A Geração M

young-man-using-laptop-thumb8936935A geração que ocupará o poder em cerca de 10 a 15 anos tem hoje entre 8 e 10 anos de idade. Ela é chamada de “Geração M”, ou “Geração Media”, dada à tremenda exposição diária a todos os tipos de media.

A gente pode pensar num primeiro momento, que esse é um efeito mais presente na vida de jovens americanos, europeus, ou japoneses e que nós latino-americanos, pobres e ignorantes (comparativamente), estamos fora dessa onda. Ledo engano! Estudos recentes do IBOPE demonstram que os jovens brasileiros favelados passam praticamente o mesmo número de horas à frente de um computador, que seu contemporâneo residente no Leblon. Esse efeito é devido à proliferação das Lan Houses, baratíssimas, entre as populações das classes C e D, nos bairros da periferia e favelas. As bugigangas eletrônicas chinesas, pirateadas, também viabilizam que o jovem carente também esteja literalmente wired.

A Geração M, além de plugada é multi-task. Esses jovens abrem seu browser em diversas janelas ao mesmo tempo, conversam com várias pessoas on-line através de uma ferramenta de messenger, enquanto ouvem música num MP3 player, assistem à TV (muitas vezes no computador), tudo isso com o celular ao lado (que por sua vez representa uma porta de entrada para a Internet), enquanto tentam estudar, ou trabalhar. Será que isso funciona? Como o efeito multi-task ajuda (ou atrapalha) a performance dos jovens no estudo, ou no trabalho? O quanto essa postura implica em mudanças na metodologia de ensino, ou mesmo nos métodos de trabalho?

Esses jovens tentam acompanhar as continuas mudanças que ocorrem no mundo em que vivem através da media. No passado também fazíamos muita coisa ao mesmo tempo, mas obviamente só uma delas concentrava nossa atenção. Experimente correr no parque ouvindo seu MP3 player. Só raramente você presta atenção à musica de fundo, pois na maior parte do tempo sua concentração estará no ritmo, no fôlego, na máquina física que exige monitoramento constante.

A Geração M, aparentemente, consegue atuar simultaneamente através de várias medias. Mas, com que grau de concentração e com que profundidade? Nossa concentração nunca é simultânea. “Concentração e reflexão significam trabalho intelectual e certa paciência, que a geração M não tem. Esse novo público absorve informação de forma mais direta e objetiva, além de ter mais controle e liberdade de escolha sobre o conteúdo que recebe.”, são observações de Patrícia Zgoda em seu excelente post no blog MD (Media Digital).

Para entender a Geração M existem poucos estudos publicados. O mais conhecido foi conduzido pela fundação norte-americana Kaiser Family em 2005, que cunhou o termo Geração M. O relatório deste estudo tenta mostrar uma fotografia detalhada do comportamento dos jovens norte-americanos no uso da media para fins de recreação, ou comportamento não relacionado a ações estimuladas pela escola. É baseado numa amostra de 2.032 jovens, entre 8 – 18 anos, que responderam a um longo questionário sobre o uso dos mais diversos tipos de media. Adicionalmente, 694 jovens desse grupo preencheram um relatório diário, detalhado, sobre o uso da media na sua rotina.

Alguns dos dados coletados pelo relatório são assustadores. Por exemplo. Os jovens norte-americanos da atual geração passam mais de 6½ horas por dia utilizando media! Um quarto do tempo em que os jovens estão utilizando media, eles utilizam duas, ou mais, simultaneamente. Durante seu dia esses jovens ficam expostos a mensagens de media por mais de 8½ horas.

O Relatório Kaiser Family sobre a Geração M é pesado e acadêmico. Mesmo assim, sua leitura, ou ao menos uma passada de olhos, vale a pena para aqueles que hoje criam e educam “jovens M”, mas que amanhã terão que contratá-los, treiná-los e aproveitá-los em suas empresas. Ou mais difícil ainda, convencê-los a comprar algo de nossas empresas.

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6 opiniões sobre “A Geração M”

  1. Comigo sempre foi assim! 🙂

    Minha mãe brigava MUITO comigo porque eu estudava com TV e internet ligadas, fazendo os três ao mesmo tempo.

    Ainda hoje, não consigo me concentrar em uma coisa por vez: sempre estou com pelo menos 3 assuntos totalmente diferentes rolando simultaneamente. Me focar em uma só coisa exige todo um ritual, que inclui sair do meu ambiente normal de estadia e me isolar de qualquer contato com seres humanos ou internet.

    Mas deve vir de berço: desde criança eu já prestava atenção na conversa dos adultos e na televisão enquanto brincava… 😀

    Essas novas gerações vem ainda pior do que eu. Multi-task hiperativo.

  2. Recentemente ouvi uma palestra do Bob Wollheim sobre a Geração Y, “a primeira que chega à vida adulta tendo o mundo digital como algo presente em suas vidas, e não como uma novidade. E que hoje representa 47% da força de trabalho nas 500 maiores empresas brasileiras.”

    E, como a vida não pára, aí vem a Geração M.

    Lendo teu post sobre a “M”, achei muita semelhanca e pouca diferença entre as letrinhas. Não consegui fazer distinção. Você consegue ver umtraço diferenciador?

    1. Oi, Beia, obrigado pelo prestígio. Você está certa, geração Y e geração M são mesmo coisas parecidas. Na verdade, trata-se da mesma geração, a que está entrando no mercado de trabalho hoje. A diferença entre Y e M está na análise que se faz do mesmo grupo etário.

      O Y analisa os jovens do ponto de vista motivacional. O que nos motivava (não sei que idade você tem, mas eu sou coroa…) não motiva a geração Y. A geração Y não valoriza tanto, como nós valorizamos, o dinheiro, o poder, a carreira, o prestígio,… Essa geração dá muito mais valor para os desafios, para o espaço propositivo e criativo, para a preservação do tempo pessoal e para a inovação. As empresas estudam as reações dos Y’s para saber como atraí-los para o mundo corporativo, motivá-los e retê-los em nossas empresas.

      No caso da análise desta geração pelo ângulo M, geração Multi-Media, o objetivo é entender como esses jovens aprendem e se comunicam, por vários canais ao mesmo tempo, para aumentar a eficácia do contato com eles. A análise M interessa mais a educadores e a agências de comunicação, do que ao mundo corporativo.

      Não sei se respondi à sua dúvida. Sinta-se à vontade para me contatar por e-mail ou telefone (2244-5999).

      abs

      1. WOW! super respondeu! eu sou geração X, 55! O maior desafio corporativo é realmente atrair, motivar e RETER esta Geração. Pior, que muita empresa nem sacou ainda o problema.

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