Felicidade Interna Bruta

Gente, peço desculpas pra quem me lê pela escassez de posts em meu blog. Poderia por a culpa no trânsito caótico de São Paulo, nos juros altos, nos políticos corruptos, no Lula, ou qualquer desculpa absurda do gênero, mas a verdade é que andei preguiçoso, ou pouco inspirado. Descobri recentemente o interessante conceito de Felicidade Interna Bruta. O termo foi criado pelo rei do Butão, em 1972, em resposta a críticas que afirmavam que a economia do país ia muito mal. Ao lançar o conceito, o rei se comprometia a construir uma economia baseada nos valores espirituais dos budistas, o que parece que ele não conseguiu até hoje… O FIB baseia-se no princípio de que o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade depende da harmonia entre o desenvolvimento espiritual e o desenvolvimento material (PIB), como conceitos complementares e que se reforçam mutuamente.
O FIB se assenta sobre 9 pilares:

  1. Bem estar psicológico
  2. Saúde
  3. Disponibilidade de tempo
  4. Relações comunitárias
  5. Educação (disponível e de qualidade)
  6. Cultura (respeito)
  7. Meio ambiente (respeito)
  8. Governança (boa avaliação dos 3 níveis de governo)
  9. Padrão de vida (habitação, renda familiar e estabilidade)

Vendo essa lista, fiquei pensando: será que os brasileiros algum dia serão felizes, considerando que dos 9 itens somos carentes em quase todos? E aí dei um Google pra esclarecer minha dúvida. Surpresa das surpresas. Segundo pesquisa da FGV, conduzida em 2011 em parceria com a Gallup World Poll, num ranking feito em 158 países, com base na entrevista de 200 mil pessoas, pela 4a vez consecutiva os brasileiros são considerados o povo mais feliz do mundo, segundo o Índice de Felicidade Futura (IFF)!? O IFF é um índice que tenta medir a expectativa de felicidade futura das pessoas, numa visada de 5 anos, ou seja, em 2011 qual a expectativa das pessoas de estarem felizes em 2015? Numa escala de 1 a 10, a nota média dos brasileiros no IFF foi de 8,6, ficando à frente de paraísos sociais como a Suiça e a Dinamarca. Detalhe, as mulheres brasileiras são mais felizes que os homens e as solteiras mais felizes que as casadas. Fiquei matutando sobre o assunto. Uma conclusão é óbvia. Somos um povo irresponsavelmente otimista, sempre fomos. A velha piadinha sobre o garoto que achou um balde de merda embaixo da árvore de Natal é a nossa cara (“Oba, Papai Noel me trouxe um cavalo de presente!”). Faz alguns anos que, apesar dos problemas históricos estarem cada vez maiores (corrupção, saúde e educação lamentáveis, saneamento básico inexistente, justiça injusta, impostos absurdos sem nada em troca, etc), o povão ri de orelha a orelha. O subsídio governamental para tirar miseráveis da classe X para alça-los à classe C, associado ao estímulo ao consumo suicida apoiado em juros mais baratos, dá à galera a falsa sensação de que a vida está melhorando e vai continuar cada vez melhor. Quem quer saber se o brasileiro poupa 1/3 dos chineses (é o rabeira dos BRICS nesse quesito) e não tem portanto dinheiro para financiar os investimentos necessários para garantir um crescimento sustentável? Quem que saber se crescimento econômico apoiado apenas no consumo interno, numa indústria que não tem estímulos para investir, cedo ou tarde gera inflação? Quem quer saber se o PAC é uma fraude e que o país trava exportações, devido à taxação excessiva, à infraestrutura de 4o. mundo e a uma burocracia enlouquecedora? Quem quer saber que viver de exportação de commodities 4 itens representam 70% da pauta de exportação brasileira), dependendo dos humores da China é muito perigoso? Quem quer saber que não adianta vender mais carros para quem não tem mais vias de escoamento, e que melhor seria transferir o estímulo do financiamento governamental dos carros populares para os transportes públicos? Afinal, o que realmente nos interessa? Interessa é que a Copa 2014 vem aí, o Itaquerão vai estar pronto e nós vamos poder tomar cerveja nos estádios. Isso é o que interessa. E, se tudo correr bem, o Neymar vai arrebentar e nós seremos hexa. As mulheres são mais felizes porque se livraram da dependência dos homens e estes são mais felizes porque está sobrando mulher no pedaço. E as solteiras mais felizes ainda porque não precisam trocar fralda de criança de madrugada. Tudo muito lógico e sensato. A escola e o plano de saúde estão caros, mas o sanduiche de mortadela e a cachaça continuam baratos, o Corinthians vai ser campeão da Libertadores e o fim de semana está chegando. Ora bolas, porque que então não ser feliz? Quer saber, eu acho que também serei feliz em 2015, aliás serei feliz desde já! E que se lixem os lúcidos infelizes.

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2 opiniões sobre “Felicidade Interna Bruta”

  1. É Augusto, esta foi a conversa támbém no nosso almoço hoje!

    A “farra do boi” é altamente contagiosa e assim sendo, as apostas nos LULAS do Brasil só tende a crescer!

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