Tô de saco cheio!

carga_tributariaTodo processo de mudança requer um estopim, um fato disparador, a partir do qual o que era um foguinho vira um incêndio e depois disso ninguém segura. O Brasil de 2009 é referência para o mundo, em se tratando de democracia e economia, mas tem mazelas que colocam nosso futuro “em berço esplêndido”, a menos que um processo de mudança seja disparado já.

Apesar da aflição da população mais esclarecida, que enxerga todos os problemas óbvios relacionados à re-estatização da economia, aos gastos públicos absurdos, à carga tributária escorchante, ao anulamento gradativo do poder legislativo, às deficiências crônicas da infra-estrutura e às reformas estruturais críticas que são sempre adiadas (política, tributária, trabalhista e previdenciária), as duas extremidades da pirâmide social brasileira continuam tranquilas. Os muito ricos (acima da lei) e os muito pobres (comprados pelos programas sociais) estão felizes. No meio desse sanduíche a classe média que se lixe (olha a devolução do Imposto de Renda retida aí gente)! Lamento ser o estraga prazeres, mas gostaria de relembrar que não existe um só caso de sucesso continuado no mundo, baseado apenas nas extremidades da pirâmide social. Sem classe media forte e saudável a social democracia é impossível.

O executivo enguliu o judiciário? A mídia está sob controle (vide censura ao Estadão), a justiça é inoperante, as oposições estão sem discurso (diante da popularidade do “rei populista”) e a massa é ignara e ignorante, deitada em tacho esplêndido de merda quentinha. O que fazer para mudar tudo isso que está aí? Será que eleger um presidente do PSDB vai resolver nosso problema (já estiveram por lá e, embora mais racionais que os petistas, não mexeram para valer nas feridas)? Eu acho que não. Nenhuma revolução se inicia sem um trauma e acho que o Brasil só mudará com um processo revolucionário, não necessariamente violento, mas com toda a sociedade engajada com as mudanças.

Hoje conversando durante o almoço, um amigo levantou uma possibilidade que me pareceu muito razoável. Programas sociais estapafurdios e gastos públicos absurdos são bancados por um sistema tributário, talvez o mais ineficiente do mundo, que nos toma quase 40% de tudo o que produzimos. E a agravante: quem paga a parcela imensamente maior dessa conta é o Sudeste brasileiro, incluindo MG e excluindo RJ.

Cedo ou tarde, os estados ricos e seus moradores (do governador ao catador de papel) vão ficar de saco cheio de subsidiar o lado ineficiente da “Belíndia”. Um esboço de movimento separatista já ocorreu no passado no RS (como sempre os gaúchos), mas acabou em pizza. Meu amigo acha que desta vez sera diferente e eu concordo com ele. Diante da alternativa de continuar pagando 80% de uma conta de maus gastos que não lhes pertence, cedo ou tarde haverá um levante nos estados do sudeste brasileiro.

Ou seja, a revolução não virá do José Serra, nem do PSDB, nem do congresso e muito menos das lideranças esclarecidas (mas cooptadas)… o estopim da revolução brasileira serão os impostos absurdos, bancados pelos mais ricos para gastar mal para iludir os mais pobres. E eu pergunto: o que todos nós podemos fazer para antecipar um pouco esse momento? Eu não sei quanto a vocês, mas eu já estou de saco para lá de cheio!

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Uma consideração sobre “Tô de saco cheio!”

  1. Separatismo! Agravar a desigualdade? Não creio nessa solução. Que os recursos são terrivelmente gerenciados, de pleno acordo. Mas não vejo nada que solucione sem passar por uma melhor distribuição de renda (real e sem populismo).

    E se a gente vendesse um pedaço? Tipo, vender o Acre? 😛

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