Diários de um comilão

Eu sou um comilão. Aliás, eu não sou apenas um comilão, mas sou também um bebilão. Acordo todo dias às 5:30 para me exercitar, passo fome de segunda a sexta, apenas para poder enfiar o pé (na verdade os dois pés) na jaca no fim de semana.

Qual a diferença entre um gourmet e um comilão? O gourmet é um esteta: harmonia, combinação de paladares e aromas, um visual caprichado o deliciam. Gourmets e apreciadores de arte são animais da mesma espécie. Já os comilões, pobres de nós, gostamos de sabores intensos e pratos cheios. Nada daquela frescurinha da folhinha de alface delicadamente colocada sobre a pequena posta de linguado ao vapor. Nós queremos pizza de calabresa, fusili ao basilico, um belo hamburger crocante, uma paleta de cordeiro no alecrim, uma paella suculenta, um belo steak sangrento, tudo muito bem temperado, aromático e farto. Não somos estetas, somos gulosos.

Os comilões têm seus pratos preferidos. Não queremos que o chef nos diga o que gostamos de comer; nós queremos escolher. Todo comilão fica esperando pela edição dos melhores restaurantes da Vejinha, edição de setembro, para descobrir novos lugares onde apreciar seus pratos preferidos. E, frustração das frustrações, a Vejinha sempre se repete, são sempre os mesmos que ganham e o foco nunca é na especialidade da casa e sempre no restaurante como um todo.

Nosso sonho de consumo seria poder acessar um guia de restaurantes, indexado por tipos de prato. Um lugar onde eu perguntasse onde comer o melhor filé à milanesa da cidade e a reposta fosse pontual e precisa. Esse guia não existe. Daí que comecei a organizar o meu, apenas para compartilhar com os amigos. A relação abaixo é a Versão 1.0 do Guia dos Comilões para a cidade de São Paulo. Vocês vão perceber uma acentuada tendência pelas carnes, mas nós comilões tendemos mesmo a ser carnívoros. Podem discordar à vontade, até porque gosto não se discute.

Carnes:

  • Filé à milanesa do Aguzzo, preparado com a farinha de rosca grossinha e crocante, com o pão cortado na ponta da faca, como se faz na Itália.
  • Paleta de cordeiro (meu prato favorito, então vou dar 4 opções):
    • Tre Bichieri: vem com uma camada de gordura na parte de cima, mas vale a pena, limpe e mande brasa.
    • Gardênia: para dois, vem o pernil inteiro na mesa, o omolho é nota 10, peça arroz 7 grãos para acompanhar.
    • Mani: com a pegada leve, típica do restaurante. Se você der sorte, a linda chef Helena Rizzo pode vir até sua mesa para perguntar se o prato estava bom.
    • Nono Ruggero: simplesmente perfeita, servida num berço de favas de feijão branco. Das quatro opções é a minha favorita. Experimente o Nono Rugero do Shopping Cidade Jardim, que tem um astral muito melhor do que seu irmão baseado no Hotel Fasano.
  • Carré de cordeiro com nhoque ao molho de salvia do Piselli. De comer chorando, o restaurante serve várias costelas, carne pura, mega macia, com um só ossinho ligando todas as ripinhas.
  • Perninha de cabrito assada com coradas e brócolis do Il Sogno di Anarello, como se comia antigamente nas melhores cantinas do Bexiga, peça para dois.
  • Costela de vaca no vinho tinto do Ici Bistrô. Primorosa, derrete na boca, à vezes meio gordinha, servida com um molho espesso e amanteigado, não recomendada pra quem se preocupa com o colesterol.
  • Bisteca à fiorentina (700 g) do Due Cuochi. Vem com uma verdurinha grelhada e crocante por cima (acho que é rúcula), servida numa travessa, pois não cabe no prato, vem no ponto perfeito, pra comer no almoço porque é prato de caminhoneiro, melhor nem em Firenze.
  • Costela de vaca com pupunha do Rodeio (à moda do Fogo de Chão, dá pau no criador). Não é serviço de rodízio, mas você vai pedindo refill até morrer. A pupunha na brasa é aberta na mesa, vem com um molhinho de alcaparras maravilhoso para acompanhar. Melhor pupunha que já comi na vida.
  • Rodízio de carnes do Fogo de Chão. Alem da famosa costela (que como eu disse é a numero 2), eu acho imperdível a fraldinha.
  • Coração de picanha com farofa da casa do Varanda Grill (a melhor carne de São Paulo). Se estiver encarnando uma jibóia peça porter house, que é a chuleta cortada à moda americana.

