A crise

Tem assuntos que são que nem música ruím: de tanto ouvir a gente acaba assobiando. A tal da crise é sem dúvida o blockbuster do momento. A crise está nas rádios, nas TVs, nos jornais e revistas e, principalmente, em nossas mentes.

Tá todo mundo com mêdo da crise. Ela vai roubar nosso emprego, nossos clientes, nosso crédito, a casa ou o carro financiados, as férias tão sonhadas, a faculdade dos meninos e, se bobear, até a cervejinha na padoca da esquina também está no risco. Se desse para esconder embaixo da cama, como eu fazia durante as tempestades de minha infância, pode estar certo que já estaria lá embaixo faz tempo.

Gente, a crise faz a gente ficar com mêdo de viver. E gente com mêdo de viver é igual cachorro com mêdo de linguiça: perde cada oportunidade! Eu particularmente já estou com o saco cheio da crise. Matutando cá com meus botões eu fico pensando o que realmente significa a palavra crise. A doença de meu filho, o amor que eu perdi, a  aventura que eu não vivi, a promessa que eu não paguei, as caipirinhas que eu não tomei, o por do sol que eu vi, o papo que eu cortei, o sonho perdido… será que isso é que é crise?  Pra mim é.

Nesse caso, o que tudo isso tem a ver com subprime, dólar que disparou, juros altos, crédito curto e dívida longa? A resposta é nada. O por do sol é grátis, um beijo também (na verdade depende), pra cervejinha sempre sobra uns trocados e deitar ao  sol custa a mesma coisa pra ricos e pobres. Portanto, eu tenho o prazer de declarar a (minha) crise defitivamente encerrada.

Oh, Bush (e Obama), vê se coloca seu tigre pra dentro da jaula de novo, que pra nóis aqui pra baixo do Equador é só uma marolinha. E por hoje chega de papo, que eu vou botar minha cadeira no sol e assistir ao samba passar.

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Uma consideração sobre “A crise”

  1. Gostei da metáfora da música ruim, perfeito! Entendo um americano médio sentir medo dessa crise fantasmagórica, eles sempre são controlados através do medo (de algum medo qualquer), mas um brazuca velho de guerra? Até parece que é a primeira que se enfrenta! Ainda me lembro do tempo de 40% de inflação mensal, e das empregadas domésticas, que mal tinham o primário, e se viravam fazendo contas de matemática financeira para chegar ao fim do mês.

    Daqui a pouco a crise para de vender jornal e aparece uma reportagem no fantástico dizendo que o símbolo chinês de crise é o mesmo utilizado para oportunidade… e blá, blá blá…

    Aqui na Europa ainda está pior! Ontem estava ouvindo uma campanha para incentivar que as pessoas diminuissem seu consumo e economizassem bastante, assim se preparariam para a “crisis” (em castelhano). E eu pensando, putz, que estratégia brilhante, né? Incentivar que as pessoas parem de consumir! Olha que maravilha para as indústrias e comércio! Coisa de gênio!

    Besitos

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