Vickinha, 6 meses

A Vickinha nos deixou há 6 meses. Não vou contar de novo o que aconteceu com a minha estrelinha, pois já chorei uma cachoeira quando em agosto passado escrevi “Sobre perdas e danos”. Quem estiver curioso acesse o post, ou o blog “Minha Estrelinha”, escrito pela mãe, e saiba mais sobre a Vickinha.

Hoje eu gostaria de falar de saudade, não a saudade que nos leva à depressão e ao desencanto com a vida, mas sim aquela que transcende em amor. Na semana passada acordei um dia com o coração apertado, pensando na Vickinha. Ela fez aniversário dia 16 de julho e nos deixou no dia 3 de agosto de 2010. O CD com as fotos da festa de 1 aninho estavam na gaveta de minha filha, aguardando revelação, e lá ficaram até que a Lygia decidisse revelá-las na semana passada.

Nós estávamos montando um álbum da Vickinha, coisa de avós, que ficaria incompleto sem sua primeira e única festinha de aniversário. Depois de reveladas as fotos, que ficaram lindas, eu ainda não tive coragem de olhá-las por alguns dias. Até que a saudade, misturada com curiosidade, foi maior que a dor. Durante a 1/2 hora em que eu folheei o álbum, a Vickinha voltou para meu colo com toda a sua alegria e sapequice. Foi quase que uma viagem mágica para uma outra outra dimensão. Porém, essas incursões pelo lado cinzento da vida não ficam impunes. Naquela noite eu não dormi direito e acordei no dia seguinte muito mal, com os olhos inchados.

Coincidência ou não, o primeiro e-mail que abri foi de um amigo, contando uma história comovente. Um oncologista pediátrico do Recife conta nesse e-mail sua saga de atendimento a crianças com cancer terminal e o drama vivido por suas famílias. Uma dessas histórias me comoveu muito e vou repetir aqui um pedacinho.

Aquela menininha linda, de cachinhos dourados, estava com os dias contados e internada no hospital. Eram só ela e a mãe. A menininha ficava a maior parte do tempo sózinha, pois sua mãe não tinha coragem de ficar muito tempo com ela, pela extrema dificuldade de controlar o choro e o desespero. Comovido, o oncologista se transformou em seu pai virtual, passando horas, depois das consultas, conversando e aprendendo com a menininha. Seu nível de maturidade era incrível, chegando muitas vezes a consolar o médico. Numa dessas vezes os dois conversavam sobre perdas e saudades. A menininha confessou para o médico que estava muito preocupada com sua mãe e com a saudade que deixaria após sua morte. Ao que o médico impensadamente perguntou: “O que é saudade para você”? A resposta dela deixou o médico embasbacado: “Dr, a saudade é o amor que fica”.

Ao ler essa frase, tão linda, a ficha caiu. A Vickinha se fora e isso é definitivo, mas o amor que ela deixou em nossos corações também é definitivo. Essa constatação operou a catarse em minha mente. Finalmente, eu acho que posso liberar a minha estrelinha para que ela ilumine o céu de todos nós. Chega de choro, chega de tristeza. Cada vez que eu olhar para o céu estrelado vou enxergar o sorriso da Vickinha e me alegrar por ela. Vai com Deus, meu anjinho, e até nosso próximo encontro.

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7 comentários em “Vickinha, 6 meses”

  1. Augusto, é exatamente isso. A gente só sente saudade das coisas que amamos. O desafio é sentir esse amor e essa saudade sem sofrer. Eu vivo sua condição ao contrário, sinto mta saudade da minha avó, que perdi no ano passado, Mas eu tive a sorte de viver 27 anos com ela. E são os momentos bons que tivemos que me consolam. Que Deus traga paz para o seu coração e de sua família.
    Grande beijo,
    Camilla

  2. Augusto, admiro a força de vocês. É muito bonito que tenham conseguido construir um sentimento tão bonito sob a dor mais intensa que há nesta vida. Com certeza ela está iluminando e cuidando de todos vocês.

    Abraços.

  3. Augusto,

    impossível não se emocionar com as coisas lindas que a Ju e você escrevem sobre a Vickinha. Sempre penso em vocês com muito carinho e, cada vez que leio algo assim, aprendo muito, principalmente a admirá-los ainda mais pela forma sincera e direta com que compartilham esses sentimentos com a gente.
    Que Deus abençoe sempre o caminho de vocês e da Vickinha e que o brilho dela seja sempre lindo e intenso.

    Um abraço forte,

    Flavia

  4. Que lindo post, Augusto. Impossível não ficar emocionada.
    Volto a repetir que admiro a força de toda a sua família.
    Que sua bonequinha continue em paz e com muita luz!

  5. Augusto, mais uma vez me emocionei com suas palavras. A verdade e o sentimento são tão escancarados que é impossível não se envolver.
    Mais uma vez a força de vcs transformou a dor imensa em um sentimento sereno e repleto de esperança, atitude extremamente positiva para a Vickinha, que recebe esse jato de luz que tanto a ajuda na sua evolução.
    Admirável!
    Bjo no coração da família toda

  6. Será que um dia, nos encontraremos com nossos filhos no céu?!
    A minha Maria Victória nos deixou a 7 meses….
    Essa dor que é tão profunda que não existe algo para nomeá-la!
    Quando me entristeço sempre procuro ler essas coisas lindas escritas para a Vickinha, meu apelido é Vickinha!
    Fica c Deus, Cláudia.

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