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Brasil X Barça

Quem gosta de futebol, como eu, acordou cedo ontem (18/12/11, um dia histórico) para assistir Barça X Santos. Para nossa frustração não houve Santos, apenas Barça. O Muricy Ramalho resolveu não agredir o Barça (covardemente na minha opinião) e espera-lo na defesa. O resultado foi um aula de futebol, com 72% de posse de bola para os catalães, conforme já apontaram todos os comentaristas de futebol. Segundo o santista Milton Neves, “o Santos virou motivo e piada”!

Mas, apesar do espetáculo de um time só, quem gosta de esporte se deliciou, não apenas pelo show, mas pela possibilidade de reflexão acerca do futuro (?) do futebol brasileiro. Eu li tudo que saiu na mídia a respeito. De todas, a melhor das análises foi feita por um amador, o Eduardo Rocha, em seu blog “Nó Táctico”.

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Quem mexeu na minha muçarela?

Para vocês que como eu estranharam a grafia de muçarela, saibam que, segundo as últimas edições do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a grafia correta é muçarela, ou mozarela.

Hoje de manhã uma das primeiras notícias que li no jornal foi: “Governo italiano tomará a partir desta sexta-feira (28) medidas exigidas pela União Européia para retirar do mercado a muçarela suspeita de contaminação por dioxina. A contaminação ocorre devido a substâncias tóxicas acumuladas no terreno onde o gado pasta, ano após ano, devido a um péssimo gerenciamento do manuseio do lixo na região”.

Eu adoro mussarela (o Houaiss que me perdoe, mas eu não consigo aceitar a grafia muçarela), daquela molinha, que vem num vidro cheio de soro. A gente abre, corta no meio e coloca azeite extra virgem com mangericão no miolinho macio e depois devora, junto com um vinhozinho tinto leve. Acho que já estou com fome…

Pois não é que até nossa sagrada mussarela está sendo colocada em risco pela iniquidade dos poluidores do ambiente!? Por trás dessa notícia aparentemente insignificante, esconde-se um dos maiores dramas do tempo em que vivemos: nossa absoluta incapacidade, como sociedade, de controlar cada um de seus elementos. No seu egoísmo e incoerência, os mesmos cidadãos que irão reclamar da mussarela contaminada, são os mesmos que poluem o meio ambiente à sua volta, sem a menor consciência do risco que provocam.

Aqui em São Paulo, por exemplo, o programa de despoluição do Tietê, que já consumiu coisa de mais de R$ 1 bilhão, é parcialmente fracassado porque a população continua fazendo ligações clandestinas de esgoto e atirando lixo no rio (de garrafas PET a camas, pneus), como se corrente abaixo o problema não fosse mais seu. Quando depois a água invade o barraco, o mesmo cidadão vai reclamar num programa de TV!?

Os governos investem pesados em campanhas de conscientização, sem grandes resultados práticos. O que fazer a respeito? Lamentavelmente acho que muito pouco dá para se fazer. Quando a gente lembra que até hoje os USA não assinaram o protocólo de Kioto, dá para perceber que na verdade não existe nenhuma diferença na atitude do Bush, ou do maloqueiro em São Paulo, quando se trata de “defender o meu e o resto que se lixe”.

Não é simplesmente um problema cultural, pois em diferentes medidas atitudes insanas de agressão à natureza ocorrem na Amazonia (com as bençãos do Lula), no rio Tietê, na Itália, ou nos USA. Trata-se do maldito egoísmo humano, que enxerga apenas o impacto imediato de suas ações. O que cura isso é a natureza, que tende sempre a reequlibrar o universo se preciso através do caos.

Portanto, nos resta educar nossos filhos a fazer o que é certo, enquanto nos conformamos com a chuva de m…. que continuará caindo sobre nossas cabeças. Como diz o Macaco Simão, “nós sofri, mais nóis diverti”!!!

Saiba mais sobre o caso da muçarela, ou da mussarela:

» Itália afirma que muçarela contaminada não foi exportada para a UE

Par, ou Ímpar???

Quando eu era menino e a gente disputava qualquer coisa (a menina mais bonita, distribuir os cabeças de bagre entre dois times de futebol, quem joga no gol, que filme assistir no sábado, o que fazer no feriado, etc), se houvesse impasse a solução era sempre: “vamos tirar no par ou ímpar”.

Naqueles longínquos anos, eu não me dava conta, mas já estava vivenciando aquilo que reputo como o maior defeito de TODOS nós brasileiros: a preguiça mental. A preguiça mental tem outras denominações: levar com a barriga, não fazer nada para ver como é que fica, quebrar o galho, jeitinho brasileiro, improvisação e por aí vai.

