Frustração e superação, dois lados da mesma moeda

isinbayevaO destino do ser humano é aprender pelo erro, testando caminhos, escorregando, caindo, se levantando, se erguendo e tentando de novo, desejavelmente por um caminho novo, pois insistir num erro não original é a maior estupidez que um ser humano pode cometer (por que tentamos às vezes repetir um processo que deu errado, achando que na segunda vez dará certo?).  Eu sempre fiz questão de incentivar, premiar mesmo, os erros originais em minha empresa. Sem tentar novas portas não se abrirão. Por outro lado, sempre fui implacável com a reincidência cega e teimosa.

Bem, nada disso é novidade. Todos os gurus de inovação são unânimes em dizer que a luz de uma sacada surge depois de muitas tentativas (importante: em direções diferentes). A repetição de um procedimento, mudando-se continuamente a estratégia, resultará quase que inevitavelmente em originalidade e bons resultados. O “X” da questão é: como nos mantermos motivados e dispostos para cair, levantar e tentar de novo o mesmo procedimento, com uma estratégia diferente? Tem horas que a gente desanima, que acha que o obstáculo é maior que nossa capacidade, que não temos mais força para tentar de novo. Qual é o truque de pessoas persistentes, como o Abílio Diniz (meu guru), para não desistir nunca?

A resposta não é simples e nem sei se existe uma, ou muitas, uma para cada indivíduo. Portanto, o que posso fazer é dar meu depoimento pessoal. Eu me considero um estóico, daqueles tipos que não desiste nunca, tipo cachorro que nunca larga o osso, quase teimoso (minha mulher não concorda com o quase). Mesmo assim, tem ocasiões (felizmente poucas) em que me sinto derrotado. Vou exemplificar:
•    Quando eu estimulo um novo comportamento, ou a adoção de um novo processo na empresa, e após muitas e muitas reincidências, ainda constato que a galera continua apegada (e aferrada) ao modo antigo e confortável (o tonel de cocô é sempre quentinho…) de fazer as coisas.
•    Quando eu tento uma ação e, mesmo mudando a estratégia muitas vezes, ainda assim o resultado continua vindo negativo. Onde estará o turning point?
•    Quando eu estabeleceço uma meta e não chego nela, não importa o esforço que faça. Será que fui mal ao estabelecer a meta (superestimei), será que escolhi mal a estratégia, ou estou apenas sendo fraco? Parodiando Lippy the Lion: “Oh dia, oh azar…. Isso não vai dar certo”!

O que fazer quando bate essa maré de desânimo? Tem gente que reza e pede forças, tem gente que agenda uma visita ao analista e tem outros que vão para um bar com os amigos e enchem a cara (e o saco dos amigos com a chorominga). Tudo isso está certo e quem sou eu para discordar. Mas, isso não é tudo, dá para fazer algo mais.

A frustração é um grande, senão o melhor, combustível de mudança de atitude. A raiva positiva, segregada pela frustração, nos leva a dar tratos à bola, buscando caminhos alternativos, ou até mesmo energia adicional para “correr mais uma milha”, quando aparentemente não sobrou nenhuma gota de combustível no tanque (e sempre sobra). É preciso saber lidar com a frustração, como lidamos com o stress, ou seja, não os deixarmos matar pela decepção, mas utilizá-la para dar uma chacoalhada na moral baixa, buscando aí a inspiração para a virada.

Um belo exemplo desse tipo de atitude (em todos os aspectos), nos proporcionou a russa Yelena Isinbayeva, que quebrou o recorde mundial no salto com vara, com 5,06 metros (seu próprio recorde anterior, de 5,05 metros, foi conquistado nas Olimpíadas de Pequim), durante o meeting Weltlklasse Golden League na Alemanha, uma semana após fracassar no Mundial de Berlim e terminar em último lugar na final.

Veja o vídeo da Isinbayeva e se inspire, nela e no salto.

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