KABBALAH BITS (1)

CabalaA ORIGEM DA CABALA

A figura ao lado ilustra o Sephirot, a Árvore da Vida que norteia a Cabala. Ela representa os dez estados de consciência que um ser humano deve galgar, para no último estágio se fundir na luz de Deus. Há 10 anos atrás li um livro, “O Poder da Cabala” de Yehuda Berg, que explica o conceito para não iniciados. Li, gostei, coloquei na estante e me esqueci dele. Recentemente o reli e fiquei com vontade de aprender mais sobre o assunto. Me inscrevi num treinamento de Cabala, de dez aulas (estou na terceira), no Kabbalah Centre, uma escola de Cabala que atua em vários países, inclusive o Brasil.

O que é a Cabala? Na verdade ainda não me sinto preparado para responder a essa pergunta, mas acho que posso me arriscar a dar uma simplificada. Nós seres humanos somos intrinsecamente egoístas e passamos todo o tempo tentando satisfazer nossos desejos pessoais, o que nos leva a frutrações sem fim. A Cabala propõe que resistamos à nossa tendência egocêntrica e que compartilhemos tudo o que recebemos, o que é muito fácil de falar e dificílimo de executar.

A Cabala é muito antiga e remonta aos primeiros anos do Cristianismo. Ela nasceu do Torá, a Bíblia dos judeus.  Existe uma certa confusão entre o Torá e a Cabala, que são coisas correlacionadas, porém bem distintas. O Torá e o Velho Testamento da Bíblia dos cristãos se confundem. O Torá compreende só o Pentateuco, que são os cinco primeiros livros do Antigo Testamento, que tem 46 livros. Esses cinco primeiros livros da Bíblia cristã contém relatos sobre a criação do mundo, a origem da humanidade, o pacto Deus com Abraão e seus filhos, a libertação dos filhos de Israel do Egito e sua peregrinação de quarenta anos até a terra prometida. Inclui também os mandamentos e as leis que teriam sido dadas a Moisés para que entregasse e ensinasse ao povo de Israel. Da parte religiosa do assunto é só isso que sei.

É interessante considerar que judeus e cristãos beberam da mesma fonte, para criar as bases de suas religiões modernas. Cristo traduziu o linguajar simbólico do Velho Testamento por meio das escritas legadas por ele e seus apóstolos no Novo Testamento. Da mesma forma, os judeus careciam de que alguém fizesse algo parecido com o Torá e isso ocorreu por volta do ano 135 DC, quando Rabbi Shimon bar Yochai se envolveu numa revolta contra os Romanos. Para fugir da perseguição, Shimon e seu filho se refugiaram numa caverna, onde permaneceram por 13 anos.

Durante todos esses anos Shimon estudou o Torá e, percebendo sua linguagem simbólica difícil, resolveu escrever algo que trouxesse suas revelações para um nível mais compreensível a todos. Shimon ficou particularmente interessado pela parte denominada “Torat HaSod,” também conhecida como “Kabbalah”. De seus estudos resultou o livro que codificou os princípios da Cabala para o mundo, o Zohar,  que na verdade são 23 volumes.

Coincidentemente, a região em que o rabino Shimon viveu e ensinou ficava próxima ao lago Tiberíades, o mesmo onde Cristo pregou. E, da mesma forma que Cristo, Shimon também tentou explicar o texto intrincado do Velho Testamento para seu povo. Mesmo assim, diferentemente do Novo Testamento espalhado pelo mundo pelos Cristãos, o Zohar, escrito originalmente em haramaico, permaneceu como objeto de estudos apenas dos chamados Cabalistas até o início do século XIII, quando foi publicado por Moshe de León. E, mesmo apos sua publicação, o Zohar, que é a base conceitual da Kaballah, permaneceu distante do grande público por vários séculos.

O Zohar, mais que um texto religioso sempre foi considerado pelos judeus como um texto místico. Em seus 23 volumes o Zohar explica a Kabbalah por meio da interpretação da natureza de Deus, correlacionando-a com a origem do universo, a natureza das almas e o conflito entre o ego dos seres humanos e a contínua necessidade de transcendência.

Depois de sua publicação no século XIII, o Zohar permaneceu oculto por mais sete séculos, até que no princípio do século XX foi trazido à luz, para judeus e não judeus, crentes ou ateus, pelo rabino Rav Yehuda Ashlag e Rav Brandwein, que em 1922 fundaram em Israel o Kabbalah Centre, que o traduziu para o hebraico e inglês.

Em 1964, Rav Berg, um rabino dos USA iniciou um período de estudos da Kabbalah com Rav Brandwein. Rav Berg, um rabino menos ligado às tradições ortodoxas do judaismo, retornou aos USA e com sua família abriu um Kabbalah Centre em Nova York e posteriormente em vários países do mundo, inclusive no Brasil. Os livros publicados por Rav Berg, sua esposa Karen e seus filhos Michael e Yehuda Berg (autor do Poder da Cabala), têm trazido a filosofia maravilhosa da Cabala para leigos de qualquer religião ao redor do globo.

Como ensinam os Cabalistas, quem aprende algo deve reprimir o desejo de ensinar, até porque nada sabemos. Eu preciso escrever tudo aquilo que estudo, característica daqueles que como eu têm memória visual. Entre anotar o que for aprendendo num caderno, só para mim, achei que seria mais compatível com o princípio do compartilhamento postar essas anotações em meu blog. É o que farei a partir de agora. Afinal, alguém pode se interessar e quem sabe poderá até ser útil para alguns.

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Uma opinião sobre “KABBALAH BITS (1)”

  1. Essa “fusão” me lembra a individuação de Jung, a iluminação Budista e o Taoismo ( não estou seguro se é também aplicado ao Reino de Deus porque neste, é muito mais “simples”, necessitando apenas de confiar como criança.) Várias formas de não ser governado pelo ego que limita e aprisiona (como o mito da caverna ilustra). Não sei nada sobre Cabala, mas achei a figura da Árvore da Vida muito interessante… me fez lembrar do Gênesis que também ilustra uma relação simples de confiança e abundância até o momento que o ego tenta” usurpar a herança do espírito”.

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