Embroglio saudável: Barack Obama, Congresso de Publicidade e TSE

Nos últimos dias eu li algumas coisas, aparentemente desconexas, mas que no final estão unidas pelo fio invisível da lógica. No recém terminado Congresso de Publicidade, o tema comunicação integrada (múltiplos canais, inclusive e principalmente os canais de mídia social web) foi dos mais debatidos. João Batista Ciacco, diretor de publicidade da Fiat (leia a íntegra do artigo) se expressou por todos nós ao dizer que “A sociedade de massa, afinal, não é nem a ruína da alta cultura, nem a plena integração dos povos, o que nos permite concluir que, no nosso negócio, não existe uma receita pronta. O fato novo é que a integração não é mais uma obra de laboratório, mas uma iniciativa deliberada do próprio consumidor”. Ou seja, quem integra as mensagens é o consumidor e o único canal que este usa para expressar sua opinião é a web. A social media, através da web, é o link entre todas as ações de comunicação do mainstream do mundo corporativo com seus mercados.

O Barack Obama, esse cara é esperto pra caramba, foi o primeiro a sacar o potencial da social media como meio de atração e integração de potenciais eleitores com seu discurso. O Obama tem utilizado amplamente seu blog e o site MySpace, maior rede social do planeta, em sua arrancada como pré-candidato na disputa pela vaga democrata na corrida à Casa Branca. O MySpace tem simulou votações, realizado enquetes sobre propostas e tem até ajudado o Obama a arrecadar verba para sua campanha. Boa parte dos US$ 135 milhões levantados pela turma de Obama até janeiro tinha sido doado por internautas, o que lhe permitiu magnanimamente esnobar o financiamento público para sua campanha (praga que como aqui, lá também existe).

Pois bem, o MySpace está chegando ao Brasil e para tentar desbancar o Orkut escolheu oferecer a mesma estratégia do Obama aos candidatos à eleição municipal de São Paulo. E aí, o que aconteceu? Entre nossos internautas, o MySpace e os candidatos, se coloca o nosso querido TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O TSE divulgou no começo de março resolução proibindo propaganda política fora do site dos candidatos. “A propaganda eleitoral na internet somente será permitida na página do candidato destinada exclusivamente à campanha eleitoral”, informa a resolução. Leia a cobertura da matéria na Folha Online. Nossos geniais ministros estão tentando algo tão inédito como “engarrafar peido para evitar que o cheiro se espalhe”!!!??? Me digam vocês, quais as chances do TSE evitar que alguém comente, poste, ou participe na Internet, via MySpace, ou qualquer outro site no mundo que se preste a isso, sobre as eleições no Brasil?

Trocando em miúdos, enquanto o segmento corporativo brasileiro segue colado às tendências do primeiro mundo, governo e políticos continuam pensando que ainda vivemos nos anos 50. Como dizia minha santa avózinha, “tudo que só tem no Brasil e que não é jaboticaba, é merda na certa!”

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