Overdose

Gente, esse post não é original. Eu também postei num outro blog que publico com meu amigo o Fran Papaterra, o “Um Peso e Duas Medidas”. Como o “Chega Mais” tem 30 vezes mais audiência que o “Um Peso e Duas Medidas” (que é novo), resolvi repicar este post aqui.

No “Um Peso e Duas Medidas” eu e o Fran quebramos o pau. Nossos posts são sobre um mesmo tema (daí o nome), mas via de regra expressamos opiniões frontalmente diferentes. Em nosso último post o Fran chutou o pau da barra. Ele me desafiou a provar que a Internet, e em particular as redes sociais, não são apenas instrumentos para roubar o nosso tão escasso e precioso tempo. Eu discordo do Fran em algumas poucas coisas, mas nesse tema batemos de frente. Eu discordo totalmente. Vai daí que procurei embasar bem a minha justificativa e saiu um texto bem legal.

Quando o Fran diz que a Internet é time consuming, eu não sou a favor, nem contra, muito pelo contrario. Permitam que me explique melhor. Sim, é verdade que a Internet é um mundo imenso, povoado de irrelevâncias, que se misturam a coisas muito relevantes e nisso eu estou inteiramente de acordo com o Fran. Porém, discordo frontalmente quando ele atribui esta característica exclusivamente à Internet.

A Internet nada mais é do que a dimensão virtual do mundo físico em que vivemos. Se o mundo de “tijolos & argamassa” aqui fora muda, essa mudança se reflete imediatamente na Internet. Na verdade, é o velho axioma: se inputamos merda em qualquer sistema, quem acessa recebe merda e não ouro. Na Interenet tem gente inputando de tudo, cabe a nós triarmos o conteúdo buscado.

Uma outra questão relevante está relacionada ao volume de informações que nos bombardeia hoje em dia. Nos tempos de meu avô, não preciso nem ir tão longe, nos tempos de meu pai, a triagem de informações relevantes era muito simples. No Brasil, tudo se resumia a dois ou três jornais,  à revista semanal “O Cruzeiro” e a “Manchete”, algumas poucas rádios AM e dois ou três dois canais de TV aberta. Passados pouco mais de cinqüenta anos, são centenas de canais de TV a cabo, dúzias de revistas semanais, de todos os tipos, dezenas de jornais, sem contar os globais, mais os canais públicos de informação (mídias eletrônicas de elevadores, aeroportos, ruas, etc). Dizer que é mais difícil triar as irrelevâncias de conteúdo do Facebook do que do Estadão de domingo é uma inverdade. Como escolher entre as centenas de filmes que são oferecidos nos canais a cabo diariamente? Até ler a sinopse de algumas linhas é time consuming.

Ou seja, meu caro Fran, viver nos tempos atuais se tornou muiiiitoooo mais complexo (e talvez até mais chato) do que no tempo de nossos avós. Somos atingidos por uma quantidade tal de informações que simplesmente nossos cérebros não conseguem processar e muito menos usufruir. Quantas vezes estamos diante de notícias relevantes, bem embaixo de nossos narizes e que não nos damos conta. Vamos a um exemplo prático. Vocês sabiam que:

  • Quem quiser tirar uma cópia da certidão de nascimento, ou de casamento, não precisa mais ir até um cartório, pegar senha e esperar um tempão na fila. O cartório eletrônico, já está no ar!
  • No caso de multa de trânsito, por infração leve ou média, se você não foi multado pelo mesmo motivo nos últimos 12 meses, não precisa pagar multa. É só ir ao DETRAN e pedir o formulário para converter a infração em advertência com base no Art. 267 do CTB. Levar Xerox da carteira de motorista e a notificação da multa.. Em 30 dias você recebe pelo correio a advertência por escrito. Perde os pontos, mas não paga nada.

Pois bem. Tudo isso saiu nos jornais, mas pouca gente viu. Eu descobri essas informações hoje, graças a Internet. Cabe a nós usá-la bem (thanks ao Google, por nos ajudar nisso), ou abrir e-mails e conteúdos de redes sociais “extremamente relevantes”, recebidos dos “amigos do peito eletrônicos”.

Ponto para o Fran no que diz respeito à irrelevância da maior parte do conteúdo das redes sociais, lembrando que as mesmas não são sinônimo de Internet. Mesmo assim, quando queremos saber se alguma tranqueira, nova recém lançada, presta, não existe nada melhor que dar uma fuçadinha nas redes sociais. Por exemplo, suponha que você esteja em dúvida sobre os prós e contras de comprar um iPad na versão atual. Há 10 anos atrás, você teria que pedir a opinião de um amigo geek, ouvir a opinião “nada tendenciosa” do vendedor, e decidir por sua conta. Hoje, graças à Internet, você gastaria cinco minutos para encontrar os prós e contras sobre o iPad e mais cinco para encontrar avaliações de usuários pioneiros.

Quer mais uma? Se você estiver no trânsito de São Paulo, e cair um daqueles dilúvios diários, entre no Twitter de seu celular e acesse o usuário @alagamentos_sp. Lá vão te informar se tem algum alagamento perto de você. É, ou não é porreta?

E aí, Fran, vai encarar?

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