@ N@v@ Mund@

Hoje duas matérias jornalísticas correlatas me chamaram muito a atenção. Pela manhã, a matéria de capa do caderno Link do Estadão projeta o número mundial de internautas em 2015 em cerca de 15 bilhões (!?). Dá pra acreditar? Agora à noitinha, a caminho de casa, ouvi uma entrevista com o Ricardo Noblat (Blog do Noblat) na CBN. Em sua entrevista o Noblat cita dois fatos assustadores: até o final do ano + de 50% da população brasileira terá acesso à Internet e 1 hora de Lan House está custando 1 Real!! Projeções são projeções, mas não dá mais para duvidar da força da Internet no século XXI.

Em sua entrevista o Noblat menciona o desafio de criar regras para os postings em seu blog. Como a ética da Internet ainda está por ser construída, cada blogueiro tem que se arvorar no papel de juiz para moderar os comentários enviados e decidir o que deve, ou não, ser publicado. De maneira cândida, ele define regras simples, tais como a não publicação de ataques gratuítos, difamações e afirmações sem sustentação (factóides). O que poucos perceberam é que está surgindo um “n@v@ mund@”. É como se estivessemos descobrindo a América e nós somos os “novos cowboys”, enveredando pelo “novo oeste” da Internet armados de laptops (que estão chegando à faixa de USD 200 nos USA) e celulares (que já viraram brinde para quem compra a linha).

Quinze bilhões de seres humanos anônimos (E PODEROSOS EM SEU ANONIMATO) surfando na Internet podem literalmente fazer o mundo girar ao contrário. A Internet está deixando de ser um simples canal de comunicação para se tornar um mundo novo, por onde podemos viajar, negociar, fazer amigos, namorar, pesquisar, estudar e onde, infelizmente, já se cometem crimes de todas as espécies. Para muitos, a Internet pode se constituir num mundo alternativo ao mundo real, o que não deixa de ser assustador.

Um mundo novo precisa de regras, de leis, de governança, e tudo isso hoje é ainda muito empírico e informal. No início da conquista dos pólos também não haviam regras, até que as nações se reuniram para criá-las, visando preservar seu ecossistema como um patrimônio da humanidade. O espaço cibernético, todavia, ainda permanece como uma espécie de faroeste digital, onde tudo é possível, tudo é permitido, onde a liberdade não tem limites, como sempre acontece (no início) com as novas fronteiras.

Até que a humanidade se reuna para criar a ética de convivência, as leis e um modelo de gestão, a Internet seguirá sendo uma floresta quase virgem. É preciso que entremos nessa floresta conscientes de sua beleza, de sua riqueza inexplorada, de seu potencial, mas mas também de seus perigos. Negócios na Internet ainda são perigosos pela falta das leis (mais ou menos como comprar uma mina de ouro de um desconhecido na América do século XIX), crianças brincando por lá estão sujeitas às matilhas de lobos à solta (pedófilos) e as informações disponíveis são sempre passíveis de erros e imprecisões.

É preciso desbravar esse novo território com o espírito dos velhos exploradores, ou seja com muita coragem e entusiasmo, mas com os devidos cuidados que sempre merecem as fronteiras desconhecidas. Como no velho oeste, as oportunidades de negócios e as barganhas são muitas. Em cada canto, em cada site, ou portal de negócios, existe sempre uma oferta irresistível, que nos faz pensar sobre como e o que o outro lado está ganhando. Os americanos costumam dizer que não existe free lunch neste mundo. Nem na Internet.

“N@v@s c@wb@ys”, cuidado, pois atrás de cada Zorro tem sempre um Tonto…

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