Arquivo da categoria: Quotidiano

Parece genérico? E é. Quotidiano é tudo que nos sensibiliza através da “janela da alma”(os olhos). O quotidiano pode chegar até nós pela mídia, pela janela do automóvel, ou simplesmente pela observação do mundo à nossa volta. Compartilhar nossa percepção sobre o quotidiano é uma forma de interagir com o mundo.

Manual do Blogueiro

Meu primeiro post neste blog foi publicado em março de 2008, com o título “O primeiro post a gente nunca esquece”. Desde lá publiquei alguma coisa boa e outras nem tanto. Eu gosto de escrever. Já publiquei um livro (“Ser Humano.com.br”) e muitos artigos em jornal (como autor e como ghost writer). Essa experiência me induziu a achar eu poderia facilmente escrever num blog. Ledo engano!

Quatro anos passados, muitas frustrações depois e algum aprendizado, eu posso afirmar que: ser um (bom) blogueiro não é fácil. A linguagem é diferente, o Google nos expõe “até as amígdalas” e o público está com a arma sempre próxima de nossa cabeça.

Muitas vezes pensei em escrever algo orientando os novos blogueiros. Nunca me animei, pela enorme dificuldade de um post como esse. Até que encontrei o guia abaixo, num dos blogs que eu mais curto, o “Papo de Homem”.  A maior parte das coisas que eu aprendi, a duras penas, e muitas outras que eu ainda não tinha me dado conta, estão lá.

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Steve Jobs, esse famoso desconhecido

Vocês sabem quem é esse cara? É o Steve Jobs, nos seus vinte e poucos anos. Eu sou fã do dele, de carteirinha. Não apenas por sua genialidade, mas também pelo lado obsessivo de sua personalidade. Estas são minhas frases favoritas, ditas pelo Steve Jobs. Elas definem bem sua personalidade:

“Artistas de verdade entregam”, dita por Steve Jobs num encontro da equipe responsável pelo Macintosh em 1983, quando percebeu que o projeto estava atrasado e não seria terminado nem no ano seguinte.

“Mantenha-se sempre faminto e ignorante”

“As pessoas não sabem o que querem, até que você mostre a elas.”

Esse é o Steve Jobs, controlador, curioso profissional e obsessivo pela vida, embora sem medo da morte. Ao que tudo indica ele está mesmo morrendo.  Recentemente, o tablóide National Enquirer publicou imagens do executivo bastante abatido entrando no Centro de Tratamento de Câncer de Stanford, na Califórnia. O assunto chegou à bolsa de valores, onde as ações da companhia registraram queda de 1%.

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De volta ao caos

Hoje acordei às 5:30 hs para correr, como faço diariamente. Não bastasse o puta frio e a garoinha, ainda tive que correr na escuridão, pois as luzes das ruas em torno de casa estavam apagadas. Coisas da vida, pensei, e encarei a corrida. Enquanto tomava café, aí pelas 7 hs, fiquei observando o tempo “enfezar” do outro lado da janela. Nada de novo, seria mais um dia enrolado nas ruas de São Paulo, com ruas molhadas, faróis embandeirados e a Marginal um verdadeiro pátio de estacionamento.

No caminho para o escritório o rádio transmitia reclamações de ouvintes, sem luz desde o vendaval de segunda-feira. Muitos bairros há três dias sem luz, inclusive algumas cidades inteiras, como Embu (ou será Embu das Artes?). Fiquei imaginando como deve ser a vida sem energia elétrica, em pleno inverno. Banho de canequinha, com um pouco de água quente aquecida na chaleira; pequenas compras diárias no supermercado, já que a geladeira estaria em fase de elefante branco; abastecimento  do carro no bairro (ou cidade) vizinho, pois os postos da região estariam com as bombas paradas; jantar a luz de velas (se esticar até o dia dos namorados até que dá um clima); dormir com as galinhas, pois não temos TV para assistir, tendo que encarar uma namoradinha com a mulher diariamente (é bom que essa luz volte logo); gangs espalhadas pelo bairro se aproveitando da escuridão e determinando um toque de recolher involuntário e por aí vai. Dá para escrever um romance.

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Hype

Muito já se falou sobre o futuro da mídia, mas na minha modesta opinião ainda não se falou tudo. Dois palpites são unanimidade:

  1. A mídia impressa vai sucumbir à onda da convergencia, com tablets, smartphones, notebooks e TV’s interativas substituindo o papel. Esse palpite me parece uma barbada.
  2. Os jornalistas serão substituidos pelo público, que será, ao mesmo tempo, leitor e gerador de conteúdo. É o fenômeno da mídia social. Esta me parece uma meia verdade. Eu acho que o papel dos jornalistas vai mudar e estes serão compelidos a interagir e colaborar com o público. Mas, de forma alguma os jornalistas profissionais desaparecerão.

E por que os jornalistas terão que “engolir o sapo” dos leitores-repórteres? Por uma razão muito simples: a unipresença do público. Não há Rupert Murdoch, com toda sua grana, que consiga competir com bilhões de “repórteres” munidos com um celular 3G com camera. No surgimento de um novo fato haverá uma testemunha ocular que, em questão de minutos, postará um video no YouTube, tuitando sua existência para o mundo.

