Gênio, ou tranquilão, quem é “o cara”?

IEO que Steve Jobs, Richard Branson e Bill Gates têm em comum? Além de serem bilionários, todos foram maus alunos (Steve e Branson nem se formaram). Estamos aqui fazendo a apologia “Lulistica” da inutilidade do estudo? De jeito nenhum. Muito pelo contrário, nos dias atuais um diploma de graduação é pouco, pois a maioria chega aos head hunters já ostentando seus diplomas de MBA.

Porém, apenas estudar não garante o sucesso profissional, muito menos nossa realização como seres humanos. Bons alunos são feitos de QI elevado + esforço. Já os profissionais de sucesso, em sua imensa maioria, são os que têm QE (Quociente de Inteligência Emocional) mais elevado. Na minha turma de Engenharia os que tiveram maior sucesso profissional eram quase todos da “turma do fundão” (da classe).

O teste de QI foi inventado em 1912 por Wilhelm Stern, para medir o potencial cognitivo de estudantes, e com isso prever suas chances de progresso acadêmico, permitindo investir mais nos de maior potencial. Erroneamente, ao longo do século XX, as empresas apostaram nos indivíduos de QI mais elevado, para mapear aqueles que mereceriam as melhores chances de carreira. Essa estratégia resultou em grandes frustrações, de parte a parte. Alguns potenciais cientistas brilhantes, que poderiam estar felizes e produtivos em seus laboratórios, se transformaram em executivos medíocres, deslocados e ineficazes em suas funções.

Ninguém conseguia entender essa aparente incoerência, até que David Goleman explicou em seu livro “Inteligência Emocional” que mesmo gente brilhante (talvez até principalmente) poderia ser emocionalmente desiquilibrada. Goleman explica que o QI elevado não mede as chances de sucesso profissional e muito menos de ser feliz. E, como muito bem colocou o Roberto Shinyashiki, o sucesso é ser feliz.

Por que pessoas geniais às vezes

… aborrecem quem está ao seu redor?

… não controlam suas reações?

… são isoladas e solitárias?

… não mudam comportamentos negativos, apesar de reconhecerem os malefícios causados às suas vidas?

Porque são pessoas de QI alto e QE baixo.

A maioria dos autores define Inteligência Emocional de forma muito semelhante:
“IE é a capacidade de identificar nossos próprios sentimentos e os dos outros, visando gerir melhor nossas emoções, para tomar decisões equilibradas e confiáveis”.

Se QI é um dom nato, QE é algo que pode ser desenvolvido. Segundo Goleman, a IE se sustenta sobre 5 habilidades fundamentais:

  1. Auto-conhecimento de suas emoções;
  2. Controle de suas emoções;
  3. Reconhecimento das emoções dos outros;
  4. Auto-motivação;
  5. Relacionamento interpessoal.

E como essas 5 habilidades se relacionam com o sucesso e a felicidade? Vejamos:

  • O auto-conhecimento de suas emoções torna o indivíduo mais confiante e resiliente.
  • O controle de suas emoções propicia disciplina e capacidade de agir bem sob pressão.
  • O reconhecimento das emoções dos outros resulta em indivíduos mais humildes, tolerantes e empáticos.
  • A auto-motivação fomenta a criatividade e potencializa nossa energia.
  • O relacionamento interpessoal nos torna pessoas simpáticas e benquistas.

E aí, vamos combinar que pessoas confiantes, resilientes, disciplinadas, empáticas e simpáticas, serão quase que inevitavelmente felizes, certo? Isso posto, já que um QE alto é agente de felicidade e que o QE pode ser desenvolvido, que tal desenvolve-lo ao máximo? Hummmm…

Remédio é bom, mas em doses excessivas mata. Pessoas com QE muito baixo são desiquilibradas, antipáticas e isoladas. Porém, alguém com um QE excessivamente alto pode se tornar frio, escondendo suas emoções e com tendência à manipulação. Pessoas com QE excessivamente elevado até poderão ser bem sucedidas, mas dificilmente serão felizes.

Se é assim, como desenvolver um nível de QE equilibrado? Atenção para os 10 mandamentos  da IE (tudo facilzinho):

  1. Não se envergonhe de suas emoções.
  2. Descubra seus medos (e os enfrente).
  3. Não reaja, aja.
  4. Aprenda com seus erros.
  5. Assuma suas responsabilidades.
  6. Aguente as porradas da vida (elas criam casca na gente).
  7. Perdoe-se.
  8. Amplie sua visão, considerando sempre o contexto amplo de cada situação.
  9. Seja criativo.

10. Aceite as diferenças.

Em resumo, para desenvolver nossa IE será necessário treinar 3 atitudes de vida: flexibilidade, resiliência e superação do medo. Dos três, o mais difícil não é superar o medo (resiliência é o mais difícil), mas todos nós temos muito medo de ter medo, o que pode virar pânico. Como controlar o medo? Segundo os artistas, que tremem ao entrar no palco até o final de suas carreiras, medo não se controla, se enfrenta. Até porque mais de 90% de nossos medos e preocupações são irreais.

Se você é daqueles que gosta de uma receitinha de bolo pra tudo, aí vai uma para melhorar seu QE:

  • Relacione suas principais habilidades, no que diz respeito às emoções (lembra da lista das 5 habilidades acima?);
  • Faça uma auto-avaliação honesta de seus gap’s (você sempre os conheceu).
  • Treine diariamente os comportamentos que são gap’s.
  • Controle os resultados, fazendo um balanço diário de seu (des)controle emocional. Não se envergonhe de usar uma planilha.

E dá para desenvolver nossa IE sozinhos? Até dá, pode ser difícil. Com a ajuda de seu chefe, colega, esposa(o), amigo, será muito mais fácil. O feedback é fundamental, pois os outros nos observam muito mais honestamente que nós mesmos. Não se envergonhe, peça ajuda. E, de um jeito ou de outro, não adie, comece a mudar sua atitude já.

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