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Déjà vu

Gente, esse é meu primeiro post depois de um sabático de 3 meses. Sabático é um jeito elegante de disfarçar minha preguiça, ou pura e simplesmente falta de inspiração. Meu blog tem sido eclético, desde o início, falando um pouquinho de tudo, mas percebi que ultimamente eu vinha me comportando de forma azeda, compatível com meu desapontamento com nossa atitude histórica de “deitados em berço esplêndido”. Por isso eu parei de escrever, para não transferir minha “sacocheíce” para vocês.

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Um monte de cocô e um cotonete… [3/3]

No meu post 2/3 elenquei três grandes prioridades para atacar, pois tentar resolver tudo de uma vez é impossível. Bacana. Mesmo que todos concordem com as prioridades que sugeri, o que fazer para expressar nossa vontade como cidadãos e pressionar políticos e autoridades para se moverem na direção desejada?

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Um monte de cocô e um cotonete… [2/3]

No meu post anterior eu expliquei o dilema do cotonete. Sabemos que não existem soluções fáceis para problemas complexos e, em se tratando de Brasil, põe complexo nisso. Uma das manchetes do Estadão de hoje fala da “desindustrialização” do país, em função do custo Brasil. É algo dramático descobrir que é mais caro produzir carros no Brasil do que na Alemanha, um dos países com custos de mão de obra mais altos do mundo.

Eu acho, melhor, eu tenho certeza que as mazelas do pais têm solução. A questão toda é o timing. Se desejamos que nossos filhos, ou nossos netos, assistam a um país realmente moderno e respeitado pelo resto do mundo, algo precisa ser feito já. Estado e cidadãos precisam assumir suas (difíceis) responsabilidades. Hoje falarei das responsabilidades do Estado brasileiro.
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Um monte de cocô e um cotonete… [1/3]

Uma montanha de cocô e somente de um cotonete?! O que fazer a respeito? Essa será mais ou menos a situação a ser herdada pelo próximo presidente da república.  Os $ 151,9 bilhões orçados para o investimento público em 2010 equivalem apenas a 4,6% do PIB projetado de R$ 3,32 trilhões. Vale lembrar que uma bela parte disso irá para o Bolsa Família, que em 2009 girou aí pelos R$ 30 bilhões. E isso num ano eleitoral. Imaginem a situação em 2011, onde, além do orçamento naturalmente apertado, haverá uma bruta conta para pagar e uma situação fiscal para lá de desajustada!

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Feliz Ano Novo (?)

A gente vai para a praia nas noites de reveillon, cheio de esperanças, carregando listinhas de pedidos, fitinhas para Iemenjá, pulamos as tais 7 ondas, e quantas mais crendices cada um possa ter, tudo regado com muita, muita birita. Aí acordamos no dia 1o. com uma bruta dor de cabeça, que aumenta ainda mais quando abrimos o jornal.

Lendo as notícias a gente se pergunta onde foi que se escondeu a nossa esperança de ano novo? Estou exagerando? Nem tanto. Vamos recordar juntos algumas manchetes das últimas duas semanas:

  • Enchentes no RS, SP e RJ. Monte de gente morrendo, perdendo suas casas, suas lavouras, enfim todas as esperanças do ano novo.
  • Gov. Cabral diz que vai retirar na marra as ocupações de risco e no dia seguinte o jornal publica que ele autorizou a ocupação sem licença ambiental da pousada destrída na Ilha Grande.
  • Aeronáutica publica um relatório de 30.000 (?) páginas sobre a avaliação dos jatos de combate que serão comprados pelo Brasil. O modelo escolhido pelos especialistas, com preço 50% menor que os demais, será colocado de lado pelo Presidente, que vai comprar pelo dobro do preço, a pior das três ofertas, em nome de uma suposta aliança estratégica com a França. Leva jeito de uma parceria CUPIN… Pra quem não conhece a expressão, sorry, eu não vou explicar.
  • O Corinthians já decidiu que vai jogar com o Real Madrid, como celebração da conquista da Libertadores (?).
  • O Brasil tem, depois de muitos anos, um deficit em sua balança comercial, mas apesar disso a Bovespa bate recordes sobre recordes.
  • O Kassab aumenta o IPTU em 45%, aumenta passagens de ônibus acima da inflação, aumenta a taxa de controle de poluição, enquanto a cidade se para com congestionamentos e mega enchentes, que escondem as crateras que proliferam pelas ruas da cidade.
  • O Arruda se demite da maçonaria pela segunda vez (a primeira foi quando do escandalo da manipulação do painel do Senado).
  • O Lula na praia carrega na cabeça o isopor, cheio de latinhas de cervejas vazias, enquanto o Brasil se afoga.

