Arquivo da categoria: Quotidiano

Parece genérico? E é. Quotidiano é tudo que nos sensibiliza através da “janela da alma”(os olhos). O quotidiano pode chegar até nós pela mídia, pela janela do automóvel, ou simplesmente pela observação do mundo à nossa volta. Compartilhar nossa percepção sobre o quotidiano é uma forma de interagir com o mundo.

O BARQUEIRO

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O rio é muito bonito, mas também perigoso, com muitas pedras e corredeiras. E são muitos, muitos, os barqueiros que diariamente o enfrentam. Todos querem chegar ao final de seu curso, embora nenhum deles saiba onde o rio desagua.

Dentre os barqueiros existem aqueles que se distraem com a linda paisagem de florestas e céu azul, sendo pegos de surpresa pelas pedras, pelas corredeiras e mesmo pelas súbitas tempestades, tão comuns na região do rio.

Outros barqueiros se sentem tão amedrontados com os riscos, que simplesmente não desfrutam da experiência, se mantendo sempre próximos das margens. E existem também aqueles que, mesmo sabendo dos riscos, descem o rio corajosamente, mas desfrutando a paisagem, ao mesmo tempo em que prestam atenção nas pedras. Estes são poucos, muito poucos. E, incluindo estes últimos, cedo ou tarde todos terão que enfrentar os desastres do rio.

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O Brasileiro é tão bonzinho…

cristo com vergonhaQuando eu era menino tinha um quadro muito do babaca no programa “A Praça é Nossa”, onde a personagem era uma Americana ingênua cujo bordão era: “o Brasileiro é tão bonzinho”. E, obviamente, em todos os programas o Brasileiro bonzinho sacaneava a Americaninha. Hoje, passados muitos anos, começo a achar que a Americana afinal tinha razão: o Brasileiro é mesmo bonzinho, mais do que bonzinho, um verdadeiro babaca!

A propósito, li hoje uma crônica do Jabor que merece ser compartilhada. Acho o Jabor um chato, sempre de mau humor e se queixando de algo, mas nesse texto ele se superou. É brilhante. Adoraria ter escrito, mas se não o fiz pelo menos concordo em 100% com o que ele diz. Confiram, vale a pena. No final vocês vão se sentir tão babacas como eu. Ou não…

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Déjà vu

Gente, esse é meu primeiro post depois de um sabático de 3 meses. Sabático é um jeito elegante de disfarçar minha preguiça, ou pura e simplesmente falta de inspiração. Meu blog tem sido eclético, desde o início, falando um pouquinho de tudo, mas percebi que ultimamente eu vinha me comportando de forma azeda, compatível com meu desapontamento com nossa atitude histórica de “deitados em berço esplêndido”. Por isso eu parei de escrever, para não transferir minha “sacocheíce” para vocês.

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Tempos Modernos

No famoso filme do Carlitos, a modernidade era representada pelas engrenagens de uma máquina. Nos dias atuais, modernidade é sinônimo de Internet, redes sociais, iPods, iPhones, iPads, TV interativa e tantas outras tranqueiras eletrônicas, cujo principal objetivo é roubar um pouquinho do nosso precioso e irrecuperável tempo.

Embora eu utilize todas essas tranqueiras e curta a integração (chave do sucesso bolado pelo Steve Jobs) do iPod ao iMac, passando pelo conforto do iTunes, Amazon, eBooks e outros gadgets, me nego a vê-los como sinônimo de modernidade. Eu acordo cedo pra correr e no elevador descem comigo (tem uma Reebok bem embaixo de onde eu moro) ½ dúzia de babacas checando e-mails às 6 hs da manhã… Isso é ser moderno, ou ser idiota?

Um dos caras mais modernos que conheci foi meu avô, que infelizmente já se foi há décadas. Ele era um cara intrinsecamente curioso, que naqueles tempos em que a informação andava a cavalo, dependia de interação humana para se informar. Vovô não perdia uma chance de se sentar com os netinhos e seus amigos, tomando um chocolate quente e ouvindo o papo jovem, com curiosidade de adolescente. Muitas coisas ele não entendia, mas não se envergonhava de perguntar aos mais jovens e aprender com eles.

Tudo isso para dizer que a informação abundante, que hoje tem na velocidade da luz e na quantidade proporcionada pela Internet, é um fator de desestímulo à modernidade. Parece um paradoxo? E é.

