Dá pra baixar o spread “na marra”?

O presidente Lula (como todos nós brasileiros) está obsessivo com o sistema bancário brasileiro, que tem o spread mais alto do mundo. Ele quer baixar o spread “na marra” criando pressão através dos bancos públicos, que deveriam gerar concorrência para os privados através de spreads mais baixos. Isso obviamente não dará certo, pois o BB é uma empresa de economia mista, uma SA que tem que prestar contas em função dos interesses dos acionistas. A Miriam Leitão explora brilhantemente o assunto em seu blog. Clique se quiser ler.

Pensando no assunto spread, me ocorreu uma idéia. Hoje o governo controla a liquidez do sistema financeiro, e também garante sua saúde, através do instrumento do empréstimo compulsório. A liquidez diária dos bancos é garantida por empréstimos interbancários, remunerados via CDI (que por sua vez se baseia na SELIC, definida pelo BACEN).  Retido o compulsório e tendo crédito para operar no sistema interbancário, cada banco empresta a quem quiser e pelo spread que bem definir. Isso é capitalismo.

Agora vamos imaginar que a FEBRABAN se tornasse uma espécie de FMN (Fundo Monetário Nacional) e que, fazendo analogia com o FMI, recebesse a parte do capital que a tesouraria dos bancos reservasse para emprestar. O FMN faria a administração desse fundo e dele o governo tiraria seu compulsório, da mesma forma que faz hoje.  Cada banco submeteria a análise de risco de inadimplência de seus clientes para análise e liberação do empréstimos pelo FMN (como os países membros fazem com o FMI) . Assim, a questão de análise de risco seria feita com critérios padronizados, definidos e controlados pelo BACEN, e executados pelo FMN, o que daria total transparência à questão de análise de risco de inadimplência (principal culpado pelo spread alto, segundo os bancos).

Para alavancar seu caixa, os bancos poderiam solicitar empréstimos de curto prazo ao FMN, em função do spread médio que estivesse cobrando de seus clientes. Esse “novo CDI” seria inversamente proporcional ao tamanho do spread cobrado, através de regras definidas pelo BACEN e sob seu controle direto. Ou seja, quem emprestasse mais barato tomaria CDI mais barato, tudo isso sob estrito controle do BACEN. Estariam assim preservadas as regras de concorrência do capitalismo, mas com um nível de intervenção e controle de governo muito maiores que hoje.

Faz sentido?

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