Um turista acidental em Portugal (5. Os Vinhos Portugueses)

Portugal num cálice

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O vinho português há pouco mais de 10 anos seria considerado como o “primo pobre” dos vinhos europeus. De lá para cá a história mudou. A qualidade, que já era boa, ficou ótima e o preço, comparado aos franceses, italianos e espanhóis, é imbatível. Quando se fala de vinhos portugueses logo nos vêm à memória o Vinho do Porto. Essa invenção única dos portugueses, que pode ser branco (doce, ou seco), ou tinto (Ruby, cor de rubi, ou Tawny, acastanhado). Os ingleses tiveram grande influência na evolução do Vinho do Porto. Desde tempos ancestrais que o vinho português da região do Douro (é de lá que vem o Porto) desce o rio do mesmo nome até o cais da Cidade do Porto para ser embarcado para o resto do mundo e, em particular, para a Inglaterra. Diz a lenda que os ingleses gostavam muito do vinho português, que estragava na travessia até a Inglaterra. Daí resolveram fortificar o vinho, para que se tornasse mais resistente, e inventaram o vinho do Porto.

Os Portos podem ser envelhecidos em barricas e engarrafados quando prontos para beber. São dos tipos Ruby, Tawny e LBV (Late Bottled Vintage, este matura por cerca de 6 anos, que é uma categoria abaixo do Vintage). Eles duram mais quando abertos. O Vintage, o mais especial dos portos, vem de vinhedos superiores, envelhece 3 anos na madeira e depois deve continuar a maturar na garrafa por pelo menos mais 15 anos. Ficam ótimos aos 30 anos. Estes quando abertos devem ser consumidos. Já os Colheita, também muito especiais, descansam na madeira cerca de 7 nos, antes de serem engarrafados. Isso é tudo que eu sei sobre os Portos e sujeito a erros. Quem quiser se aprofundar acesse The Vintage Port Site.

Os Portos são um excelente aperitivo, como também ótimos para servir após as refeições. Acompanham bem queijos tipo Blue Cheese (Gorgonzola), nozes, frutas secas e doces. Fazem excelente dupla com um bom Havana. As marcas mais conhecidas são Burmester, Grahams, Taylors, Khron, Nieport e Ramos Pinto. Eu experimentei Vintages e Colheitas do Nieport e Khron, todo excelentes.

Não conheço os brancos portuguêses. Já experimentei um Esporão 04, maravilhoso, e fico por aí. Quanto aos tintos, durante a viagem “tomamos todos”. Os tintos portugueses, são feitos a partir de castas locais de nomes deliciosos, tais como Touriga Nacional, Tinta Roriz (ou Aragonês, que é a Tempranillo Espanhola), Baga, Castelão, Touriga Franca e Trincadeira (ou Tinta Amarela). As mais comuns são a Touriga Nacional e a Tinta Roriz. Quase sempre os tintos portugueses são cortes que misturam diversas castas. São em geral vinhos encorpados, com boa acidez, retrogosto persistente e excelentes companheiros para carnes vermelhas e pratos condimentados. As principais regiões produtoras são o Douro (Barca Velha, Casa Ferreirinha, Quinta da Leda, Quinta do Crasto, Quinta do Cotto, Quinta Vale D. Maria, Quinta Vale do Meão,…), Alentejo (Pera Manca, Cartuxa, Mouchão, Tapada de Coelheiros, Esporão, Marques de Borba, Quinta do Carmo, Quinta da Viçosa, Nieport,…), Dão (Grão Vasco, Messias, Quinta de Cabriz,…) e Bairrada (pouco conheço). Estremadura é outra região que vem se destacando.

Durante minha viagem fiquei nos vinhos do Douro e Alentejo. Experimentei Pera Manca e Cartuxa, ambos da Fundação Eugênio Almeida. O Pera Manca 03 foi o segundo melhor vinho que experimentei durante a viagem. O tinto que mais me impressionou foi um Quinta do Crasto 04 Vinhas da Ponte…. espetacular! Logo abaixo, pau a pau com o Pera Manca, tomei um Casa Ferreirinha Reserva 92, que gostei mais do que um Barca Velha 99 (produzido só em safras especiais, até hoje só 15 safras, pelo mesmo Ferreirinha e carésimo). O preço do Barca é três vezes maior que o do Casa Ferrerinha, mas não é três vezes melhor. Eu fico com o Casa. Quem quiser conhecer um pouquinho melhor a história do Barca Velha acesse o blog Secondo Tucci.

Uma novidade fantástica (infelizmente não encontrável no Brasil) são os tintos de boutique da Nieport: Batuta, Redoma e Charme (este último com pinta de Borgonha). São produzidos em pequena escala (se encontra duas ou três garrafas de cada nas garrafeiras, nome que os portugueses dão às adegas). São baratos, comparativamente aos tops português e deliciosos. O Batuta foi um dos 3 ou 4 vinhos que mais gostei em minha viagem.

Se encontrarem, não percam também o Lavradores de Feitoria Gran Escolha 03 (Douro) e o Tapada de Coelheiros Medalhado 92, ambos fantásticos. E é isso aí, moçada. Tudo que eu aprendi sobre os grandes vinhos portuguêses, agora vocês já sabem. Bebam com moderação…

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Uma consideração sobre “Um turista acidental em Portugal (5. Os Vinhos Portugueses)”

  1. Anotado!

    Eu amo os nomes dos vinhos portugueses 🙂 Parece aquela piadinha da origem dos nomes indígenas, que é a primeira coisa que o pai vê na frente. Vamos combinar, Tapada de Coelheiros Medalhado? Mas a verdade, é que depois de mudarmos para Espanha e o Luiz precisar ir a Portugal com frequência, começamos a conhecer melhor os vinhos portugueses e foi uma surpresa agradabilíssima!

    Mas dessa vez, nem vou ficar com inveja, porque acabamos de passar o fim de semana em La Rioja… heheheh… Quando vierem por essas bandas, já temos novas dicas do local.

    Besitos

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