Um monte de cocô e um cotonete… [2/3]

No meu post anterior eu expliquei o dilema do cotonete. Sabemos que não existem soluções fáceis para problemas complexos e, em se tratando de Brasil, põe complexo nisso. Uma das manchetes do Estadão de hoje fala da “desindustrialização” do país, em função do custo Brasil. É algo dramático descobrir que é mais caro produzir carros no Brasil do que na Alemanha, um dos países com custos de mão de obra mais altos do mundo.

Eu acho, melhor, eu tenho certeza que as mazelas do pais têm solução. A questão toda é o timing. Se desejamos que nossos filhos, ou nossos netos, assistam a um país realmente moderno e respeitado pelo resto do mundo, algo precisa ser feito já. Estado e cidadãos precisam assumir suas (difíceis) responsabilidades. Hoje falarei das responsabilidades do Estado brasileiro.
De início, a solução passa pela estratégia do “Jack O Estripador”: vamos por partes. E, se a saída é priorizar e escolher meia dúzia de problemas de base para nos focarmos, o desafio é: o que deixar de fora? Na verdade nada deve ser deixado de fora; todos os problemas acima mencionados precisam ser atacados simultaneamente, mas alguns deles com mais ênfase e urgência que outros.

Claro está que em se tratando de escolher prioridades o conflito e a polêmica são inevitáveis, portanto não briguem comigo. Trata-se apenas de uma opinião dentre muitas. Eu acho que o próximo governo (presidente e congresso) deveriam escolher três grandes prioridades para atacar:

  1. Representatividade política;
  2. Redução das despesas de custeio do governo federal (enxugamento da máquina pública);
  3. Reforma tributária.

Muitos vão pensar: mas e a saúde? E a educação? E a justiça emperrada? E a legislação trabalhista herança do Mussolini? Vocês hão de convir que sem representatividade política da população no congresso (vulgo voto distrital) nossas prioridades nunca serão as mesmas dos congressistas. Sem a redução do custo Brasil não vai sobrar dinheiro para a saúde, nem para a educação, nem para a infra-estrutura. E, sem a reforma tributária os empresários ficam de mãos atadas, pois qualquer mega investimento é temerário.

Portanto, se eu estivesse no sapato da Dilma (o numero deve ser grande), ou do Serra, minha primeira ação de governo seria mandar um projeto decente de reforma política para o Congresso. Colocaria aí todas as minhas fichas do primeiro ano de governo. Simultaneamente, enquanto minha popularidade ainda estivesse em alta, cortaria os custos de governo na carne, através do enxugamento e profissionalização da máquina administrativa.

Feita a reforma política, atacaria a reforma tributária com tudo, enfrentando de peito aberto a ira de governadores e prefeitos. Parte do trabalho seria repensar o modelo de investimentos públicos no Brasil, descentralizando as verbas e as ações de governo e aumentando os controles sobre o (bom) uso do dinheiro.

Ao final do primeiro mandato eu estaria só com o cabinho do cotonete na mão, minha popularidade talvez estivesse em baixa e o segundo mandato em risco. Mas, em compensação, parafraseando o Getúlio, sairia da política para entrar para a história. Quais as chances da Dilma, ou do Serra, seguirem meus conselhos. Com relação à Dilma, zero. Quanto ao Serra, bem aí tudo pode acontecer, existe uma chance de que pelo menos as questões sejam atacadas parcialmente.

No próximo e último post desta série abordarei a segunda parte do “embroglio chamado Brasil”: o comportamento e as responsabilidades do cidadão.

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