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Overdose

Gente, esse post não é original. Eu também postei num outro blog que publico com meu amigo o Fran Papaterra, o “Um Peso e Duas Medidas”. Como o “Chega Mais” tem 30 vezes mais audiência que o “Um Peso e Duas Medidas” (que é novo), resolvi repicar este post aqui.

No “Um Peso e Duas Medidas” eu e o Fran quebramos o pau. Nossos posts são sobre um mesmo tema (daí o nome), mas via de regra expressamos opiniões frontalmente diferentes. Em nosso último post o Fran chutou o pau da barra. Ele me desafiou a provar que a Internet, e em particular as redes sociais, não são apenas instrumentos para roubar o nosso tão escasso e precioso tempo. Eu discordo do Fran em algumas poucas coisas, mas nesse tema batemos de frente. Eu discordo totalmente. Vai daí que procurei embasar bem a minha justificativa e saiu um texto bem legal.

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O Brasileirinho

Vocês provavelmente não conheceram o Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto), um dos cronistas mais divertidos e observadores do quotidiano dos brasileiros. É dele a antológica frase: “Lavar a honra com sangue suja a roupa”. Se você gostou, tem muito mais no lugar de onde esta veio.

Uma de suas crônicas, que eu mais gosto, narra um episódio supostamente ocorrido em um bar carioca. Vou tentar me lembrar, mais ou menos, do texto:

“Aconteceu num café de marinheiros, no cais do porto do Rio. Tinha uma porção de sujeitos, sentados, tomando umas e outras. Havia brasileiros, portugueses, franceses, argelinos, alemães, noruegueses. De repente, um alemão muito forte se  levanta e grita:

– Não tô vendo nenhum homem por aqui.

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Santa Claus, reloaded

É tempo de Natal. Já com o saco na lua, pelo trânsito continuamente congestionado, shopping centers inviáveis, inundações diárias e cartão de crédito estourado, me consolo pensando que seria bem pior se eu fosse o Papai Noel.

Nos últimos tempos tenho visto alguns “Papais Noeis” que fariam o velho e bom Santa Claus se virar no túmulo. Vi Papai Noel magrela e desdentado, cheirando cachaça, Papai Noel coçando o saco enquanto olhava a bunda da babá gostosinha, até PapaI Noel dormindo no trono do shopping.

Aí fiquei imaginando como seria a vida de um Papai Noel do século XXI, caso ele ainda estivesse vivo para contar a história.

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Você quer marmelada?

Ainda menino, meu pai me levava assistir aos circos mambembes que circulavam pelo interior. Coisas de uma época que não existe mais. O circo chegava na cidade e enquanto a lona toda remendada era eguida pelos próprios artistas, o dono circulava pela cidade anunciando pelo auto-falante de seu calambeque o “maior espetáculo da Terra”, que aconteceria justo na nossa cidadezinha no próximo fim de semana.

Eu esperava ansioso pelo sábado. Às vezes, quando não rolava um ingresso, porque (suponho) meu pai estivesse duro, lá ia eu vender amendoim na porta do circo para descolar a grana. Finalmente, sentado na primeira fila da arquibancada, eu esperava ansioso pela entrada dos palhaços, que sempre abriam o espetáculo. Invariavelmente, mudava o circo mas não mudava a rotina, tudo começava com uma pergunta para a distinta audiência: “Vocês querem goiabada”? Ao que o público respondia : “Não, senhor”. E a coisa continuava: “Vocês querem marmelada”?… “Queremos, sim senhor”. E aí, o espetáculo finalmente começava.

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Chupa, Neymar!

Como corintiano roxo que sou, fiquei ontem grudado na TV testemunhando a aula de futebol que o Corinthians deu para o Santos. Me irritou muito que o locutor da TV gastasse mais tempo falando do entrevero Neymar x Dorival Jr x Diretoria do Santos x Torcida, do que transmitindo o jogo.

Por curiosidade, no intervalo do jogo fui zapear no Twitter com a tag #neymarfacts. O que eu li estava tão divertido, que era quase melhor que o jogo. O #neymarfacts vai acabar superando o #calabocagalvao. O que mais me impressiona nessa história toda do Neymar é a capacidade do brasileiro de gerar piadas, instantaneamente, para qualquer fato que bombe na mídia. O Brasil é realmente o país dos engraçadinhos.

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Somos todos canalhas?

A gente vive metendo o pau nos políticos corruptos, caras de pau, insensíveis aos reclamos da população, etc. Na verdade, nossos políticos são tudo isso mesmo, até porque eles são brasileiros e não japoneses. Também falamos mal da massa de ignorantes, que simplesmente não dá a mínima para a corrupção endêmica, para o nepotismo, para a usurpação do poder pelo presidente Lula e pelo PT, etc, etc. Tudo isso também é verdade, pois a massa ignara também é brasileira. Ou seja, nós estamos culpando a nós mesmos pelos problemas que criamos.

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