Vejam bem, quando a gente navega na Internet já sabe o que quer. Damos um Google naquilo que nos interessa, mas recebemos aquilo que o Larry Page quer que a gente receba, baixamos do iTunes pro iPad o filme block buster e no Kindle um dos livros do ranqking dos mais vendidos pela Amazon. Quando achamos que estamos vivendo nossas vidas, estamos sutilmente sendo conduzidos como boiadas, mansos e passivos, ao sabor das hypes e das tendências.

Ser moderno então é fugir da informação profusa e abundante que nos agride continuamente? NÃO!!! Ou se preferirem, nem sim, nem não, muito pelo contrário. Ser moderno é estar acima disso tudo, é saber escolher o dia e a hora para dedicar nosso tempo às irrelevâncias.

Ser moderno é ir para a academia sem celular, ir pra praia sem o iPad, sair para o cinema sem precisar dar um check in no Four Square e jantar um lindo prato sem postar a foto no FB (o que a propósito o babaca aqui de vez em quando faz). Será que tem alguém interessado em saber que a casquinha de siri que eu estou comendo está maravilhosa?

Ser moderno é usar o FB, o Twitter, o Google, o iTunes, a Amazon, o iPhone, o GPS, o WiFi, a banda larga, o email no celular, o SMS, o cacete, sem ser usado por nada disso. Ser moderno não é baixar o CD da Adele quando ela acabou de receber 7 Grammys, mas baixar do iTunes sómente as trilhas que eu realmente curtir, sómente quando me der na telha.

Ser moderno é adiar a ida ao Cinemark para ver o Madagascar 3, mas baixar o Pinochio da série Classics da Disney e passar a tarde rindo com o netinho e ensinando-o a curtir uma historinha ingênua e bem contada.

Ser moderno para mim é um conceito muito antigo, tão antigo quanto o homem. É desprezar tudo que está arraigado em nossas mentes, para continuamente tentar entender para onde se dirige esse navio chamado Terra. Igualzinho fazia meu avô.

Enfim, ser moderno é ser curioso e atualizado, mas, acima de tudo, ser independente, ser o motorista de sua vida. E viva o Google, mas abaixo os trend topics!

 

Felicidade Interna Bruta

Gente, peço desculpas pra quem me lê pela escassez de posts em meu blog. Poderia por a culpa no trânsito caótico de São Paulo, nos juros altos, nos políticos corruptos, no Lula, ou qualquer desculpa absurda do gênero, mas a verdade é que andei preguiçoso, ou pouco inspirado. Descobri recentemente o interessante conceito de Felicidade Interna Bruta. O termo foi criado pelo rei do Butão, em 1972, em resposta a críticas que afirmavam que a economia do país ia muito mal. Ao lançar o conceito, o rei se comprometia a construir uma economia baseada nos valores espirituais dos budistas, o que parece que ele não conseguiu até hoje… O FIB baseia-se no princípio de que o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade depende da harmonia entre o desenvolvimento espiritual e o desenvolvimento material (PIB), como conceitos complementares e que se reforçam mutuamente.
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Feliz Carnaval 2013

O Carnaval 2012 acabou em cinzas. Vai deixar saudades. Registro aqui as melhores imagens da nossa folia anual.

Congresso Brasileiro, 5a feira, 16/02/12, 15:30hs, enquanto eu e você trabalhávamos duro:

 O cofrinho da J Lo, disputado a tapa pelos famosos no camarote da Brahma.
Ainda no camarote da Brahma, a presença mais notada foi dos jogadores de futebol. Por que eu não estou surpreso?…
Enquanto isso, o Kassab abandona SP e vai curtir o Carnaval de Olinda, junto a seu novo queridinho, o Eduardo Campos, governador pelo PSB. Declara-se aflito, pois queria virar logo a casaca do PSD para a situação, mas sua jura de amor eterno para o Serra o impede de fazer essa loucura de Carnaval.
Vania Flor, a nova musa do Salgueiro. Já não se fazem musas como antigamente…. Aí que saudades da Luma!
Viviane Araújo, eleita a musa do Carnaval 2012. Suas pernas não ficam nada a dever às do Adriano. Sem falar nos airbags, prestes a explodir e dar um banho de gel nos foliões. Continuo com saudades da Luma…
Mas, quem ficou em São Paulo não se arrependeu. Confira as imagens dos blocos arrebentando em pleno domingo de Carnaval, em frente à Estação da Luz.
Mas, nem tudo foi alegria. As máscaras da Dilma encalharam.
Garoto de 14 anos atropela com jet ski, e mata, menininha de 3 anos na Bertioga – SP. Escapa do local do acidente, sem que ninguém consiga pegá-lo…

Motorista bêbado atropela 17 no RGS. Diz que foi sem querer…

 

Apuração do carnaval de São Paulo termina em barraco. Vários são presos. As escolas rebaixadas entram na justiça pra melar o resultado. Já viu esse filme?