No fundo, sempre que temos que tomar uma decisão de mudança que seja difícil, antipática, trabalhosa, ou arriscada, a atitude padrão de 9 entre cada 10 brasileiros é tergiversar.

Nas últimas semanas temos vários exemplos disso, vindos da da esquerda, da direita, do PT, da oposição, de empresas, governos e cidadãos. Vamos examinar três exemplos recentes:

  • O PSDB está rachando em São Paulo, por adiamentos sucessivos na escolha do candidato a prefeito. O presidente do partido participou de uma reunião com o Serra defendendo a opção Kassab, para na porta do palácio dar entrevista dizendo que a opção Alckimin já estava tomada (deixou o governador puto da vida…).
  • O trânsito de São Paulo está caótico, enquanto as autoridades discutem se a saída é mais metrô (de onde virá o dinheiro?), mais anel rodoviário, pedágio no centro, estender o rodízio, ou nehuma das anteriores. Enquanto isso, bilhões de reais são perdidos no custo do tráfego parado.
  • O leilão da CESP…. dá para acreditar? O governador foi até o fim, gastou uma nota, sem saber que as concessões não podem ser estendidas para depois de 2015 sem aprovação do congresso. Por sua vez, o ministro de Minas e Energias só lembrou disso em função do “embroglio” da CESP!!! Como se essas concessões não fossem um dos marcos regulatórios mais importantes para fomentar investimentos no setor de energia. E como se o setor de energia não fosse um dos gargalos de nossa infra-estrutura, que impede o Brasil de crescer a mais de 4,5% ao ano.

Se a gente quizesse poderia passar o dia pensando em exemplos desse tipo de atitude que conduz sempre e sempre ao destino de “gigante adormecido em berço esplêndido”. Foi por indecisão do Parreira que o Brasil perdeu a Copa de 2006, é por indecisão dos Estados que a reforma tributária não emplacou até hoje, é por indecisão de todos que a dengue voltou a bombar no RJ, etc, etc, etc.

Vale perguntar: será que tem jeito? Será genético? Será que essa maravilhosa mistura de raças que resultou no brasileiro alegre, de bem com a vida e boa praça, resultou também num povo sem garra, sem coragem de encarar seu destino? Eu não sou tão crítico. Acho que nos falta mais prática. Um povo que viveu, e vive, à sombra de “paizões” que tomam todas as decisões por nós (Dom Pedro II, Getúlio, Jânio, JK, os governos militares, Collor, FHC, Lula,…), não tem iniciativa para enfrentar de pequenos a grandes problemas por sua conta e risco.

Nossa democracia é infleizmente verde, quando comparada à Europa e EUA. No mundo desenvolvido todos têm consciência de suas responsabilidades individuais e coletivas e sabem que se falharem não haverá desculpas. Nos EUA existe uma cultura exacerbada de desvalorizar o chamado loser (perdedor) e todos aceitam que the winner takes all (o vencedor leva tudo). Trata-se de uma cultura competitiva. Enquanto isso, por aqui, nós falamos em “lucro exorbitante”, que é uma figura de retórica incompatível com o capitalismo. Numa economia aberta quem limita os lucros é o mercado e aqueles que conseguem mais lucros deveriam são reconhecidos como vencedores.

Mas aí vem a chorumela da turminha da esquerda, perguntando pelos desvalidos, pelos sem teto, sem emprego, sem saúde, sem escola, sem, sem, sem…??? Os mais ricos já dão sua contribuição pagando mais impostos, na medida em que ganham mais. Eles já retornam à sociedade sua contribuição. Cabe ao governo usar bem esse dinheiro, o que raramente acontece.

E como é que a gente sai dessa “camisa de força”??? Eu acho que existem dois caminhos que devem ser trilhados paralelamente, de forma consistente, constante e duradoura: educação em massa e organização da sociedade civil (para cobrar daqueles que temporariamente são escolhidos para representá-la).

Como iniciar este fogo revitalizador da sociedade brasileira? Cabe à imprensa ecoar de forma menos oportunistica e mais cidadã tudo que ocorre (e o que não ocorre) no país. Cabe ao cidadão demandar por educação, fazendo refletir isso em seu voto. Cabe também ao cidadão participar coletivamente (sociedades de bairros, condomínio, associação de pais e mestres, clubes, associações de classe, sindicatos, etc) para fecundar o ovo da sociedade civil organizada. E cabe às empresas se organizar também, através de sociedades de classe (FIESP, Confederação das Indústrias, Sindicatos Patronais, etc), para pressionar pelas prioridades. Na verdade, talvez o único elo que esteja fazendo seu papel são as empresas…

E quanto aos políticos? Ficam fora de tudo isso? Ora, os políticos somos nós (ou será que tem japonês, americano, ou europeu no congresso brasileiro).