Tudo que você sempre quiz saber sobre vinhos (franceses) e tinha vergonha de perguntar

Você é um tomador de vinho “fresco”(não se ofenda), que aprendeu a degustar o santo néctar há menos de 5 anos (como eu)? Então provavelmente você curte um Malbec argentino e “paga pau pro Nicolas Catena”, começou tomando um Concha & Toro Casilero Del Diablo, mas já descobriu que o Don Melchor, o Chadwick (incluso o Sena), o Montes Alpha M, o Clos Apalta e o Alma Viva são os melhores chilenos, onde a casta Cabernet reina (mas não isolada porque a Carmenere segue nos calcanhares). Se você ousou um pouco mais, já descobriu o Amarone do Veneto, o Barolo do Piemonte e o Brunello da Toscana. Alem é claro dos grandes Tempranillos da Rioja e das castas nativas de Portugal (viva o Douro e o Alentejo). A Austrália é um pouco mais longe, mas sabemos que de lá vêem grandes Syrahs.

Até aí todos nós chegamos fácil. O grande desafio são os franceses, ditos os melhores produtores de vinho do mundo. Todos nós iniciantes, temos alguma dúvidas cruéis e comuns a todos:

  • A classificação dos corretores de vinho, criada em 1855, é estática?
  • Foi atualizada desde então?
  • Inclui toda a França, ou só Bordeaux?
  • O famoso Chateu Petrus é um Premier Cru?
  • As regiões têm sua própria classificação?
  • Quais são os melhores vinhos de cada região?
  • O que é um Grand Cru Borgeois?
  • Existe vinho francês bom que não custe os olhos da cara?
  • Onde eu encontro a lista completa da classificação de 1855?

Você não sabe responder? Nem eu, mas Internet sabe e de lá eu extrai esse “cursinho madureza” sobre vinhos franceses. Vou compartilhar com vocês.

A CLASSIFICAÇÃO DE 1855

A classificação de 1855 inclui só os produtores de Bordeaux. Os vinhos de Bordeaux são uma “assemblage” (um corte) da mistura das varietais merlot, cabernet sauvignon, cabernet franc e petit verdot. A região é dividida em sub-regiões e entre elas estão: Saint Émilion, Pomerol, Médoc e Graves.

O sistema de qualificação de 1855, conhecido como Classificação Oficial do Vinho Bordeaux, criou cinco categorias, que levavam em consideração o preço e a qualidade. Os tintos Premier Cru (quatro do Médoc e um, Château Haut-Brion, de Graves) estão entre os mais caros vinhos de todo o mundo. A classificação de 1855 abrange 5 classes de vinhos, num total de 61, mencionados como “grandes “grands crus classés”, sendo 5 “premiers crus” (Lafite, Margaux, Latour, Haut-Brion e Mouton-Rothschild); 12 “seconds”, 14 “troisièmes”, 11 “quatrièmes” e 17 “cinquièmes”. O Mouton-Rothschild só foi elevado a “premier” em 1973 (a única alteração). Os 61 vinhos são mencionados como “grands crus classés”.

Em 1955, a AOC (Appellation d’Origine Contrôlée, rotulação de origem controlada) Saint Émilion foi classificada, o que criou duas novas classes de Premier Cru classe A:

* Château Ausone
* Château Cheval Blanc

A relação completa dos Vinhos Bordeaux da Classificação de 1855 pode ser encontrada na Wikipédia.

Atenção: os Deuxième e Troisième Crus são ótimos e não estão restritos às adegas apenas do Maluf e Naji Nahas; cabem no nosso bolso!

O Pomerol nunca foi oficialmente classificado, mas os vinhos de suas melhores propriedades, como o Château Pétrus (Surpreso? Não é um Premier Cru!) e Château Le Pin, atingem preços bastante altos, frequentemente mais altos, inclusive, dos que os alcançados pelos Premier Cru.

E tem bons vinhos de sobremesa em Bordeaux? Tem! Sauternes é uma sub-região do Graves conhecida por seu, intensamente doce, vinho branco de sobremesa, onde se destaca o Château d’Yquem. O intenso doce é resultado da ação do Botrytis Cinerea, um fungo conhecido popularmente pela denominação – ‘nobre podridão’

Muitos críticos, inclusive o americano Robert Parker, acreditam que a classificação de 1855 está desatualizada e defendem que uma nova classificação seria do interesse dos consumidores em geral.

Alguns dos chateaux não-integrantes da classificação de 1855 são tão bons, ou melhores, em relação a muitos incluídos nessa classificação. Então o Sindicato dos Crus Bourgeois do Médoc (uma elite de burgueses em contraposição à nobreza) elaborou outra classificação, e ela divide os vinhos em: “crus bourgeois exceptionnels” (18 vinhos), “grands crus bourgeois” (41) e “crus bourgeois” (68). Não deve ser difícil encontrar esta lista na Internet.

