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Cidadania & Sustentabilidade

Eis uma foto do Brasil do século XXI: jovem, pujante economicamente, líder dentre os países emergentes, idealista e até um pouco ingênuo (vide as trapalhadas do Lula com o Ahmadinejad, Zelaya e Chávez). Trata-se de uma visão positiva, que abre as portas da comunidade mundial e que coloca o país nas manchetes (capa da The Economist de duas semanas atrás).

Porém, por trás dessa visão otimista encontramos um gigante ainda dormindo em berço esplêndido e quem acha que já superamos a fase do “vôo da galinha” pode ter uma triste decepção logo ali adiante. Hoje convivem por aqui duas gerações: a geração do pós guerra, que construiu o Brasil atual e a geração “Y”, da garotada saindo das universidades, cheia de idealismo, de expectativas e demandas. Ambas as gerações amam o Brasil, mas têm suas restrições, embora por diferentes razões.

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Quem mexeu na minha muçarela?

Para vocês que como eu estranharam a grafia de muçarela, saibam que, segundo as últimas edições do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a grafia correta é muçarela, ou mozarela.

Hoje de manhã uma das primeiras notícias que li no jornal foi: “Governo italiano tomará a partir desta sexta-feira (28) medidas exigidas pela União Européia para retirar do mercado a muçarela suspeita de contaminação por dioxina. A contaminação ocorre devido a substâncias tóxicas acumuladas no terreno onde o gado pasta, ano após ano, devido a um péssimo gerenciamento do manuseio do lixo na região”.

Eu adoro mussarela (o Houaiss que me perdoe, mas eu não consigo aceitar a grafia muçarela), daquela molinha, que vem num vidro cheio de soro. A gente abre, corta no meio e coloca azeite extra virgem com mangericão no miolinho macio e depois devora, junto com um vinhozinho tinto leve. Acho que já estou com fome…

Pois não é que até nossa sagrada mussarela está sendo colocada em risco pela iniquidade dos poluidores do ambiente!? Por trás dessa notícia aparentemente insignificante, esconde-se um dos maiores dramas do tempo em que vivemos: nossa absoluta incapacidade, como sociedade, de controlar cada um de seus elementos. No seu egoísmo e incoerência, os mesmos cidadãos que irão reclamar da mussarela contaminada, são os mesmos que poluem o meio ambiente à sua volta, sem a menor consciência do risco que provocam.

Aqui em São Paulo, por exemplo, o programa de despoluição do Tietê, que já consumiu coisa de mais de R$ 1 bilhão, é parcialmente fracassado porque a população continua fazendo ligações clandestinas de esgoto e atirando lixo no rio (de garrafas PET a camas, pneus), como se corrente abaixo o problema não fosse mais seu. Quando depois a água invade o barraco, o mesmo cidadão vai reclamar num programa de TV!?

Os governos investem pesados em campanhas de conscientização, sem grandes resultados práticos. O que fazer a respeito? Lamentavelmente acho que muito pouco dá para se fazer. Quando a gente lembra que até hoje os USA não assinaram o protocólo de Kioto, dá para perceber que na verdade não existe nenhuma diferença na atitude do Bush, ou do maloqueiro em São Paulo, quando se trata de “defender o meu e o resto que se lixe”.

Não é simplesmente um problema cultural, pois em diferentes medidas atitudes insanas de agressão à natureza ocorrem na Amazonia (com as bençãos do Lula), no rio Tietê, na Itália, ou nos USA. Trata-se do maldito egoísmo humano, que enxerga apenas o impacto imediato de suas ações. O que cura isso é a natureza, que tende sempre a reequlibrar o universo se preciso através do caos.

Portanto, nos resta educar nossos filhos a fazer o que é certo, enquanto nos conformamos com a chuva de m…. que continuará caindo sobre nossas cabeças. Como diz o Macaco Simão, “nós sofri, mais nóis diverti”!!!

Saiba mais sobre o caso da muçarela, ou da mussarela:

» Itália afirma que muçarela contaminada não foi exportada para a UE