Desemprego high tech

Recentemente, li quatro notícias que me deixaram pensativo. Verdade que se eu tivesse a idade de meus filhos, essas notícias teriam é me deixado muito preocupado.

Notícia 1:”

“A Biblioteca Nacional do Reino Unido irá remanejar parte de seu acervo em um novo prédio, onde a responsabilidade pelo armazenamento e coleta de sete milhões de itens passará de um bibliotecário para uma grua robótica.”

Notícia 2:

“No Hospital Sírio-Libanês, foi realizada no mês de maio de 2011 a primeira cirurgia de endometriose de intestino no mundo com robô (o Da Vinci).”

Notícia 3:

“As fabricantes Kawada e Yaskawa, focadas até agora em produzir os robôs Motoman para a indústria automotiva, mudaram seus objetivos e querem ampliar as áreas de atuações das suas máquinas para outros setores, principalmente de serviços e enfermagem.”

Notícia 4:

“Wisconsin parece estar com o jogo ganho, já que lidera por 51 X 10 após o terceiro tempo. Wisconsin aumentou sua liderança quando Russell Wilson encontrou Jacob Pedersen para um touchdown de 8 jardas para deixar o placar a 44-3…” Essas palavras são parte de um artigo escrito pelo software da Narrative Science, usando apenas as estatísticas do jogo, geradas automaticamente por um computador.”

A crise econômica explica em grande parte a escassez de empregos nos EUA, mas a tecnologia cada vez mais avançada amplificou dramaticamente o impacto, mais do que é possível perceber, segundo dois pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

A crescente automação do trabalho outrora realizado por seres humanos é o tema central do livro eletrônico “Race Against the Machine”. Em poucas palavras, muitos trabalhadores estão perdendo a corrida contra a máquina”, afirmam os autores. Os autores, Erik Brynjolfsson, economista e diretor do Centro de Negócios Digitais do MIT, e Andrew P. McAfee, diretor associado e chefe da equipe de cientistas do centro dedicados à pesquisa, são dois dos principais especialistas da nação em tecnologia e produtividade. O tom de alarme é o ponto de partida para os dois cientistas, cuja pesquisa anterior se concentrava principalmente nos benefícios da tecnologia avançada. Eu não li o livro (ainda), mas os comentários (vide link) do Gary Hammel, Nicholas Negroponte e Tim O’Reilly atestam nossos motivos de preocupação.

Na realidade, originalmente eles pretendiam escrever um livro intitulado “The Digital Frontier”, sobre a “cornucópia de inovações que estão ocorrendo”, disse McAfee. Mas, como a situação do desemprego não melhorou nos dois últimos anos, os autores mudaram seu objetivo e resolveram examinar o papel da tecnologia como agente de desemprego.

Novas funções

Eles não são os únicos a destacar, nos últimos tempos, o desaparecimento do emprego por causa da tecnologia. Na edição atual do McKinsey Quarterly, W. Brian Arthur, professor convidado no Santa Fe Institute no Novo México, adverte que a tecnologia está rapidamente assumindo funções no setor de serviços, depois da onda de automação no trabalho agrícola e industrial. “Esse último repositório de empregos está encolhendo – no futuro, será muito menor o número de funcionários de nível executivo que desempenharão funções nas empresas – e aí está o problema”, escreve Arthur.

A tecnologia sempre roubou trabalho e empregos. Ao longo dos anos, muitos especialistas advertiram – equivocadamente – que as máquinas estavam deixando os seres humanos para trás. Em 1930, o economista John Maynard Keynes alertou a respeito de uma “nova doença”, que ele chamou de “desemprego tecnológico”.

E aí, será que temos realmente que nos preocupar com a sobrevivência de nossos filhos, com seus empregos sendo tomados por robôs? Bem, eu não pretendo me comparar ao Keynes, nem ao McAfee, mas vou arriscar meu palpite. Como dizem os gringos: IT’S NOT GONNA HAPPEN! E por que? Por uma razão muito simples: o mundo digital e a automação vieram para nos auxiliar e não para nos sacrificar. Todas as maravilhas tecnológicas que hoje experimentamos são produto da criatividade e da indústria humanas. E a sobrevivência é a base do processo evolutivo. Nós não faremos “haraquiri” por vontade própria. Para cada emprego substituído por tecnologia surgirão dois nas áreas de serviços e pesquisa, as pessoas farão mais home office e as mesmas tecnologias que desempregam gerarão novos empregos.

Para comprovar o fato que tecnologia não desemprega, basta comparar os níveis de desemprego de hoje com os de 25 anos atrás. Apesar dos últimos 20 anos terem gerado mais inovações e novas tecnologias do que toda a história moderna da humanidade, mesmo assim os níveis de desemprego continuam estáveis. Em 2011 estima-se que a taxa de desemprego mundial se situará em torno de 5,9%. Já, segundo o IBGE, em 1984 a taxa de desemprego no Brasil foi de 5,2%, ou seja, tudo mudou, mas nada mudou.

Sendo assim, existe algo com que se preocupar? Depende. Se você for americano, japonês ou sul coreano, provavelmente nada mudará. Já para um brasileiro, com nosso baixíssimo nível educacional, poucos investimentos em inovação e custo país elevado, eu diria que sim, nossos filhos e netos deveriam botar as barbas de molho e se prepararem para plantar couve e beterraba no fundo do quintal (que quintal?).

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