Muhamad Ali, o resiliente

Exceto uns poucos coroas, como eu, poucos de vocês tiveram a oportunidade mágica de ver o Muhammad Ali (Cassius Clay) conquistar de volta o título mundial de box peso pesado, então de posse do aparentemente invencível George Foreman (sim, aquele mesmo cara do grill doméstico), numa luta histórica, em 1974, no Zaire (graças ao YouTube vocês podem ver alguns trechos do combate). A luta ocorreu num estádio de futebol e a galera ululava e babava sangue, num rito africano inimaginável para nós ocidentais. O Muhammad Ali, vindo de um afastamento compulsório de anos, por não aceitar lutar no Vietnã, era o David diante do Golias. Ninguem acreditava nele, mas todos torciam por ele. A luta começa e, para surpresa de todos, o Ali não agredia, apenas se protegia, entrava em clinch e fugia para as cordas. Da outra parte, o gigante George Foreman mandava porrada, com tudo. Os assaltos passam, iguais, de dar pena a surra que o Ali estava levando. De repente, chega o 12o. e último assalto. Surpresa! Um novo Ali, zero bala, começa bailar em torno de um combalido Foreman, esgotado de tanto dar porradas na guarda fechada do adversário. Dali pra frente foi um show do Ali, que ganhou por knock down. Naquela luta, o Ali foi resiliente

Resiliência é uma palavra difícil. É fácil entender seu significado semântico: a capacidade de um material voltar ao seu estado normal depois de ter sofrido pressão. O difícil é fazer a re-leitura do termo para o mundo corporativo: antecipar crises, prever adversidades, se preparar para elas, respondendo positivamente.

Os profissionais resilientes são hoje os mais valorizados, por responderem melhor às pressões e contínuas adversidades de um mercado em constante ebulição. O profissional resiliente, sob pressão não se intimida, nem fica lambendo as feridas, mas propõe e executa rapidamente novas estratégias para fazer de um problema uma oportunidade.

Como se forma um profissional resiliente? A chave é um ambiente que estimule o risco e compense pelo erro criativo (não reincidente). O mêdo mata a resiliência. Profissionais ditos durões são apenas pessoas com mêdo escondido embaixo de uma capa de agressividade. Da próxima vez que alguém tomar um grande risco e falhar lamentavelmente em sua empresa, chame o cara pra conversar, analise junto o que não deu certo e depois pague para ele um almoço. Mas, para agir assim, você também tem que ter uma mente resiliente. Experimente.

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Uma opinião sobre “Muhamad Ali, o resiliente”

  1. Augusto, que fico feliz por ter te inspirado. Sempre tento manter em mente a palavra resiliência. Com o tempo descobri a duras penas que ela vem com a experiência, mas acho que podemos tentar passar isso para as outras pessoas.
    Abs
    Armando

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