Falta de educação 2.0

geek-nerd-thumb5702645Nos meus bons e velhos tempos de menino, falta de educação era conversar no fundo da sala de aula, desrespeitar os mais velhos, limpar caca de nariz, soltar pum no elevador, beliscar a bunda das meninas e outros hábitos toscos, mas razoavelmente saudáveis, alguns até justificáveis.

Mas, no Brasil tudo está em contínua evolução, desde o mau carácter (onde ninguém supera os Sarneys), passando pela corrupção, pela má distribuição de renda e até chegar na falta de educação. Hoje, 2.0 é sinônimo de modernidade. O termo 2.0 está intrinsecamente ligado às novas tecnologias e à interação social via Internet e devices móveis (laptops, netbooks, celulares 3G e PDA’s em geral). Uma sociedade 1.0 é uma sociedade ilhada, enquanto a sociedade 2.0 é plugada e interconectada.

Vai daí, que os sem educação profissionais evoluiram em seus atos de agressividade, arrogância e mau gosto, para um perfil também 2.0. A falta de educação 2.0 é a online e real time.

Vou descrever alguma situações típicas de falta de educação 2.0 e sua ficha vai cair:

  • Você entra numa sala de chat e, covardemente incógnito, sacaneia com o papo de todos que estão na sala. Palavrões fora de hora, gozações em cima de participantes mais quadradões, e por aí vai, são formas de humilhação e agressividade 2.0.
  • Você recebe um e-mail de uma corrente qualquer (não quebre senão você vai ficar brocha em uma semana…) e repassa impunemente para dez “amigos”. Isso é encheção de saco 2.0.
  • Você mantém seu Messenger aberto para todos aqueles com quem você combinou interagir durante o dia, mas só responde àqueles que te interessam. Para os demais você dá uma de “João sem braço”. Isso é desprezo 2.0.
  • Você identifica quem está te ligando pelo celular, mas só atende a alguns poucos. Aos demais não liga de volta, nem se deixarem uma mensagem em sua caixa postal. Isso também é desprezo 2.0.
  • No Natal, ou Reveillon, você pega uma mensagem pronta enorme, sugerida pela operadora, e dispara para todos seus amigos, certo que eles vão acreditar que você bolou algo bacana e sob medida para cada um. Isso é presunção 2.0.

Eu poderia me estender por muito tempo sobre esse tema, pois exemplos não faltam. Quero porém reservar o final deste post para destacar a falta de educação 2.0 top de linha: ler e responder e-mails pelo celular em público.

E-mail pelo celular é um conforto maravilhoso. Se você tem um 3G, se for com uma tela touch então (tipo iPhone) aí nem se fala. É o recurso perfeito para você se livrar de sua caixa de e-mails no táxi, o aeroporto enquanto espera o avião, na sala de TV enquanto sua mulher vê novela (muito discretamente) e até nos fundos do salão de um cocktail de negócios muito boring. Em todas essas situações checar e-mail pelo celular é “in” e faz todo o sentido. Agora vamos às formas mal educadas, bregas e arrogantes de checar e-mail pelo celular (e infelizmente as mais comuns):

  • Na praia, ou no Ibirapuera, durante uma caminhada com a namorada, ou esposa, ou amigo.
  • No cinema.
  • No almoço com os colegas de trabalho.
  • Durante uma reunião no trabalho, enquanto algum colega apresenta algo que não te interessa, ou que você se acha o maior sabichão.
  • Num conference call com um cliente (já que ele não está te vendo mesmo).
  • Numa rodinha de café.
  • Na academia (santo Deus…!!!).
  • No boteco, às 7 da noite tomando um choppe com os amigos.
  • Na igreja (você não acredita? precisa frequentar mais a missa das 10).

Se você chama a atenção de um desses modernos “bregas 2.0”, que se acham a última bolacha do pacote, cujo tempo é mais precioso que o do Barack Obama, a resposta é padrão: eu estava atendendo a uma urgência. Defina urgência…

Para esses “chatos virtuais”, ou “cyber chatos”, respondo sempre com perguntas:

  • Você abre-mail durante uma transa?
  • Você abre e-mail durante uma entrevista para emprego?
  • Você abre e-mail na frente do guarda que está te multando?
  • Você abre e-mail tomando caipirinha com alguém para quem você deve uma grana?

Não abre? Então, neguinho, além de “cyber chato”, você é um “cara de pau eletrônico” e um “cagão 2.0”. Me xinguem se quiserem.

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5 opiniões sobre “Falta de educação 2.0”

  1. hauahuahuahua “cagão 2.0” adorei a expressão. eu acho uma tremenda falta de educação tb. acho que em qualquer mundo, 1.0 ou 2.0, o mínimo que se pode fazer é ter bon senso. infelizmente isso tem se tornado cada vez mais opcional =(

  2. Augusto seu texto retrata bem o que acontece!!!
    Aproveito para dividir uma situação de universitários que usam celular em sala de aula nas mais diversas situações. Uma total falta de educação e as vezes falta de respeito com os colegas. Mas surge aquela idéia: “A pessoa não pode dar o que ela não tem e se não tem educação… Como pode ter educação se ela nunca teve educação?!!!”
    Ser educado é algo admirável mas ultimamente… a solução é ignorar os ignorantes porque jamais vão entender qualquer explicação para melhorarem o comportamento. Com o passar do tempo ou eles mudam para melhor ou continuam vivendo na ignorância por não ter capacidade de raciocinar que “o direito de um termina quando o direito do outro começa”. Pode ser falta de capacidade?!!! Pode!!! Afeta as pessoas mas afeta muito mais quem rola na lama da ignorância acreditando que tem liberdade para fazer tudo o que quer. Lamentável… Dignos da miséria humana que “acha” que pode tudo !!! Observe: na maior parte são pessoas infelizes e agressivas porque vivem nas trevas, vivem no “apagão” da boa convivência em sociedade!!! Existe “apagão” na educação!!! Deus nos livre desses “apagadinhos” !!!

    1. Prezada Claudine, além da questão de pura e simples falta de educação, existe também uma questão técnica, que é o déficit de atenção crônico da atual “geração M”, ou geração multi-mídia (leia mais em https://augustocvp.wordpress.com/2009/05/06/a-geracao-m/). A geração M assiste aulas, vai ao cinema, estuda, vai para a balada, etc, sem se concentrar 100% em absolutamente em nada. Você conseguiria se imaginar estudando com a TV ligada, passando torpedos, usando o Messenger no laptop, de olho no Twitter do celular, tudo isso ao mesmo tempo? A geração M consegue, mas com uma aparente falta de atenção que se confunde com a falta de educação. Será que essa geração vai falhar como pensadores, cientistas, poetas, escritores, executivos, etc? Acho que não. Acreditar nisso seria saudosismo. As gerações que se sucedem nunca são piores do que as anteriores e para mim isso é um dogma. Acho, isso sim, é que o processo mental de aprendizado, raciocínio e relacionamento da atual geração vai ser muiiiitooooo diferente da nossa geração (ooopps, desculpe; não sei que idade você tem). Observe seu filho, seu sobrinho, ou o jovem ao seu lado e pense a respeito.

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