilamente, mas será que teremos esse tempo?  O sentido da vida é correr atrás das consequências de nossos atos, antecipando sempre as ações que achamos importantes não só para nós, mas para o mundo à nossa volta.

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