Crowdsourcing: que p…. é essa?

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A primeira vez que ouvi falar do tema foi folheando a resenha do livro Crowdsourcing, de Jeff Howe, traduzido no Brasil com o título “O Poder das Multidões”. Movido pela curiosidade comprei o livro, que vai na linha do Wikonomics, porém um pouquinho mais ralo. Mesmo assim, trata-se de um livro interessante, até pela credibilidade do Jeff, editor da Wired e criador do termo Crowdsourcing.

O livro se foca no conceito de sabedoria coletiva. Nós consumidores já usamos de há muito essa vantagem, quando nos orientamos por dicas de outros consumidores sobre a qualidade, ou a usabilidade de um novo produto ou serviço, ou ainda coligindo dicas de viagem da boca de quem acabou de voltar, ou, de forma mais geral, usando o conceito de customer review (avaliação do cliente), que hoje é obrigatório no B2C. O site levelten faz uma excelente análise sobre os customer reviews, que merece ser lida.

Mas, o termo Crowdsourcing vai muito além do simples customer review. O Crowdsourcing oferece uma nova perspectiva às empresas, facilitando e barateando os processos de negócios, alem de abrir novas oportunidades. Houve um tempo em que as grandes corporações se diferenciavam por ter em suas folhas de pagamentos os melhores cérebros de cada setor. A IBM já teve alguns ganhadores de prêmio Nobel como seus empregados, mas isso ocorria nos bons e velhos tempos em que se podia “concentrar o conhecimento”. O hoje o conhecimento é disseminado e concentrá-lo está fora de cogitação, para qualquer nível de poder econômico. O gênio matemático que sua empresa precisa pode estar na Índia, sem chance de ser seu empregado. Mas, seu conhecimento pode estar disponível em rede, e de graça, através da Internet.

A Internet é um fenômeno sociológico, porque nela muitas vezes o maior dos egoístas na sociedade física está disposto a se dedicar parcialmente e colaborar com iniciativas em suas áreas de conhecimento, para ajudar desconhecidos. Ele faz isso just for fun, ou quem sabe movido pela eterna e universal vaidade humana, ou até para “ganhar uma graninha extra”.

As pessoas hoje têm a impulsão de participar de comunidades na Internet. Elas querem interagir, ver sua opinião reconhecida, para ganhar status e reputação. Alem disso, as comunidades sociais na web são por excelência diversificadas.

A exploração dessa diversidade é hoje vital para o sucesso corporativo. Um grupo de especialistas normalmente é homogêneo, até por ter a mesma formação e, portanto, gera soluções muito parecidas. Se todos eles trabalharem para nossa empresa, o drive do negócio limitará ainda mais a criatividade, resultando em pagar muitas pessoas para gerarem apenas uma solução, o que é obviamente anti-econômico.

Num grupo heterogêneo, como sempre ocorre em comunidades abertas na web, os perfis tendem a ser complementares, o que aumenta exponencialmente a capacidade de resolução de problemas. As comunidades, alem de facilitarem o acesso ao conhecimento específico de cada indivíduo, oferecem a quantidade que o dinheiro não pode pagar. Hoje, o melhor relatório sobre tendências em tecnologia de ponta, o Horizon Report, é produzido num modelo Wikipédia e utilizado pelas maiores universidades e corporações do planeta, para formarem novos profissionais e atualizarem seu portfólio de produtos e serviços. Cada edição do Horizon Report é liberada com uma licença Creative Commons, podendo ser livremente replicada e distribuída para propósitos não comerciais, desde que seja apresentada sempre na sua integridade e sem alterações.

O mercado de imagens aponta a grande transformação que está sendo operada na migração na web do copyright para o copyleft. Quando a iStockphoto e outras agências menores, como Dreamstime, começaram a oferecer fotos gratuitamente, gigantes como a Getty Images se revoltaram. Até que, no início 2006, a Getty Images comprou a iStockphoto por USD 50 milhões. Hoje, paradoxalmente, o faturamento da iStockphoto’s cresce a cerca de 14% ao mês.

A Wikipedia foi a primeira iniciativa concreta de Crowdsourcing, sugerindo o imenso potencial do modelo de uso do conhecimento coletivo. Imediatamente, empresas como a eBay passaram a ter mega lucros, que não existiriam sem o Crowdsourcing.

Os eBooks trouxeram uma nova onda de conteúdos free ware, que atraem novos usuários. Esses usuários, junto com o free ware, baixam mais uma dúzia de conteúdos pagos. Você sabia que qualquer um pode publicar um livro a ser distribuído gratuitamente pela Amazon?

Na verdade, todas as empresa que cresceram com a Internet foram, pouco a pouco, aprendendo a tirar vantagem de um mundo conectado em rede. Hoje, mesmo as empresas mais antigas e tradicionais, começam a ser atraídas pelo potencial de produtividade adicional, oferecido pelos milhões (em breve bilhões)  de cérebros permanentemente conectados e disponíveis. A mão de obra, barata e altamente qualificada, de indianos e chineses tem sido utilizada por empresas americanas, para executar tarefas que vão desde de declarações de imposto de renda, passando pelo desenvolvimento de software, até a análise de tomografias computadorizadas.

Importante lembrar que o uso desse potencial coletivo tem sido viabilizado financeiramente pelos avanços tecnológicos da banda larga e dos equipamentos utilizados na conexão das duas pontas (empresa contratante e indivíduo prestador de serviço), tais como softwares de design encriptação e análise, web cams, e outros gadgets necessários à interconexão das partes.

A mão de obra coletiva e altamente qualificada não tem que ser necessariamente gratuita, mas custa infinitamente mais barato (sem falar do fator quantidade e diversidade, abordados anteriormente) do que seria contratar esses cérebros e colocá-los na folha de pagamento.

Nós mencionamos que o Crowdsourcing é um fenômeno sociológico. Mas, mais que isso, trata-se de uma hype econômica, que une americanos, europeus, japoneses, coreanos, chineses, brasileiros, indianos, e até mesmo iranianos e cubanos, numa grande rede de multiplicação e distribuição do conhecimento humano.

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