 

O Michel Teló se esbaldou, tentando pegar tudo que é frutinha por esse Brasil afora…

 

E eu, que ainda vou emendar a semana (ningúem é de ferro), já estou cansado de tanto descansar. Ainda bem que o resto da família me apoia.

 

 

2013 tem mais. Bom restinho de ano pra todos vocês.

 

Uma luz no fim do túnel

Gente, esse é o meu primeiro post pra valer de 2012. Eu brinco com minha mulher que ela é “suíça” (pois ingenuamente acha que tudo vai acontecer conforme prometido e no devido tempo), enquanto eu sou “baiano”. Quer dizer, todos nós brasileiros temos um pouco desse saudável espírito baiano, seja na criatividade, seja na malemolência. Acho que isso explica porque todo início de janeiro me baixa uma preguicinha, que geralmente dura até o carnaval.

Bem, janeiro passou, e fevereiro trouxe de volta minha alma paulista, o que me levou a olhar à minha volta e dar as boas vindas às preocupações.

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2012 vai ser bom?

Todo o início de ano somos obrigados a engolir mil e uma previsões de pais de santo, tarólogos, astrólogos e assemelhados. Sempre a mesma xaropada: chances do Brasil em algum campeonato mundial, ou Olimpíada, artistas que vão adoecer, gente importante que vai casar, o que vai acontecer na economia, guerras, blá, blá, blá…

No fundo, o que todos querem saber é se no chamado “ano novo” (o que é isso???) nossa vida vai melhorar. Os americanos, que adoram analisar tudo, preferem fazer prognósticos do que adivinhações. Os prognósticos são sempre baseados em coisas boas e ruins que podem acontecer.

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Back to basics

Eu tenho poucos vícios, que a esta altura da vida se reduzem ainda mais. Um deles é a corrida de rua, o outro é o vinho. Posso dizer que corro para poder tomar mais vinho e tomo mais vinho porque me motiva a correr (pra queimar). Tanto faz, porque minha mulher implica com meus dois vícios…

Eu comecei a correr no Ibirapuera numa época (não me perguntem o ano) em que, quando eu passava, as pessoas olhavam para ver se a polícia vinha atrás. Eu demarquei um dos primeiros circuitos do Ibirapuera, usando o odômetro da bicicleta e uma lata de tinta amarela. Comecei correndo 2 ks, até chegar aos 42 km da maratona, da qual hoje quero distância (vou bem até os 21 km, depois prefiro o vinho).

Naqueles velhos tempos do faroeste das corridas, o tênis era um Quichute da vida, isso quando não era um Conga. Os mais abastados usavam o mesmo sapato do tênis nas corridas, nada a ver, acho que daí o termo inadequado (tênis de corrida). Os sapatos de corrida têm uma história, interessante para quem é esportista, que vale a pena conhecer.

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O bom velhinho

Se você está pensando em Papai Noel, errou. Nosso bom velhinho começa, aos 25 anos, a investir em bolsa de valores com um capital de USD 100,00. Como sócio gestor ele se associa  a um grupo grande de parceiros, que em conjunto aportam USD 105.000. É combinado com os parceiros que eles devem receber anualmente 6% sobre o valor investido, mais 75% sobre os lucro que excedessem a essa meta. Vê-se, desde o princípio, que o cara não era fraco…

Ao longo dos próximos treze anos o sócio gestor paga aos investidores uma taxa anual composta de absurdos 29,5%, atuando exclusivamente em bolsa de valores. Isso foi excepcional, particularmente porque nesse período o índice Dow Jones Industrial caiu por cinco anos. Como esse “milagre” foi conseguido? Aplicando na prática o mantra de vida do sócio gestor: “flutuações de mercado são oportunidades”.

E quem é esse gênio? Acho que todos já adivinharam: o lendário investidor octogenário, Warren Buffet.

Muitos poderão dizer que o ganho excepcional dos primeiros treze anos da Berkshire Hathaway, sua empresa holding, ocorreram em outros tempos e que hoje isso seria impossível, pelo menos após a implosão do mercado financeiro ocorrida desde 2008. Será?

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