Tá bom ou quer mais. Aí a gente pensa: que raio de ano novo é esse? Tá tudo requentado. Isso tudo eu já li. Aconteceu igualzinho na primeira semana de 2009, de 2008, de 2007, etc! Então, o que seria um ano realemente novo para os brasileiros? O gigante em berço esplêndido somos todos nós. Quem dorme há séculos, indiferente às mil e uma cagadas, decisões procrastinadas, mentiras estapafurdias em que fingimos acreditar, corrupções escandalosas que olimpicamente aceitamos, somos todos nós cidadãos (?) brasileiros.

O ano será realmente novo quando decidirmos botar pra quebrar, partir pra briga, virar a mesa e deixarmos de fazer o papel passivo de bonecos de vetríloquo. Claro que o grande ventríloquo nacional é o nosso queridíssimo, respeitadíssimo e amantíssimo presidente Lula. E viva o Brasil, velho de guerra!

O governador Arruda não exxtava dentro!

Não se assustem. O verbo ESTAR não mudou com a nova ortografia. O “não exxtava” é uma tentativa canhestra de sonorizar o inimitável sotaque carioca. A historinha abaixo era contada por um amigo carioca (Decião, que Deus o tenha, onde quer que você esteja) em festinhas de aniversário e casamento, quando a mulher estava longe e ele já havia entornado vários whiskies. Ele jurava que a história era verídica, mas isso eu não garanto.

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Os Seis Patetas

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Saudades das comédias pastelão. Para quem como eu gosta desse tiop de humor, nunca mais haverá ninguém como os Três Patetas, que na verdade eram seis. Eles estiveram em atividade entre 1930 e 1970, com cinco formações diferentes. A formação mais conhecida e idolatrada pelos fãs eram Moe (o “mais inteligente”, tipo esperto e chefe dos outros dois), Larry (o careca cabeludo, tipo maestro, e também o mais trapalhão) e Curly (o de cabeça raspada, gravatinha borboleta e o mais burro dos três). Não menos importantes e criativos, havia também Shemp, Joe e Curly Joe (que muitos confundem com Curly, porque também raspava a cabeça e usava gravatinha, não borboleta, mas de texano), os outros Patetas.

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Tô de saco cheio!

carga_tributariaTodo processo de mudança requer um estopim, um fato disparador, a partir do qual o que era um foguinho vira um incêndio e depois disso ninguém segura. O Brasil de 2009 é referência para o mundo, em se tratando de democracia e economia, mas tem mazelas que colocam nosso futuro “em berço esplêndido”, a menos que um processo de mudança seja disparado já.

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Yoani

yoani_graffitiEu fiquei sabendo da existência da Yoani Sánchez nesta semana. Talvez eu esteja descobrindo a América com 500 anos de atraso, já que esta blogueira tornou-se uma pop star já há algum tempo. Para quem como eu nunca ouviu falar da Yoani, seu blog Generacion Y registra 4 milhões de visitas diárias! Ela foi eleita pela revista Time como a 31a. pessoa mais influente do mundo em 2008 e ganhou o prêmio do júri do 5o. “The Bobs” (concurso mundial de blogs organizado pelo grupo alemão de mídia Deutsche Welle), como melhor blog do ano.

