Déjà vu

Gente, esse é meu primeiro post depois de um sabático de 3 meses. Sabático é um jeito elegante de disfarçar minha preguiça, ou pura e simplesmente falta de inspiração. Meu blog tem sido eclético, desde o início, falando um pouquinho de tudo, mas percebi que ultimamente eu vinha me comportando de forma azeda, compatível com meu desapontamento com nossa atitude histórica de “deitados em berço esplêndido”. Por isso eu parei de escrever, para não transferir minha “sacocheíce” para vocês.

A verdade é que nada mudou desde meu último post. O Brasil, seus governantes mambembes, seu povinho que aceita tudo para comer as beiradas de pizza (literalmente abundantes), sua corrupção endêmica, etc, etc, continuam em plena ebulição.

Quero mudar de assunto, falar de bons pratos, viagens, tecnologia, livros, filmes, esportes e 500 mil outras coisas que eu gosto e a maioria de vocês também. Mas, antes de migrar meu blog para essa nova fase “Augustinho, paz e amor”, quero fazer um último post da linha saco cheio. Prometo que é o último mesmo e quem não quiser piorar o humor pare de ler por aqui. O próximo já vai ser light.

O que tem me enchido o saco, e muito, ultimamente, é sentir que para onde a gente olhe só vê prato requentado, numa linha de “déjà vu” infinito. Vale um recall. Nós sofremos dois anos com o Mano Menezes, que consegue ser mais insosso e inseguro do que o Alckmin, por dois longos anos. Um belo dia, para nosso alívio, a CBF demite o Mano e quem assume? Nada mais do que a dupla manjada e desgastada de velhos treinadores brasileiros, Felipão e Parreira, queimando nossa chance única de trazer o jovem Guardiola para renovar o futebol brasileiro . Dói mais ainda, quando constatamos que quem demitiu foi o paleolítico Marin, que sucedeu o neolítico Ricardo Teixeira.

O Sarney continua indestrutível, se negando a morrer (única forma de libertar o Maranhão e a cadeira de presidente do Senado), o Maluf apoia o Lula, o Lula apoia um poste e o PMDB apoia o Lula.

O mensalão termina, com trouxas celebrando penas que nunca serão cumpridas e multas que nunca serão recebidas. Os advogados do Bruno embananam o julgamento e se bobear o cara será o goleiro titular do Brasil em 2014. E a justiça brasileira continua mais injusta do que nunca, prendendo ladrões de galinha e deixando os mega corruptos soltos.

O PCC, mais forte que nunca, graças aos criadouros de cobras que são as nossas penitenciárias, revive em SP o mesmo clima de insegurança de 2006, com motoqueiros matando livremente, ônibus queimados e a população com medo de sair de casa.

Para aqueles que gostam de novela (arghhhh), a Glória Perez se repete pela terceira vez, trazendo os mesmos personagens, com quase que os mesmos atores, de Marrocos, para a Índia e agora para a Turquia. E os noveleiros continuam grudados na TV, em clima de amnésia.

Os corruptos, agora vazando pelo ladrão e caindo na nossa cabeça por onde andamos, repetem a estratégia do Maluf e simplesmente negam o óbvio, juram que não sabem, não viram, não fizeram, tudo aquilo que foi gravado e exaustivamente mostrado no Jornal Nacional.

Os jornais acabam de divulgar um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, com 30 países, mostrando que nossa carga tributária equivale a 35,13% do PIB. Em 2011, o IRBES (Índice de Retorno de Bem Estar à Sociedade) do país foi de 135,83 pontos, o pior resultado no grupo das 30 economias pesquisadas. Ou seja, continuamos repetindo a prática colonialista de altíssimos impostos, sem dar nada em troca, que levou o revoltado Tiradentes para a forca.

O trânsito piora dia a dia, agora não mais só em São Paulo, mas no Brasil todo. Nos últimos feriados estive em Porto de Galinhas onde fiquei preso num congestionamento no centrinho da vila, em pleno domingo!?

Continuamos votando em “cacarecos”, como já acontecia nos anos 50/60, elegendo “tiriricas e postes”. E, se nada mudar, vai dar Dilma em 2014 e Lula em 2018, ou alguém aí duvida do poder do homem? Enquanto isso, a oposição continua tão quieta quanto esteve nos anos de chumbo da ditadura militar, ou nos anos dourados do Getúlio.

E a inflação? Ai que saudades dos bons tempos da correção monetária diária e dos 225% de inflação ao ano do governo Sarney. Mas, não precisamos ter saudades, pois com o represamento dos preços dos combustíveis, com o crédito subsidiado e os baixos investimentos por parte de empresários descrentes, cedo ou tarde nossa velha amiga virá nos revisitar. É só olhar o que a bruxa argentina está aprontando e projetar o que pode acontecer por aqui se as práticas populistas, estatizantes e burras continuarem vigentes, e tudo leva a crer que continuarão.

Mas, para não dizer que nada muda no Brasil, a destruição da natureza aumentou, o tráfico de drogas se tornou endêmico, a pilantragem virou banalidade e nosso futebol piorou muiiiitooo. Ou seja, ainda há esperanças.

No próximo post vou dar a receita de bolinhos de chuva que minha avó fazia pra gente, ou algo do gênero. E, como diz o Salomão Schwartzman, meu guru: seja feliz.

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