Medo

fearEm 2000 eu escrevi um livro (Ser Humano.Com.Br) e num dos capítulos abordava a questão do medo. Nesse capítulo eu relembrava que a maioria dos nossos medos infantis e juvenis se dissolvem com o tempo: medo de escuro, medo de tempestade, medo das meninas (?), medo de cachorro,…

O difícil mesmo é lidarmos e vencermos nossos medos adultos, pois estes não se dissolvem simplesmente com a idade. Medo de perder o emprego, medo da doença, medo das perdas sentimentais, medo de errar (e ser julgado, principalmente), medo das pessoas (falar em público), medo da velhice, medo da morte. Como vencer os medos adultos, ou pelo menos, como conviver com eles?

Sempre que eu não tenho uma resposta adequada eu sempre digo: BOA PERGUNTA! Realmente eu não tenho uma solução para meus medos adultos, mas já fiz uma descoberta concreta sobre eles: quanto mais fingimos que eles sumiram, mais nos incomodam (lembram do Jason do Sexta-Feira 13, que depois de morto, sempre reaparecia?).

Eu tenho meus medos adultos, e não são poucos. Mas, aprendi a equacioná-los, o que não quer dizer afastá-los. O pior dos medos: perda de entes queridos (filhos, mãe, pai, esposa, amigos,…). A solução prática que encontrei foi valorizar ao máximo aqueles momentos mágicos de compartilhamento com meus entes queridos. Não deixo passar uma oportunidade para curtir a proximidade daqueles que eu amo. Se tenho que trabalhar no computador e minha esposa está vendo TV, eu me sento ao seu lado e trabalho em wireless. Sempre que viajo tento levar junto meus filhos e agregados (namorada, marido, netos e até amigos deles), quando estou em SP nos fins de semana não deixo de sair com meus amigos pra um choppinho ou jantar, adoro fazer um churrasquinho e trazer quem eu possa pra desfrutar junto, minha mãe tem Alzheimer mas mesmo assim procuro estar sempre com ela (de um jeito ou de outro ela sente minha presença) e não perco chances de fazer pequenos favores e gentilezas para todos eles.

Com relação às doenças, o melhor remédio é preveni-las (check-up, boa alimentação, exercícios regulares, meditação, em suma, vida saudável) e aproveitar ao máximo cada momento de saúde plena: um banho quentinho, um bom filme, uma corridinha na praia ao por do sol, uma bela macarronada domingueira, os jogos do Corinthians, viajar, ler, dormir até mais tarde, uma caipirinha ao sol, brincar com o cachorro, estragar meu neto, etc,…. cada um tem sua relação de momentos preferidos (por favor não vale escolha deitar no sofá e assistir à barriga crescer assistindo ao Faustão).

O medo das pessoas ainda está ao meu lado, mas eu simplesmente aprendi a conviver com ele. Com a idade a gente começa a não dar muita pelota para os julgamentos e opiniões alheias.

O medo da velhice é estúpido, pois a cada momento da vida a gente tem medo do que vem à frente. Medo de virar um “trintão” (coroa), depois um “quarentão” (tiozão), depois um “cinqüentão” (velhote) e finalmente um “terceira idade”(irghhhhh, purghhhh, puahhh….). Idades são como cidades, não podemos estar numa e sentir falta das características da outra (falta da praia do RJ quando em SP, ou falta dos restaurantes de SP quando no RJ). Ou seja, cada idade tem bônus e ônus… É preciso saber desfrutar dos primeiros e saber aceitar tranquilamente os segundos. A verdade é que não é fácil.

Quanto ao medo da morte, nos acompanha desde que nascemos e não há nada a fazer, exceto talvez cultivar nossas crenças, religiosidade, ou pelo menos acreditar que a vida vale pelo dia de hoje e que o amanhã é só uma nuvem no céu.

PS: pra quem gosta de vinhos, vou começar a tuitar (verbo derivado do Twitter) amadoristicamente sobre o tema em http://www.twitter.com/enodummy

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