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Déjà vu

Gente, esse é meu primeiro post depois de um sabático de 3 meses. Sabático é um jeito elegante de disfarçar minha preguiça, ou pura e simplesmente falta de inspiração. Meu blog tem sido eclético, desde o início, falando um pouquinho de tudo, mas percebi que ultimamente eu vinha me comportando de forma azeda, compatível com meu desapontamento com nossa atitude histórica de “deitados em berço esplêndido”. Por isso eu parei de escrever, para não transferir minha “sacocheíce” para vocês.

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Sinal dos tempos

Hoje li uma notícia no Estadão, típica de página policial, mas que foi publicada no caderno de esportes: ”Febre das figurinhas seduz até ladrões”. A matéria conta o roubo de uma distribuidora no ABC, de onde os ladrões surrupiaram 675 mil cromos para, segundo o reporter, vender com ágio (de até 4 vezes) aos colecionadores. A mesma matéria recomenda aos jornaleiros levar os estoques de cromos para casa à noite (?!). Talvez eu seja meio exagerado, mas tudo isso me parece mais grave do que o caso do vulcãozinho que parou a Europa! By the way, existe coisa mais subdesenvolvida do que discutir a pronúncia do nome da porra do vulcão em pleno Jornal Nacional?

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Atenção mulheres para o código de conduta durante a Copa 2010!

Gente, esse texto não é meu. Trata-se de um texto apócrifo, circulando pela web. Dado à enorme significância e prioridade do assunto, divulgo no meu blog para fazer andar a corrente.

Queridas esposas, noivas, namoradas. E também parceiras, amantes, concubinas, filhas, sobrinhas, primas, tias, madrinhas, amigas, colegas, avós e qualquer outra entidade que use saias e que não seja um escocês. Divulgamos, com 6 meses de antecedência, as 13 (em homenagem ao Zagallo) regras para a Copa de 2010, para que vocês leiam com calma, entendam e não encham nossos sacos.

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Boleiros

dungaO termo boleiro é uma expressão brasileira, quase impossível de transcrever em outra língua. O boleiro não é (necessariamente) um técnico de futebol, não é um comentarista, não é um torcedor fanático e não é um dirigente. Então, que diabos significa o termo boleiro? Significa alguém que curte futebol e fala “sua língua”, um cara que é do ramo, que entende a mente dos jogadores de futebol. O Lula, por exemplo, é um boleiro. Os boleiros adoram fazer analogias sobre futebol! Se você ainda não entendeu bem o que é um boleiro, leia o blog Planeta Boleiros.

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Sobre macacas, porcos, aranhas e outros bichos

“A macaca enfrenta os porcos no Moisés Lucarelli e sai de lá com vantagem para matar o campeonato no Palestra”.

“Sufocada em seu campo, pela tática do Luxa, a macaca não consegue subir além do meio campo”.

“O ala do verdão coloca a bola no segundo pau, encobrindo o Aranha”.

Para quem gosta de futebol, como eu, entendeu tudo. Para quem não gosta, provavelmente acha que eu estou delirando. As frases acima estão em linguagem de “boleiros”, aqueles que de algum jeito estão envolvidos com o mundo da bola (torcedores fanáticos, juizes, jogadores e comentaristas profissionais e amadores). Não existe preconceito entre os “boleiros”. Amadores e profissionais coexistem no maior respeito. É comum ultimamente que atores, cantores, escritores e artistas de várias categorias “incorporem” cronistas esportivos, escrevendo crônicas, comentando jogos na TV e participando de mesas redondas aos domingos à noite.

As mesas redondas são um fenômeno sociológico muito saboroso. Sempre que posso, quando minha mulher cochila e eu tomo posse do controle remoto nos domingos à noite, viajo de uma mesa redonda para outra, ouvindo as mesmas coisas, as interpretações mais “estrambólicas” imagináveis sobre os jogos do dia, não pelo conteúdo, mas apenas para saborear o linguajar dos boleiros.

Ouvir uma discussão acalorada sobre um lance do jogo do dia, entre um ex-jogador, um jogador que aparticipou da partida, um juiz e um comentarista polêmico (tipo Silvio Luiz, ou Cajuru… de novo isso é linguagem de boleiro) é um prato saboroso, a ser degustado por “gourmets do futebol”.

De repente, para explicar um lance confuso e polêmico, aquele ex-juiz famoso (permitam-me não pagar o jabá) se sai com: “a regra é clara”. Isso encerra uma discussão envolvendo toda a mesa, como se “Jeová tivesse se pronunciado definitivamente sobre quem abriu o mar Vermelho”!!!

Outras vezes, quando a câmera pega um lance errado de impedimento não dado pelo juiz, coisa de 10 cm do atacante á frente do zagueiro, começa uma discussão interminável sobre se a bandeirinha gostosa estava distraída e deixou o juiz vendido no lance.

Tudo isso me delicia. É como se eu estivesse assistindo a um espetáculo popular de cordel, ou degustando uma buchada de bode numa feira do nordeste. São sabores sutis, que só podem ser apreciados por quem é fascinado pela sofisticação da simplicidade. Quem nunca experimentou, perca o preconceito e experimente. É viciante, como um bom sandwiche de mortadela com pingado, com o umbigo grudado no balcão da padaria, ao lado de um bêbado degustando um rabo de galo às 8 hs da manhã.

A propósito, para quem não é boleiro:

  • A “macaca” é a designação da torcida para o time da Ponte Preta de Campinas.
  • “Porco” (ou Verdão) é o time do Palmeiras.
  • “Aranha” é o goleiro da Ponte Preta.
  • “Ala” é o jogador que joga nas laterais do campo.
  • “Segundo pau” é a baliza do gol do lado oposto de onde a bola foi cruzada.
  • Palestra é o estádio do Palmeiras e Moises Lucarelli o da Ponte.
  • Luxa é o Wanderley Luxemburgo, técnico do Palmeiras.

Quer aprender mais? Não perca a mesa redonda do domingo, no horário do Fantástico. Eu garanto que é bem melhor do que a turma do Pânico.