Quem ama o feio…

Eu não sei se quem fez essa foto de São Paulo (feia e linda, ao mesmo tempo) foi o próprio Washington Olivetto. A foto veio através de um e-mail apócrifo, contendo um maravilhoso texto do WO sobre nossa cidade. Num trechinho deste texto ele faz questão de desmentir os cariocas, que “têm mania de achar São Paulo parecida com Nova York”. O Washington acha que “o grande fascínio de São Paulo é parecer-se com muitas cidades ao mesmo tempo e, por isso mesmo, não se parecer com nenhuma”.

Não é a tôa que o Washington é um gênio. Sua sensibilidade para captar a beleza e a poesia dos lugares mais inesperados, como a cinza e “feia” São Paulo, é digna de um artista. Eu não poderia concordar mais com ele.

Como a maioria de seus habitantes, eu também sou um paulistano adotado. Vivo em São Paulo há muitas décadas e, como um observador anônimo na multidão, também aprendi a captar a beleza escondida desta cidade. Como 10 é um número cabalístico, eu vou relacionar as dez coisas que mais gosto nessa SP de contradições maravilhosas:

  1. Correr na USP e depois tomar uma água de coco sentado à sombra uma pitangueira (na frente do prédio da Educação Física da USP tem um pequeno pomar de pitangueiras?!).
  2. Ouvir música ao ar livre no gramado central do Ibirapuera, num domingo de outono (meio friozinho, mas com um belo sol).
  3. Comer bem: arroz com feijão, farofa de banana e meat cake às 3as feiras no almoço no Dam de  Pinheiros (Nessa eu surpreendi, hein?! Fica na Cunha Gago); feijoada (num cinza e friorento) no Churrasco’s do Brooklyn Novo; frutos do mar no Amadeus; grelhados no Varanda Grill; pizza na pizzaria Braz ou na Cristal; massa no Vechio Torino; perninha de cabrito no Il Sogno di Anarello; costela de vaca no vinho no Ici Bistrô; hamburger de calabresa na Lanchonete da Cidade e de picanha no Hamburgueria Nacional; perninha de cordeiro no Gardenia; picanha fatiada no Leporace; camarão à provençal no La Pailotte e almoçar (qualquer dia) no Vinheria Percussi.
  4. Tomar caipirinha com comida de boteco no: Astor, Empanadas Bar, Galinheiro, Pé pra Fora, Valadares, Leporace, Pirajá, Salve Jorge, Canto Madalena, entre muitos outros. Vale também conferir as dezenas caipirinhas do Totó (um italiano onde se vai pra tomar caipirinhas).
  5. Passar uma tarde na Livraria Cultura, fuçando no meio de milhares livros, a maioria dos quais nunca vou ler.
  6. Broinha de fubá airosa da padaria do St Marche (ao lado da Rede Bandeirantes no Morumbi). Experimentem também o pão integral com passas e o roll de canela quentinho.
  7. Cinema no domingo à tarde, com pipoca, num Cinemark do shopping mais próximo de casa.
  8. Olhar o skyline de São Paulo (e a ponte estaiada) do jardim elevado do Shopping Cidade Jardim, numa noite de lua (essa é uma dica novíssima).
  9. Tomar cervejas de grife com coxinha de frango na calçada do Frangó.
  10. Tomar café da manhã numa típica “padoca” paulistana (experimentem a Deli Paris na Vila Madalena). Não dá pra dispensar o pão na chapa.

Apesar de 10 ser um lindo número cabalístico, ficou faltando uma pá de coisas legais: sorvete no Vipiteno, comprar bugigangas no Stand Center, comprar queijos no mercadão central, andar a pé na Oscar Freire, dia de sol no Bar des Arts ou Figueira Rubayat, cinemas cult na região da Paulista, almoçar no Spot num domingo com fila (pois esperar no lado de fora, ao sol, tomando caipirinha, é melhor que o almoço – não perca o sagú na sobremesa), bolinho de arroz do Ritz, correr de madrugada dentro do Jockey num gramadão ao lado da pista dos cavalinhos, o Gigot de Agneau do La Casserolle, chopp do Original,  olhar a cidade do mirante que tem na parte alta de Pinheiros ao por do sol, fazer compras num grande super-mercado de madrugada, sebos no centro da cidade, comida mineira e feirinha de antiguidades (fajutas) na praça Benedito Calixto, teatros aos domingos à noite, comprar vinhos na Mistral/Expand/World Wine/Casa Flora e, óbvio, passear num shopping em fins de semana chuvosos.

Quem tiver dicas básicas, ou até mesmo insusitadas, de SP me mande. A familia penhorada agradece.

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Uma consideração sobre “Quem ama o feio…”

  1. Sou das cariocas que compara Sampa a Nova York, mas justamente pela mistura que oferece e, contraditoriamente, pela personalidade única. O detalhe é que acho São Paulo mais interessante, definitivamente é a cidade mais generosa que conheci.

    Simplesmente, amo a cidade! Difícil é separar (só) 10 coisas preferidas, e impossível não relacioná-las com gastronomia e amigos, não necessariamente nessa ordem.

    Mas enfim, do Mercadão, gosto do sanduíche de pernil, mas precisa ser aquele disputado em uma birosca de 10 m2. Adoro o crispy de giló (quem imaginaria isso?) com carne seca do Tordesillas. A moqueca de polvo com camarão do Soteropolitano. Brunch do Empório Santa Maria, e na saída não esquecer de comprar bem casado. Hamburguer do Blooming, lógico, depois da balada, alternado pelo cachorro-quente do Black Dog. Cabeleireira favorita no Jardim Sul. Comprar flores toda semana. Criticar a Bienal. Visitar a Pinacoteca. Frequentar os bastidores do MAM. Festas com DJ em casa. Reunir na casa dos amigos…

    Aqui abriram um Rubaiyat. Nem preciso dizer que é o melhor atendimento de Madri, me arrisco a afirmar, da Espanha. Quando bate saudade de São Paulo, vamos jantar por lá.

    Para quem gosta de fotografia e é apaixonado pela cidade, recomendo o blog de um amigo, louco por São Paulo, que tira fotos ótimas

    Besitos

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