AS CLASSIFICAÇÕES REGIONAIS

Bordeaux:

Existem três níveis básicos de “Appellations Contrôlées” (AC):
1. AC REGIONAL GENÉRICO: todos os vinhos com graduação mínima podem usar a designação AC BORDEAUX;
2. AC REGIONAIS ESPECÍFICOS: o degrau acima na escala das classificações (por exemplo: AC HAUT MEDOC);
3. AC LOCAIS: algumas localidades, vilas e aldeias, pelo reconhecido mérito de seus vinhos, conquistaram o direito de usar as suas próprias “appellations”: Saint-Estèphe, Pauillac, Saint Julien, Margaux, Listrac e Moulis (no Alto-Médoc), Pessac-Léognan, Barsac e Sauternes (inexiste classificação para a pequena região de POMEROL, cujos vinhos são caros, a partir do famoso Pétrus).

Borgonha:

Os vinhedos da Borgonha cobrem uma superfície de 25 mil hectares, o que corresponde a cinco grandes regiões produtoras: Chablis/Auxerrois, em Yonne; Côtes-de-Nuit e Côte de Beaune, na Côte d’Or; Côte Chalonnaise e Mâconnais em Saône-et-Loire, com quase 100 apelações de origem controlada.

A s cidades da Borgonha (na verdade, vilas), que produzem os mais famosos vinhos do mundo são Chablis, Morey-Saint-Denis, Nuits-St-Georges, Vosne Romaneé, etc… Seu grande símbolo, o vinho mais conhecido, mais caro, ótimo, mas não necessariamente melhor, é o da Domaine de la Romanée-Conti o seu grande símbolo.

Suas castas rainhas são a “pinot noir” e a “chardonnay”. A uva “pinot noir” (uva de pele fina, sensível, a mais caprichosa de todas as variedades de uva), é a uva da Borgonha, por excelência, produtora de alguns dos melhores vinhos tintos do mundo. A uva “chardonnay” (nenhuma outra região do mundo consegue cultivá-la tão bem), a rainha das uvas brancas, produtora de vinhos brancos.

Existem cinco níveis básicos de “Appellations Contrôlées” (AC):
1. “GRANDS CRUS” (para Chablis e Côte D’Or): inclui os melhores vinhos da Borgonha.
2. “PREMIERS CRUS”: as segundas melhores vinícolas da Borgonha; os rótulos mencionam o nome da aldeia, seguido do nome da propriedade vinícola;
3. AC REGIONAIS GENÉRICAS; exemplo: AC BORGONHA;
4. AC REGIONAIS ESPECÍFICAS;
5. AC DE LOCALIDADES (ALDEIAS): os vinhos provenientes de uma única localidade.

CHÂTEAUNEUF-DU-PAPE:

“Châteauneuf-du-Pape” é a mais notória “Appellation d´Origine Contrôlée (AOC)” das Côtes du Rhônes Meridionales. Os produtores da região se vangloriam das normas e dos controles exigidos para a utilização do título “Châteauneuf-du-Pape”, precursores da lei francesa reguladora das “AOC”.

A região “Châteauneuf-du-Pape” produz vinhos tintos (94%), elaborados com até 13 tipos de castas, e vinhos brancos (6%), elaborados com a uva “roussanne”, a melhor, e outras.

Na prática, o “Châteauneuf-du-Pape” tinto é produzido quase sempre com a uva “grenache (60% a 80%), a segunda uva mais plantada no mundo, chamada na Espanha de “garnacha”. A “grenache” dá um vinho denso e encorporado, mas de menor longevidade. A uva “syrah”, produtora do Côte Rôtie e do Hermitage, duas jóias de vinho, é o complemento ideal da “garnache”: contribui para o “Châteauneuf-du-Pape” ter longevidade, cor, elegância, taninos finos e aromas de frutas e especiarias.

São bons produtores de “Châteauneuf-du-Pape”, dentre outros: Château de Beaucastel, Château Rayas, Domaine Guigal ou Château La Nerthe, Château Mont-Redon, Domaine du Vieux Télegraphe, Château Fortia, Château La Gardine. Alguns produtores exibem nas garrafas as armas papais em alto-relevo, mas isso não garante bom vinho.

Dito isto, para virarmos sommeliers de vinho Frances só nos resta tomá-los, com temperança, como diz o Carlos Alberto Sardenberg, pois a Lei Seca ta por aí e continua vigente.

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Uma opinião sobre “Tudo que você sempre quiz saber sobre vinhos (franceses) e tinha vergonha de perguntar”

  1. Oi!

    Acho que faz falta muitos anos e muito experimentar para realmente conhecer esse universo dos vinhos. Resignada, aceitei o sacrifício! 🙂 A propósito, aqui da Espanha, fiquei fã dos Ribera del Duero.

    Besitos, Bianca

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