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Geeks

geek-greetings-thumb4964327Segundo a Wikipédia, a palavra geek teve seu primeiro registro em 1876, como sinônimo de fool (bobo) e posteriormente passou a designar artistas ambulantes que ganhavam a vida exibindo-se nos mafuás, ou nas ruas, em performances bizarras que incluíam arrancar a cabeça de uma galinha viva com os dentes ou comer insetos (bugs). Por analogia, passou-se a designar como computer geek aquele que ganha à vida “comendo “bugs de computador”.

Hoje a invasão tecnológica tenta transformar todos nós em geeks. Eu estou longe de ser um geek, mas tenho a tecnologia fluindo pelas veias. Sou engenheiro, meu primeiro emprego foi como analista de suporte técnico e segui por toda a vida vendendo tecnologia (da informação), sempre em empresas de ponta (lideres de mercado em suas especialidades). Quando decidi me tornar empresário, peguei um pouco mais leve, me “bandeando” para o setor de comunicação corporativa, mas ainda atendendo a empresas do setor de tecnologia. A razão deste parágrafo é estabelecer minha credibilidade, antes de tomar da marreta e começar a  destruir mitos.

O que é tecnologia? Não é o foguete que levou o homem até a Lua, nem o computador que fez os cálculos que viabilizaram esse milagre. Computadores, foguetes, software, Ferraris, Boeings, etc, não são mais que um monte de quinquilharias sem duas coisas: um propósito e seres humanos para realizá-los.

A tecnologia para fazer algum sentido deve de alguma forma contribuir para a melhoria de vida dos seres humanos. Sem um propósito, a tecnologia pura e simples pode tirar nosso foco da única coisa que realmente importa, do berço ao tumulo: viver e interagir com outras pessoas.

A primeira mostra de tecnologia que um ser humano provou foi o fogo. Mas, mesmo essa maravilha, que nos serve até hoje, só se tornou útil quando o homem descobriu que com o fogo poderia iluminar a escuridão, cozer alimentos, se aquecer e fundir metais. Até aí, o fogo provavelmente teve apenas efeito hipnótico (é o que eu sinto ainda hoje olhando uma fogueira), desviando a atenção do Adão para com sua Eva.

Esse encantamento é típico de qualquer nova tecnologia. Não são todos, mas alguns ficam tão embasbacados com novas tecnologias, que se esquecem do seu principal propósito: nos servir, e não o contrário. Vamos a alguns exemplos perversos:

  • Durante apresentação de um colega, numa reunião de empresa, nós ficamos checando e-mail no celular 3G.
  • Levamos o celular para a praia, ou para o parque, mesmo que não sejamos um médico com paciente prestes a dar a luz.
  • Ficamos checando o Twitter, enquanto a esposa põe a mesa do jantar e tenta estabelecer um diálogo.
  • Deixamos a família assistindo ao DVD, ou ao futebol, sozinha, enquanto navegamos na web com o laptop no colo.
  • Gastamos mais tempo na Internet do que com a namorada, ou esposa (ao vivo, claro).
  • Preferimos Twitar sobre vinhos do que tomá-los.
  • Gostamos mais do simulador de vôo no PC do que de uma viagem real.
  • Preferimos ver fotos no Flickr, do que ver o por do sol na praia.
  • Preferimos os joguinhos eletrônicos do que ir ao cinema com a namorada Meu filho tem uma guitarra-game, na qual é expert, enquanto se nega a aprender tocar guitarra de verdade?!
  • Preferimos o game FIFA 2008, do que assistir a Corinthians X Palmeiras no Pacaembu.
  • Gastamos mais tempo extraindo e tabulando informações de nosso relógio Garmin GPS Trainer, do que correndo, ou pedalando.
  • Etc…

E onde acaba tudo isso? Em lugar nenhum, já que as tecnologias passam e o mundo real lá fora continua igual. Apenas não participamos dele, ou participamos pouco, até que um dia você se olha no espelho e, surprise, está velho e não aproveitou a vida como poderia. Tenho um amigo que quer ser enterrado com seus gadgets. É uma escolha….

