Steve Jobs vai morrer?

steve_jobsOntem eu assisti a um vídeo do Steve Jobs no YouTube discursando para uma turma de formandos. Fiquei emocionado. Quem não viu deveria ver.

Pra quem tiver preguiça de assistir, aí vai uma versão compacta do discurso. O tema que o Steve Jobs escolheu foi: “Quando a vida nos coloca diante de três pontinhos, é bom a gente ter paciência, porque cedo ou tarde tudo faz sentido”. O discurso, curtinho, discorre sobre três histórias de sua vida. A primeira história é sobre seu nascimento. Filho de mãe solteira e estudante, o Steve teve sua guarda prometida a um casal de advogados, supostamente bem de vida e em condições de lhe proporcionar uma boa educação. Por ocasião da adoção, sua mãe biológica descobriu-se envolvida numa história mentirosa, pois os futuros pais adotivos nem eram formados, nem bem de vida (eram uns durangos, iguais à mãe biológica). Para ter a adoção aceita, os futuros pais tiveram que se comprometer formalmente com a educação do Steve, o que 17 anos depois se concretizou, com sua admisão no Reed College. Conhecendo a história de sacrifícios de seus pais adotivos e consciente de que não estava feliz com o curso que fazia, Steve cancelou sua matrícula e passou a assistir aulas em disciplinas abertas e escolhidas segundo seus interesses. Sim, o Steve Jobs não tem curso superior completo! Dentre as discilpinas escolhidas estava Caligrafia ?! E, diante de sí a primeira série de três pontinhos: o que seria da sua vida sem diploma e o que ele faria com o curso de Caligrafia? Dez anos depois, já como fundador da Apple, Steve idealizou o primeiro Mac com uma bela tipografia, com fontes espaçadas e proporcionais. O Windows em seguida copiaria todos os fontes do Mac, de forma que podemos dizer que toda a tipografia hoje conhecida dos PC’s se deve à desistência de Steve Jobs de sua formação no Reed College e ao curso de Caligrafia. A primeira série de três pontinhos fazia sentido.

A segunda história começa 10 anos depois que os dois Steves, Jobs e Wozniak, juntos fundaram a Apple. Tendo a companhia sido bem sucedida, já com USD 2 Bi de faturamento, seus sócios escolheram alguém de fora para ser o CEO. O gênio forte de Jobs logo conflitou com o novo CEO. Da noite para o dia e para sua surpresa, aos 30 anos, no auge do sucesso, ele foi demitido e teve que se afastar da coisa que mais amava no mundo: a Apple. Novamente os três pontinhos à sua frente: sem a Apple, o que fazer a seguir?

Steve decidiu começar de novo, do zero, sem se afastar daquilo que mais ama: a tecnologia. Ele se encontra com David Packard e Bob Noyce e juntos fundam a Next e a Pixar (produtora do Toy Story, a primeira computação animada da história do cinema). A história da Pixar, número um em computação animada, todos conhecem. Quanto à Next, foi comprada em seguida pela Apple, para onde Steve voltou para resgatar a companhia (que a esta altura estava em queda livre) e alça-la novamente até o Olimpo das maiores e mais criativas empresas do mundo. E, novamente, os três pontinhos se explicam.

A terceira história é recente, e fala sobre a morte. No ano passado Steve recebeu um diagnóstico de um câncer de pâncreas incurável, que o mataria entre três e seis meses. Novamente os três pontinhos à frente: será que tudo terminaria por aí? Para surpresa dos médicos, a biopsia revelou um tipo raro de cancer de pâncreas, curável através de cirirgia e foi isso que ocorreu. Durante o período em que Steve esteve diante da morte ele entendeu sua profundidade e sua importância para o crescimento da alma humana. Entendeu que não poderia perder a fé jamais e que a única forma de se manter motivado nos momentos de dificuldade extrema é continuar se dedicando inteiramente àquilo que se ama. A partir dessa experiência transcedental, Steve se pergunta diariamente o que mudaria na sua vida hoje, se este fosse seu último dia? Ele escuta seu coração e muda tudo aquilo que não o satisfaz. Vive cada dia como se fosse o último, até porque cedo ou tarde essa previsão se concretizará. Segundo Steve, a morte o ensinou a viver! Ele aprendeu que a morte é um conceito útil, que renova as pessoas por dentro, que substitui o velho pelo novo, que empurra as mudanças na cabeça de quem parte e de quem fica. E, novamente, os três pontinhos fazem sentido. Talvez sua maior lição de vida tenha sido aprendida com a proximidade da morte.

Esse é o resumo do discurso, aplaudido de pé pelos formandos emocionados. Agora, as notícias recentes dão conta que talvez Steve esteja mesmo diante de sua jornada final. Será que novos três pontinhos se formaram em sua cabeça? Qual será a nova lição a ser aprendida por esse herói do mundo corporativo? Seja qual for, esperamos que ele nos deixe seu aprendizado com a morte, como um legado para a vida…

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Uma consideração sobre “Steve Jobs vai morrer?”

  1. Esse discurso é imperdível! Você poderia publicar o vídeo na íntegra nesse post. Bate com uma questão existencial frequente, pelo menos para mim, de em que momento experiências tão diferentes vão se juntar e fazer algum sentido. Ouvir alguém que conseguiu juntar as pontas, ver a história inteira e ainda por cima realizar algo impressionante é uma esperança e um exemplo. Enfim, não sei o que passará com o Jobs, mas torço por ele. De uma forma ou de outra, o legado já está aí.

    Besitos

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