O Brasil tem jeito?

brasileiro_~200572978-001Ignorância, corrupção endêmica, violência, destruição da natureza, miséria, péssima distribuição de renda, concentração urbana, sistema carcerário da idade média, falta de representatividade política, etc, são alguns dos males que muito nos incomodam. O receituário de mudanças são conhecidos e veiculados na imprensa diariamente: reformas política, eleitoral, trabalhista, judiciária, tributária, trabalhista, enfim, uma nova constituição e uma reforma ampla do código civil.

Será que temos energia para todas essas mudanças, tão necessárias? Infelizmente, não acredito que haja a menor possibilidade prática de sucesso no curto prazo. Como você, eu também me sinto revoltado por ser prisioneiro de uma país ignorante e cruel (imagine então se fosssemos venezuelanos, paraguaios ou bolivianos?!).

Razões pelas quais não acredito que o Brasil mude em menos de 2 a 3 gerações:

  1. A postura do brasileiro é péssima (individualista e preguiçoso para encarar mudanças) e isto é assim desde Dom João VI (leia o livro “1808”… é brilhante).
  2. O brasileiro odeia política e por conta disso delega a gestão da coisa pública a uma súcia de ratos.
  3. O brasileiro, em geral, acha que a corrupção é aceitável e aprendeu a conviver com ela (participativamente).
  4. Os poucos políticos que pareciam ter uma postura honesta, mesmo que ideologicamente pudessemos discordar deles (vide Suplcy e Gabeira), se mostraram no escândalo das passagens aéreas como “farinha do mesmo saco”.
  5. O brasileiro médio é muito ignorante para entender todos os erros do país.
  6. Mesmo que um governante visionário decidisse investir pesado na educação de uma geração inteira, só sentiriamos os efeitos positivos em uns 50 anos.
  7. O brasileiro adora políticos “paizões”, que cuidam dele, como Getúlio e Lula. Quando o Lula morrer, outro oportunista como ele vai substituí-lo.
  8. O Brasil está engessado a partir de sua constituição e de pilares jurídicos pré-históricos. O povo não entende e os políticos não querem mudar. Perdemos a chance histórica da “faxina rápida” na revolução de 64, coisa que (com toda sua violência nefasta) os chilenos fizeram.
  9. Os partidos estão dominados e gente limpa não consegue se infiltrar (vide tentativa no passado do Antonio Ermírio).
  10. Para criar um novo partido que se torne representativo temos barreiras quase intransponíveis na legislação eleitoral.

Isso quer dizer que o Brasil não tem jeito? NÃO! Quer dizer que vai levar séculos. Corrupção e ignorância só se curam com séculos de democracia. Enquanto temos algumas poucas décadas, americanos e europeus somam séculos de constituições estáveis e regras do jogo bem claras e definidas. Sinto dizer, mas não acho que exista atalho para o amadurecimento da democracia e este ainda é dos piores caminhos o melhor, senão o único.

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