Be bullish, ou be foolish?

Em 2008 o índice Dow Jones Industrial caiu 17% e o Bovespa 30%. As bolsas de valores em todo o mundo estão derretendo. Até hoje, no ano 2008, o FED já gastou USD 200 Bi para equilibrar as finanças dos gigantes do financiamento imobiliário Fanny Mae e Fred Mac, injetou mais USD 30 Bi para auxiliar o J P Morgan a adquirir o Bear Sterns, aumentou diretamente a liquidez do mercado com outros USD 38 Bi e hoje o secretário Paulson do Tesouro anunciou a criação de um pacote de salvação às instituições financeiras americanas, que micaram com créditos imobiliários podres, que pode chegar a USD 2 trilhões (eu disse trilhões, não bilhões, para um PIB americano de cerca de 14 trilhões)?!

O que está acontecendo? Simplesmente a cadeia da felicidade da sociedade americana caiu no conto do vigário dos financiamentos sub-prime. O que é um empréstimo sub-prime? Trata-se de um empréstimo concedido a pessoas com histórico de crédito duvidoso, ou sem comprovação de renda. É um empréstimo de baixos valores, em dinheiro, para pessoas de baixa renda e cobrado na própria casa do endividado. A expressão também pode se referir a hipotecas concedidas a pessoas que seriam rejeitadas por grandes credores por causa de seu histórico de crédito ou situação profissional.

Muito bem. Na ponta mais fraca, os tomadores começaram a se ressentir da recessão americana (perdas de emprego, de faturamento) e começaram a não honrar suas dívidas. O “papagaio” maravilhoso que tinha sido repassado em cadeia de uma instituição para outra apodreceu os créditos, desde a Fanny Mae/Fred Mac até os grandes bancos (o Citi se salvou graças aos petrodólares). Esticando a corda, chegamos ao Brasil, onde investidores especulativos cairam fora, para honrar seus compromissos nos USA (e também com mêdo do efeito da queda das commodities nos mercados emergentes). Aí o Bovespa desaba e nós coitadinhos que compramos Vale/Petro, ou quotas de fundos de ações, ou multi-mercado, nos ferramos juntos. O que fazer?

Os americanos chamam o mercado subindo de “Touro” (que ataca de baixo para cima) e descendo de “Urso” (que ataca de cima para baixo). Todos os gestores de investimentos são ótimos em aconselhar quando o mercado se comporta “bullish”, mas quando vira “bearish” a melhor orientação que nos dão é: é hora de ficar firme, os trouxas subsidiam os espertalhões. Aí eu pergunto: se não há cenário de virada da economia americana, nem de saneamento total do mercado em menos de 6 meses, qual o sentido de continuar perdendo dinheiro mansa e pacientemente? A resposta é muda.

Eu tenho um pequeno pé de meia e um bom assessor financeiro. Nesta semana, pela primeira vez, eu ouvi dele algo que para mim fez sentido. “Entrar no mercado, como sair dele, podem ser atitudes ousadas, ou tímidas, dependendo das circunstâncias. Num Bovespa, que beira os 40.000 pontos (era 65.000 no início de 2008), sair nesse instante é uma decisão corajosa, já que significa aceitar perdas que dificilmente serão recuperadas. Já permanecer firme, é na verdade uma atitude conservadora, pois significa que você não aceita a perda acumulada, posto que bolsas que caem sempre voltam e isso é um axioma”.

Interessante raciocínio. Talvez meio ingenuamente, aceitei a lógica transversa. Embora já tenha pisado um pouco no freio, decidi que daqui até o mercado definir uma tendência (outra boa é: em mercado sem tendência todos perdem) vou “dar uma de estátua”. A lição do meu amigo é: cagões, é hora de ficar; piradões, é hora de sair… Vamos ver no que dá. Daqui a 6 meses farei um outro post contando os resultados ou, eventualmente, catando os cacos.


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