Vamos ao que interessa (1/2)

Recentemente li um post no blog do Ronaud Pereira, onde o autor propunha algo que ele chamava de visão de mundo: “Qualquer um que queira avançar na vida precisa desenvolver sua visão de mundo. Visão de mundo é como uma super visão mental, que ultrapassa as aparências e enxerga o âmago das coisas. É a capacidade de situarmos nossas ideias e a nós mesmos diante de uma perspectiva geral das coisas. É a capacidade de relativizar, num mundo ansioso por generalizações.”

O Ronaud me remeteu a muitas décadas atrás, quando eu aprendi a ler. “Vovô viu a uva”. Era assim que se aprendia a ler na cartilha “O Caminho Suave”, universal para os velhotes de minha geração. Aprendíamos tudo de forma cartesiana, onde o todo é a soma das partes. Para se aprender a ler aprendia-se antes consoantes e vogais, para depois entender a combinação entre as mesmas, que resultava nas palavras.

Aí, eu observo o processo de aprendizado de meu neto e concluo que aprender para quem chega ao mundo hoje acontece de uma forma totalmente diferente, provavelmente mais eficaz, e certamente mais divertida. Aprende-se tudo de forma holística. O método do “vovô viu a uva” tornaria um CEO do século XXI simplesmente ineficaz, ou, no mínimo, menos eficaz que poderia, caso levasse em consideração todas as variáveis a seu dispor.

Houve uma época em que se afirmava categoricamente que “ter a informação é ter poder”. Isso mudou? Sim e não. Evidentemente que ter a informação é vital, porém hoje, graças à tecnologia (ERP, BI, BPM, etc) e à Internet, todos têm acesso à informação. Tem o poder que melhor usa a informação.

Parece simples, mas não é. Excesso de informação afoga e sufoca o tomador de decisões. Como separar o joio do trigo? Achando o âmago, o “ó do borogodó” das questões intrincadas e da teia de informações que podem tornar as soluções simples. Os jovens da geração Y e Z tendem a mergulhar nos dados (que definitivamente não são informações, porque não estão organizados) e se deixar envolver até que o caminho a seguir surja naturalmente, dentro do princípio que “a melancias se ajeitam naturalmente na carroceria do caminhão, graças aos solavancos da estrada”. E, realmente, o método funciona, para quem 20 anos, não tem decisões criticas para tomar e pode dispor de todo o tempo do mundo. Esse não é o caso do CEO.

Até um simples livro vai mudar no futuro, para algo mais interessante, dinâmico e interativo.  O novo conceito de Interactive Books já bomba entre os livros infantis, mas rapidamente se tornará padrão de mercado na literatura técnica e corporativa. Veja um pequeno exemplo disso oferecido nesse incrível vídeo da TED.

O executivo precisa de um método para “pescar” informações relevantes no mar de dados à sua volta. Cada um tem seu método, mas no final do dia todos se parecem. Lembra-se do professor de cursinho, que recomendava primeiro ler todas as questões antes de escolher quais as melhores para iniciar a resolução da prova do vestibular? O método do velho professor continua válido, com uma diferença: temos que varrer rapidamente a massa de dados, selecionando aqui e ali os pontos de maior relevância. Depois disso, a gente prioriza as relevâncias. Uma vez achadas as prioridades, aí sim, é hora de se aprofundar, mas agora com critério, sabendo o que estamos fazendo.

Eu chamo isso do “método do triangulo”, a figura que eu mais uso para estratificar o mundo. No topo está o âmago (as relevâncias) a ser achado, no meio estão as prioridades para tudo que é relevante e na base do triangulo estão os detalhes a serem considerados. O método do triângulo parece óbvio: comece pelo âmago, antes de descer aos detalhes. Mas, na prática não é a atitude natural das pessoas diante de um grande desafio. Sua reação normalmente é inversa, mergulhando nos detalhes para tentar achar o âmago.

E, nadando num mar detalhes, sem rumo, só por sorte se chega à praia, embora muitas vezes morramos muito perto dela, depois de muito nadar. A pergunta que fica é: como achar o âmago das questões quando temos muito mais informações à mão do que nossa vã capacidade de processa-las? Existe um caminho, que vai além do Google, mas isso é assunto para um próximo post.

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