Até aí tudo bem. A Yoani seria apenas uma ótima blogueira, se ela não fosse cubana, morando em Havana. Apesar do governo cubano ter liberado a venda de computadores, o acesso à internet continua restrito às empresas estatais, aos hotéis de luxo e a alguns poucos cybercafés em Cuba. Para postar em seu blog (o que ela faz com relativa freqüência), Yoani depende de uma rede social de amigos, espalhada pelo mundo. Seu blog é postado a partir da Alemanha, mas antes disso ela arrisca o pescoço em pequenas aventuras cibernéticas. Ela se disfarça de turista, veste uma roupa florida bem americana, escolhe um hotel ao acaso e cumprimenta o porteiro em alemão. Uma vez no saguão do hotel, ela se dirige para a sala de computadores, onde descarrega um texto escrito em casa e trazido no seu pen drive (o que é vital para gastar pouquíssimo tempo de conexão).

O Generacion Y é critico e discorre sobre as agruras da rotina de um cubano, falando escancaradamente da ditadura. O governo Raul Castro, que não quer ser assumido como uma ditadura, sabe da existência do blog, mas não sabe o que fazer a respeito. Yoani simplesmente tornou-se famosa demais para ser presa. Para mim Yoani tornou-se um símbolo da liberdade proporcionada pelas redes sociais. Esse é um lado azul da Internet, que poucos enxergam. As redes sociais fazem hoje o papel dos antigos rádio amadores, que ajudavam pessoas a milhares de quilômetros por puro senso de solidariedade. A solidariedade web é ainda mais interessante, pois não se trata de uma ato, mas de um processo solidário, através do qual blogueiros e twiteiros anônimos que mantêm Yoani viva.

Se vocês querem fazer parte dessa rede social de solidariedade acessem o blog da Yoani e auxiliem a espalhar seu grito de liberdade pelo mundo. Vou encerrar meu post com um trechinho tirado de uma blogada do Generacion Y:

“Debaixo da pia descansa o balde plástico com que se banha toda a família. Faz mais de vinte anos o encanamento desmoronou e para usar o vaso sanitário tem-se que trazer a água de um tanque no pátio. Quando chega o inverno, preparam um banho morno graças ao aquecedor elétrico feito com duas latas de leite condensado. Nenhum dos meninos da casa conhece a sensação do chuveiro caindo sobre seus ombros, pois a água só entra uma vez por semana. Ninguém pode então desperdiçá-la numa ducha.“

Brasil Ponto a Ponto

Quem me conhece sabe que sou um idealista incorrigível. Eu e a “velhinha de Taubaté” (lembram dela, L. F. Veríssimo?) ainda acreditamos no Brasil. Mas eu também sou consciente da dificuldade de mudar o Brasil, sem que cada um de nós assuma suas responsabilidades sociais, o que infelizmente 99,99% da população não faz. Jogamos lixo no rio e depois culpamos a prefeitura (que não é a única culpada); subornamos o guarda, fraudamos o IR e depois apontamos o dedo para os políticos corruptos; reclamamos do governo que nós mesmos escolhemos; andamos pelo acostamento das estradas; somos culpados pela degradação ambiental; participamos da violência da sociedade; etc, etc, etc.

Eu já participei de um sem número de movimentos por mudanças e por mais consciência social no Brasil. Nenhum deles deu em nada. A campanha Brasil Ponto a Ponto me pareceu algo diferente. Ela tem por objetivo estimular o debate em todo o país sobre o que precisa ser mudado no Brasil para melhorar a vida das pessoas. A partir desse debate, será definido o tema do próximo Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Trata-se de uma campanha moderna, com um jeitinho de Social Media (cada cidadão pode dar depoimentos em textos de 500 caractéres, ou em vídeo). Além de já ter dado minha opinião, estou tentando fazer algo em rede, via Twitter e blog. Quem acessar esta blogada, por favor espalhe

Os votos valem até dia 15/4/09 (amanhã) por isso corra e convide mais gente a opinar.