Vamos ao que interessa (2/2)

Eu sou fã do seriado Dexter, “o serial killer do bem”. Todo capítulo do Dexter começa com um recall do capítulo anterior. Pra não ser original, vou copiar o Dexter.

Em meu último post, “Vamos ao que interessa (1/2)” eu propunha que achassemos o âmago, o “ó do borogodó” das questões intrincadas e da teia de informações que podem tornar as soluções simples, antes de nos metermos a executar qualquer tarefa. Sugeri que antes de atacar um problema o imaginássemos top down, na forma de um triângulo, onde no topo está o ápice e nas camadas inferiores estão as prioridades a serem atacadas e os detalhes de cada uma delas.

Até aí, como dizia nosso vovô, “morreu Neves”, a questão de fundo é: como encontrar o âmago de problemas complexos, particularmente quando podemos literalmente nadar num oceano de informações? Excelente pergunta e responder a ela será meu desafio dessa segunda e última parte deste post.

O que eu vou propor pode soar um pouco surreal para a maioria de vocês, até porque não se trata de um teorema, mas de experiência empírica de vida. O que posso lhes garantir é que o método funciona, pois eu o aplico há mais de 30 anos, sempre com resultados positivos. Então, aí vai: “Para se achar o âmago das questões é preciso analisar esfericamente as informações disponíveis, pensar holisticamente, e, posteriormente, executar a solução escolhida com precisão de laser”. Deu pra entender? Me explico.

Tudo começou quando ainda nos meus primeiros anos da carreira de analista de sistemas na IBM, me afogava em toneladas de informações, sem saber por onde começar para apresentar as melhores soluções para meus clientes. Por sorte, coincidência, ou sabedoria do destino, me caiu nas mãos um livro denominado “O Zen e a Arte de Manutenção de Motocicletas”. O livro conta a viagem de moto de Robert Pirsig e seu filho pela costa oeste dos USA. A história é real. Durante a viagem, por locais ermos, Pirsig tem que fazer ele mesmo a manutenção de sua moto. Comparando seu processo de trabalho com o de outros motoqueiros, ele percebe que não há uma lógica cartesiana para se disgnosticar um defeito mecânico, cada um seguindo um processo aleatório ao seu estilo. De volta para casa, e intrigado, ele provoca um defeito em seu carro e o leva a três bons mecânicos para observar o processo de diagnóstico. De novo, cada um segue um roteiro, mas todos chegam às mesmas conclusões. Pirsig deprende daí, que existe uma lado Zen no trabalho analítico, onde a partir de um certo nível de interação com um assunto, ou um desafio, o investigador passa s ser parte do problema, deduzindo sua solução.

Parece maluco, mas eu tenho praticado esse método, com um grau muito baixo de erros. É melhor exemplificar do que tentar explicar. Tente folhear um livro de 500 páginas em 5 mins e fazer uma resenha. Não vai ficar uma maravilha, mas você vai chegar bem próximo do resumo constante na orelha do livro. Trata-se de “sobrevoar” o conteúdo sendo examinado, pinçando aqui e acolá partículas de informação que, a partir de um certo ponto, passam a ter um sentido de conjunto.

Para quem tem dificuldade em aceitar esse tipo de “bruxaria zen”, existe uma teoria cartesiana para embasar: a “Análise Fatorial”, é utilizada na interpretação das respostas de uma pesquisa qualitativa (aberta, em formato não tabular). Esse método propõe que ao ler as respostas dos entrevistados procuremos correlacionar palavras que subentendam a mesma motivação. Em seguir devemos associar essas palavras aos fatores que influenciam o pesquisado, no âmbito do interesse da pesquisa. Por último devemos priorizar esses fatores, segundo o estímulo que proporcionam. Exemplo: pesquisa sobre cinema. Pergunta-se, de forma aberta: você gosta de cinema, por que, quais suas preferencias, o que você gosta e não gosta na experiência do cinema, etc. Aí vem uma enxurrada de respostas e você começa a catar termos por associação: cadeira confortável, ar condicionado perfeito, banheiros limpos, projeção, qualidade do som e da imagem, etc. Podemos associar as palavras cadeira confortável, ar condicionado perfeito e banheiros limpos ao fator CONVENIÊNCIA. Já as palavras projeção, qualidade do som e da imagem podem ser associadas ao fator QUALIDADE TÉCNICA. Se o número de ocorrências das palavras associadas à QUALIDADE TÉCNICA for muito maior do que as associadas à CONVENIÊNCIA, podemos deduzir que o público entrevistado está mais para o cinéfilo do para o pipoqueiro e que, portanto, o cinema que pretendemos montar nessa região deve ser mais na linha cineclube, do que na linha Cinemark.

Não estou propondo aqui que se utilize Análise Fatorial para se achar o “ó do borogodó”, sou muito mais o método Zen de analisar problemas complexos de forma holística, como sugere o Robert Pirsig, ou mesmo o Malcom Gladwell com seu genial “Blink”. O diabo é que se você é analítico, só vai se convencer a usar a bruxaria cerebral se entender que por trás dela existe uma lógica cartesiana. Pois bem, confie na capacidade de análise e síntese de seu cérebro. O que ele faz no “piloto automático” é suportado por um software poderoso e confiável, que utiliza algo parecido com a Análise Fatorial, sem que você se dê conta.

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