O governador Arruda não exxtava dentro!

Não se assustem. O verbo ESTAR não mudou com a nova ortografia. O “não exxtava” é uma tentativa canhestra de sonorizar o inimitável sotaque carioca. A historinha abaixo era contada por um amigo carioca (Decião, que Deus o tenha, onde quer que você esteja) em festinhas de aniversário e casamento, quando a mulher estava longe e ele já havia entornado vários whiskies. Ele jurava que a história era verídica, mas isso eu não garanto.

“Há muito tempo, quando ainda havia malandragem honesta no Rio de Janeiro, um senhor casado, morador de Botafogo, de nome Patrocínio e famoso pela galinhagem, se surpreendeu quando a mulher contratou uma empregada doméstica de fechar o comércio. A morena Ideli era passista da Mangueira, 1,80 m de pura maciez e gostosura, formas perfeitas, um sorriso capaz de descongelar o José Serra e, digamos assim, flexível, disposta a viver novas experiências.

O Patrocínio, ou Patrô para os amigos, ficou na dele e fingiu que nem tinha notado a novidade. Sua mulher, obviamente carioca, também ficou na dela, mas de olho no Patrô. O primeiro mês transcorreu sem susto, até que o Patrô sentiu que a patroa tinha relaxado na guarda da Ideli (ou pelo menos era isso que ele achava). Numa noite tranqüila, com a mulher roncando a sono solto, o Patrô se levanta e, pé ante pé, e vai fazer uma visitinha ao quarto da Ideli. A cena no quarto da cabrocha era de tirar o fôlego, lembrando as histórias de Nelson Rodrigues. A Ideli, em pleno verão carioca, dormia nuazinha, com seu bumbum nota 10 virado para o luar que entrava pela janela aberta. Ao perceber o Patrô a Ideli, que também era carioca, não passou recibo, nem abriu os olhos, mas apenas puxou as cobertas para o lado, abrindo espaço para o patrão. O Patrô, a esta altura já com sua “espada” desembainhada e pronta para ação, não titubeou e pulou pra dentro da cama da Ideli. Nesse exato instante as luzes se acendem e a patroa, cabeça cheia de bobs, entra gritando para todo o bairro ouvir:
–    Patrô, que merda é essa que você está fazendo???!!!

A Ideli, carioca da gema, não passa recibo e finge dormir. O Patrô se levanta como um lorde inglês, veste o robe e, todo fleumático, responde:
–    Querida, eu não exxtava dentro, não exxtava dentro!

E, também sem passar recibo, o Patrô volta a seu quarto, deita e adormece de imediato, deixando sua esposa a se perguntar se quem sabe aquilo tudo não passara de um sonho.“

Ao recordar essa história, me lembro do Décio e rio sozinho. Fico pensando que se ele ainda fosse vivo iria imediatamente relacionar o Governador Arruda ao Patrô. O Arruda não é carioca, mas o estilo é inconfundível, igualzinho ao do Patrô.

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