Ordenando o caos

Eu estou lendo um livro genial, indicado por um não menos genial amigo que, supreendentemente, só começou a ler livros depois dos quarenta. O nome do livro é “A Era das Máquinas Espirituais”, de Ray Kurzweil (www.kurzweilai.net). Eu ainda não cheguei na metade do livro, mas um turbilhão já se formou na minha cabeça e a única forma de alívio é escrever o que penso a respeito, mesmo que eventualmente eu seja o único leitor. A seguir eu misturo conceitos propostos pelo livro, com outros que foram despertados em minha mente.

O autor sugere que o desenvolvimento humano se dá pela contraposição de dois conceitos: caos e ordem. Ele propõe mesmo uma “Lei do Tempo e do Caos” que poderia ser formulada da seguinte maneira: “Em um processo evolutivo, o intervalo de tempo entre eventos relevantes (aqueles que alteram a própria natureza do processo e afetam seu futuro) é inversamente proporcional à quantidade de caos”.

O universo (a natureza, os seres vivos) representa o caos. À medida em que o universo se expande e o caos aumenta, os eventos significativos se tornam mais distantes e o tempo desacelera exponencialmente (isto é comprovado pelo estudo da evolução do universo, desde o Big Bang).

Por outro lado, a evolução tecnológica representa a ordem. À medida em que a ordem aumenta, o tempo se acelera também exponencialmente. Um bom exemplo do aumento da velocidade relacionada à evolução tecnológica é a Lei de Moore, formulada em 1965 por Gordon Moore, o inventor do circuito integrado e ex-presidente da Intel. A Lei de Moore previa que a área ocupada por um transitor sobre a superfície de um circuito integrado seria reduzida em 30% a cada 24 meses. Desde então, esse ritmo tem se confirmado ano após ano.

A lei da aceleração da evolução tecnológica vale infinitamente? Claro que não. As curvas evolutivas de qualquer tecnologia tem a forma de um “S”. Quando o “S” tende a achatar a evolução pelo envelhecimento de uma tecnologia, o caos entra em ação, provocando a inovação que gera um novo ciclo de evolução tecnológica, e assim sucessivamente. Isso significa que caos e ordem são opostos que se complementam, ou as duas faces de uma mesma moeda. Como o caos evolui cada vez mais lentamente e a ordem cada vez mais rapidamente, isso sugere que o tempo não faz muito sentido. E, se o tempo não faz sentido, muito menos o espaço. Imagine que você está a 10 m de um objeto. Reduza essa distância pela metade. Depois reduza a distância novamente pela metade e continue dividindo a distância pela metade, sucessivamente. Quando você atingirá o objeto? A resposta é nunca (ao menos conceitualmente). Agora, afaste-se do objeto, dobrando a distância a cada afastamento. Quando você perderá o contato com o objeto? A resposta também é nunca. Ou seja, proximidade e distância absolutas são abstrações.

É como se zero fosse igual a infinito! Ou seja, início e fim são a mesma coisa. Não existe fim no processo evolutivo. Lembre-se que o final de uma curva “S” é uma nova curva “S”. A vida se nos apresenta sempre em ciclos, sem início, nem fim (dia e noite, as estações do ano, as marés, as fases da Lua,… caos e ordem).

Ou seja, caos e ordem são no fundo a mesma coisa e um depende do outro para existir. Observem que todos os ciclos de ordenamento e progressos rápidos na história da humanidade se seguiram a períodos de caos (guerras, cataclismas, pestes, destruição, caos social,…).

Os países emergentes, que hoje crescem rapidamente, estão saindo de situações de caos (Brasil, Russia, India e China). Se essa observação é válida (valha-me Deus), isso é um bom prognóstico para Cuba, Haiti, Iraque, Venezuela e a Africa como um todo (?!). Alternativamente, isso também significa bad news para USA, Europa, Japão e países desenvolvidos em geral (onde o ordenamento é cada vez maior, deixando pouco espaço para o caos e a consequente inovação).

Onde chegaremos com tudo isso? A lugar nenhum. Não ouso sugerir que Deus represente o caos e o homem a ordem e que ambos sejam a mesma coisa, mas que essa idéia coça, lá isso coça…

Uma coisa é certa. Depois de ler esse livro vou observar o caos gerado pelo governo Lula com um pouco mais de respeito e interesse.