Exclusão…

3d rendering of white men excluding a red man stock photo

“A origem de toda a exclusão está no aceder a ser-se solidário com os que impõem idéias solitárias”. A autora desta frase, triste mas verdadeira, é a Alice Valente. Eu não conheço a Alice, apenas dei uma espiada em seu blog, que achei bem legal. A palavra exclusão tem sido irritantemente recorrente em minha mente. Pode ser um reflexo de minha idade (segredo pra quem não me conhece), ou apenas uma reflexão mais profunda. A frase da Alice me faz pensar em duas coisas:
  • Todas idéias são solitárias, exceto para seu autor (maldita seja a vaidade e a inveja de todos os seres humanos, no exceptions to the rule).
  • O único signo comum à raça humana é a exclusão. Parece muito alienado? Nós somos. Abaixo vou compartilhar com vocês um pouco de minhas reflexões sobre a exclusão universal dos seres humanos.
Nós nascemos excluídos do mundo à nossa volta. Bebês simplesmente não compreendem o mundo em que vivem, apenas o percebem. As crianças são excluídas do mundo dos adultos, por serem irrelevantes, imaturas, despreparadas, pouco contributivas. Jovens são excluídos pelos adultos, por razões muito semelhantes às crianças, mas já começam a dar o troco excluindo os adultos, que são “todos uns caretas”. De repente o jovem se torna adulto e imediatamente passa a excluir não apenas os jovens, mas também os idosos (porque o seu tempo já passou).
O fato é que nós excluimos intuitivamente tudo aquilo que não tenha como eixo nosso umbigo. Como mudar isso, ou seja, como se enturmar, ser aceito, ser incluído, que é o que todos nós queremos? Sorry, Alice, mas eu acho que a única forma de inclusão é sermos solidários com as idéias solitárias (dos outros)! Como assim? Ora pipocas, por mais estapafurdia que seja uma idéia, dando uma (ou duas, ou três…) voltas ela pode se tornar factível (não é esse o princípio do brainstorming – não existem idéias idiotas?). Para tanto basta que a gente consiga sugerir algo que convença o dono da idéia de que ela pode ser melhorada. Na verdade, não fui eu que inventei isso (Lavoisier: no mundo nada se cria, tudo se transforma).
Assim, excluidos da vida (de certa forma, todos nós), adotem, suportem e ajudem a melhorar as idéias dos outros e não lutem contra elas. Eu acho que essa é a única via para a inclusão total e absoluta. Mas, eu próprio reconheço que vai ser duro pra caramba aceitar as idéias do MST!
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Uma opinião sobre “Exclusão…”

  1. Sensacional. Lendo seu post lembrei de uma frase de Freud: “seríamos excepcionais se não tentássemos ser tão perfeitos”… a vaidade – na forma do nosso super ego – é o que nos estraga.

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