Francês:

  • Não é meu forte, mas eu gosto do:
    • Entrecote do  Le Marais, com molho de pimenta do reino concasse como só se come em Paris.
    • Steak au poivre (com contrafilé) do Freddy.
    • Coq au vin do Le Vin Bistrô (pra quem gosta também serve as melhores ostras de São Paulo).
    • Cordeiro com feijões brancos, ou gigot d’agneau, do La Casserolle (é quase cru, se não gosta não peça).

Espanhol:

  • Também não é meu forte, mas eu amo a paella do Don Curro.
  • Tapas (beliscos, comidinhas em pequenas porções, como se come na Espanha), no Botta Gallo.

Comida típica brasileira:

  • O Tordesilhas é o melhor brasileiro de São Paulo. Peça:
    • Barreado (pra quem não conhece, um cozido de carnes de segunda, que viram de primeira, receita típica do Paraná, uma maravilha).
    • Tutu à Mineira
    • Peixes de água doce
    • Bobó de camarão
    • Eu recomendo o Buffet nota 10 do domingo, onde você come um pouco de tudo, servido pela própria chef Mara Sales.
  • Arroz, feijão, pastéis e couve do Ritz (aos sábados).
  • Moquecas no Amadeus e no Tordesilhas.
  • Lombo com feijão tropeiro no Dalva e Dito.

Pescados e frutos do mar:

  • Qualquer tipo de peixe no Amadeus.
  • Cuscus de camarão do Amadeus.
  • Merluza negra argentina grelhada do Figueira Rubayat.
  • Lula à provençal do Manacá. Sorry, este não é em São Paulo. Fica no Camburizinho, litoral norte de SP, há cerca de 170 km da capital. Vale o esforço (alem da comida maravilhosa, o local é lindo, incrustrado na mata atlântica).
  • Camarão a provençal do La Paillote.
  • Risoto de camarão com tabasco do Due Cuochi.
  • Bacalhau de qualquer tipo no A Bela Sintra.
  • Bacalhau à Proença do Trindade (num dia de sol, almoçar numa mesa de calçada é uma ótima).
  • Cavaquinha do Antiquarius (o único lugar onde se come uma cavaquinha boa em São Paulo, enquanto no Rio qualquer tasca portuguesa do centrão serve cavaquinhas maravilhosas).
  • Mexilhões ao vinho do Tappo, o irmão italiano do Ici Bistrô do mesmo chef Benny Novak (não se envergonhe de mergulhar o pãozinho no molho).

Massas:

  • Gnochi à bolonhesa do Gero.
  • Gnochi à Pavarotti (com lingüiça, feijões brancos, ultra condimentado) do Empório Raviolli, diz a lenda que a receita foi passada pelo próprio Pavarotti em visita ao restaurante.
  • Qualquer massa ao molho de queijo do Il Sogno di Anarello.
  • Ravioli com molho tipo Dalplin (escuro e adocicado) do Tappo.
  • O Due Cuochi (do Itaim, pois o do shopping  cidade Jardim não é tão bom) é meu italiano favorito. Eu recomendo 3 tipos de massas:
    • Spaghetti com camarões
    • Fusili com linguiça apimentada
    • Spaghetti com presunto cru e rúcula

Lanches, pizzas e comidinhas rápidas:

  • Hamburger  na Hamburgueria Nacional, ou no Ritz (altos, suculentos, mal passados, em ambos o do tipo au poivre é sensacional; na Hamburgueria peça o de tamanho maior, pois o menor é mais seco).
  • Hot dog da Lanchonete da Cidade (experimente o Chili Dog se quiser se lambuzar).
  • Sanduíche de pernil da Hamburgueria Nacional (peça no pão frances redondo).
  • Pizzas na Braz, ou no Primo Basilico (em ambas eu só peco a do tipo Castelões, de muzzarella com calabresa fatiada, crocante, por cima). Em ambos os restaurantes vale pedir o pão de lingüiça de entrada.
  • Sanduíches ao forno, diversos recheios, no pão de miga importado, no pão ciabatta, ou em massa de pizza, da Forneria San Paolo.

Saladas (quando fartas, os comilões também apreciam):

  • Balcões de salada: no Rascal (meu favorito), no Fogo de Chão e no Nono Ruggero (do Shopping Cidade Jardim, no hotel não tem o balcão).
  • Salada de cantina, com tomatões, mix de folhas verdes, muzzarela de búfala da melhor, salsão e aquele tempero com vinagre de vinho e muito azeite: só se come assim no Il Sogno di Anarello.

Sobremesas:

  • Pain perdu (rabanadas à moda francesa) do Ici Bistrô.
  • Sagú com creme inglês do Spot.
  • Sorvete de frutas do Mil Frutas.
  • Sorvete de gianduia no Piselli.
  • Creme de papaia do Fogo de Chão.
  • Tiramisu e creme mascarpone com chocolate do Gero.
Anúncios

Uma consideração sobre “Diários de um comilão”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s