MOTIVAÇÃO

tumblr_l9bnw7irvb1qci8e0o1_r1_1280O que é motivação? A adrenalina que nos empurra para frente quando nos sentimos ameaçados, a dopamina que vem à tona quando somos elogiados, o ego que salta à frente quando somos criticados?

Antes de responder à essa questão é preciso responder a uma outra: quem nos motiva? Ao contrário do intuitivo, quem nos motiva não são as pessoas à nossa volta e sim nós mesmos. Quando muito o ambiente externo nos dá toques, para acordar o gigante que dorme dentro de cada um de nós.

E a única coisa que desperta o gigante é a perspectiva de ser útil. Sim, nosso gigante interior é movido a bons sentimentos, e isso vale mesmo para os seres mais primitivos e empedernidos.

Por isso é tão importante “vender” as ideias e sugestões para as pessoas. Até o sargento que dá ordens diretas e inquestionáveis deveria ao menos sugerir o sentido e a utilidade por trás de seus mandos e desmandos.

Sob ameaça, ou quando pressionados, nós sempre iremos adiante. A questão é: com que velocidade, com que empenho e com que entusiasmo? Eu adoro romances históricos. No ano passado li os best sellers do Conn Iggulden sobre a vida de Júlio Cesar e Ghengis Khan. Ambos literalmente conquistaram a Terra, cada um a seu tempo. Ambos eram duros como diamante, implacáveis com seus liderados, mas idolatrados como líderes motivadores. Ghengis e Júlio sabiam como despertar o gigante dentro de seus guerreiros, que morriam por eles lutando incansavelmente até o alcance do objetivo final.

Por arrogância, nós que produzimos resultados usando o intelecto achamos que não há “balinhas de dopamina” no trabalho braçal. Na verdade, toda e qualquer profissão oferece recompensas por um trabalho bem feito. Um encanador se sentirá feliz por acabar com o pinga pinga renitente da torneira da cozinha de sua cliente, um professor se sentirá o máximo quando um de seus alunos conseguir demonstrar o Teorema de Pitágoras e um programador se orgulhará pela utilidade do componente de software que produziu. Cada um na sua.

Porém, a repetição das pequenas vitórias acaba por joga-las na vala comum das coisas banais e aí tchau dopamina. Nesse momento, cabe ao gerente despertar o monstro dentro de cada um de nós. Todos nós temos uma diferente que (re)liga nosso botão de motivação. O líder inato sabe distinguir os fatores que disparam a motivação de cada de seus comandados. Estes fatores estão relacionados à personalidade e ao perfil intelectual e profissional de cada um.

Entender a personalidade de seus comandados é sempre um bom começo. De acordo com a teoria da Dinâmica Humana, cada um de nós funciona conforme uma combinação de perfis que compõem nossa personalidade. Em 1979 a Dra. Sandra Seagal conduziu uma pesquisa baseada no tom de voz das pessoas, resultando em três frequências que correspondem a perfis mentais (objetivos), emocionais (subjetivos) e físicos (práticos). Estes três princípios se combinam resultando em nove personalidades distintas, onde cinco são predominantes na humanidade atual. Saber reconhecer quais desses princípios rege a personalidade de um indivíduo é uma chave valiosa para encontrar os instrumentos ideais de motivação.

Indivíduos com  perfil Mental predominante se sentem mais motivados por desafios intelectuais, já os Emocionais adoram os ganhos sensoriais e os Físicos preferem os resultados concretos. Mesmo conhecendo bem o caminho para a “balinha de dopamina” de cada perfil, precisamos ter cuidado com os curto circuitos.

Quando uma lâmpada entra em curto circuito ela têm uma explosão de brilho rápido, antes de queimar. As recompensas muito intensas e pontuais dão uma enorme satisfação momentânea, mas de curtíssima duração, como num curto circuito.

O que gera luz intensa e continua no coração das pessoas, não importando seu perfil, é o sentimento de utilidade, de doação e compartilhamento. Assim, um operário (perfil mais para o Físico) se sentirá feliz por usinar uma peça perfeita em seu torno, um executivo (perfil mais para o Mental) se realizará com a viabilização um grande negócio, enquanto um artista (perfil mais para o Emocional) entrará em êxtase com a apreciação do público com sua arte. Cada um na sua.

Caberá a nós gerentes proporcionarmos a nossos funcionários desafios que resultem em recompensas duradouras e adequadas a cada perfil. Vamos tomar o caso de um executivo de vendas. Seu chefe poderá lhe atribuir um único desafio no ano: feche um só grande negócio, ganhe 1 milhão de dólares de comissão e aí passe o restante do ano de papo para o ar. Isso é um curto circuito, que vai motivar muiiiito o vendedor durante uma semana.

Por outro lado, proporcione ao mesmo profissional a oportunidade de montar uma equipe de vendas e obter resultados balanceados ao longo de todo o ano e esse cara estará muito motivado pelos 12 meses seguintes, mesmo que a recompensa financeira seja menor que a do vendedor do negócio único.

Assim somos nós seres humanos. Tudo que pedimos intuitivamente vai na contramão daquilo que realmente precisamos. Nós pedimos recompensas imediatas, intensas, tais como paixões, ganhar na mega-sena, poder comer e beber o que quisermos, férias eternas, etc, mas no fundo sabemos que nada disso nos motivará. Serão apenas curto circuitos.

Por isso, às vezes para motivarmos as pessoas à nossa volta, nossos funcionários, nossos familiares, nossos amigos… às vezes é preciso saber dizer não. Dizer não às recompensas que satisfazem apenas ao desejo impensado, para oferecer as recompensas que serão colhidas a longo prazo e graças ao esforço pessoal e continuado. Imagine que você é o Bill Gates, que se aposenta e tem um filho de 30 anos, brilhante, bem formado, mas inexperiente. Se o Bill tiver juízo não vai nomea-lo CEO da Microsoft. O Bill Jr deveria ralar por muitos anos, ganhando experiência e realizando coisas com seu próprio esforço, até que mereça se sentar no trono do pai. Coloca-lo lá antes do tempo o destruirá.

Pense nisso, antes de impensadamente oferecer recompensas fáceis que, ilusoriamente, vão motivar alguém próximo de você. Além da curta duração do entusiasmo despertado, cedo ou tarde esse indivíduo se voltará contra você, lhe jogando a culpa por suas frustrações.

Um último ponto, mas não menos importante, é a questão da coerência. Desafios incompatíveis com valores, ideais de vida e a ética pessoal, podem até ser aceitos por impulso (ambição), mas inevitavelmente resultarão em frustração, seguida de fracasso. Portanto, não basta subir a ripinha para que cada um de seus colaboradores salte mais alto. Antes disso é preciso perguntar qual é seu esporte favorito.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s