Novas mídias

global-community-thumb6476377Todos os dias alguém anuncia o fim das mídias tradicionais, particularmente a mídia impressa, com o crescimento das novas mídias (mídias sociais, via Internet).

Verdade seja dita que uma das mídias mais questionadas quanto à sua sobrevivência, o radio, foi a que mais se revigorou e rejuvenesceu com o advento da Internet. Hoje, quase todos os radialistas são blogueiros (ou são os blogueiros que viraram jornalistas?) e os ancoras dos principais programas jornalisticos trabalham ao vivo, plugados na Internet, enquanto conferem outras mídias (TV e mídias impressas).

Para utilizar um exemplo real e recente, os distribuidores de jornalzinhos gratuitos (tipo Metro News) enviam torpedos para as redações dos jornais matutinos (CBN, Band News) informando ao vivo sobre a situação do trânsito, o que é imediatamente repassado aos ouvintes. Isso é melhor que o helicóptero que cobre o trânsito!

A TV já passou por uma onda de revitalização, com a popularização da TV a cabo. Hoje, canais temáticos como NatGeo, GNT, Multishow, Globo News e os vários canais de filmes e esportes, certamente atingem o telespectador “na veia”.  A chegada da TV Digital dará o próximo passo, integrando a TV à Internet e à personalização total do atendimento.

A indústria do cinema também não morreu com a concorrência da TV, se reinventando com a produção em massa de videos caseiros  e o pay per view da própria TV. Mais recentemente, o 3D ressuscitou, junto com as salas Multiplex e o atendimento de luxo, com poltronas reclináveis e atendimento de bar in loco.

Portanto, sobram os jornais e revistas, que tremem à menção da palavra blog, Mais que isso, tremem à menção do termo Mídia Social, sinônimo (além do blog), de Twitter, YouTube, Flickr, Slideshare, Linkedin, Orkut, Facebook, etc. Nesse mundo novo, todos geram conteúdo e todos opinam. Os jornais também tremem diante das mídias online “mal passadas”, tipo Terra, UOL, G1, CNN, etc, além dos painéis de notícias de elevador (tipo Elemídia), temendo que matem no público a vontade de ler a notícia impressa.

Falta nessa análise incluir uma palavrinha, que faz toda a diferença: CREDIBILIDADE. A credibilidade está sempre associada à uma marca conhecida que inspira alguma coisa: segurança, inovação, emoção, mudança, poder, crescimento, etc. Marcas são associadas a empresas, pessoas, instituições e entidades de quaisquer tipos. Um jornalista blogueiro é às vezes uma marca muito mais forte e visível do que o jornal que o contrata (apenas ele não se deu conta disso, ou tem mêdo da responsabilidade). Da mesma forma, um politico pode ter uma marca mais forte que seu partido. A marca Lula, por exemplo, hoje provê credibilidade ao PT.

Tudo isso para dizer o seguinte: não é qualquer blogueiro, ou qualquer twiteiro que vai ameaçar a estabilidade das grandes mídias tradicionais; são novas marcas, de pessoas ou entidades, que utilizarão a web para fazer um contraponto à mídia tradicional. Como marcas não são construídas da noite para o dia e como nem sempre pessoas físicas com marcas relevantes querem expô-las na Internet, eu acredito que o processo de compartilhamento de poder entre as mídias tradicionais e as novas mídias vai levar algum tempo para ocorrer. Quanto tempo… um, cinco, dez anos? Só Deus sabe, pois o processo de transferência de influência entre mídias tradicionais e mídias sociais é um processo que transforma a sí mesmo ao ser executado. Essa é uma das características mais intrigantes da mídia social: quem inicia um movimento nunca sabe onde ele deve terminar.

Portanto, a nós, míseros consumidores, ou mesmo poderosos geradores de conteúdo de mídia social, só nos resta uma alternativa: não ignorar, mas participar ativamente dessa nova onda, seja ela uma marolinha, ou um tsunami.

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Uma consideração sobre “Novas mídias”

  1. Não tenho um ponto de vista fechado a respeito, tenho a nítida sensação de estar no meio dessa onda, mas ela mais me leva do que eu vou nela. Vou aprendendo pelo caminho. Talvez o fato de ser interessante é que ninguém controle totalmente. E acho que está mais para um tsunami.

    Engraçado porque o que me faz hoje recorrer aos blogs e afins como fonte de informação é justamente a credibilidade. Tendo a confiar mais em uma pessoa que em uma instituição. É meio maluco, mas confio mais em um blog pessoal, mesmo quando não seja uma marca tão estabelecida, que em um jornal tradicional.

    Acho que a mídia social acaba criando um filtro que me interessa e poupa tempo. Além da questão da credibilidade, por exemplo, não tenho condição de absorver toda a informação que vem nos jornais. Em um blog, no twitter ou similares, só chegam as informações relevantes, já vem as manchetes filtradas. Outra incoerência, né? Só passa a interessar no mundo real o que sobrevive ao mundo virtual.

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