Kipling, na versão das “Organizações Tabajara”

Quando menino estudei o IF de Kipling durante minhas aulas de Inglês. Apesar de perceber a beleza dos versos e a profundidade do tema, nunca pude compreendê-lo plenamente. Até que há cerca de 15 anos atrás tive oportunidade de ler (e guardar) uma belíssima versão, supostamente traduzida por Guilherme de Almeida em 1938. Em vão tentei fazer com que meus filhos a lessem e se inspirassem na profundidade de seu texto. Até que, por inspiração do Casseta & Planeta (meu programa de TV favorito) eu produzi a “versão Tabajara” do If do Kipling. Aí meus fihos leram e entenderam a profundidade da mensagem. Quem sabe poderá ser útil também aos filhos de vocês.

Abaixo as duas versões: a minha e a do Guilherme de Almeida:


Rudyard Kipling, na versão do Seu Creyson

Se você ficar gelado diante de quem lhe injuria, e no instante em que duvidarem de sua palavra você puder ter fé “no próprio taco”, deixando que o seu ofensor “enfie a viola no saco”…

Se você não odiar a quem o odeia, nem sacanear quem o sacaneia e, nem por isso, se sentir com “a bola cheia”…

Se você puder sonhar, sem “viajar na maionese”; dar tratos à bola, sem contudo fundir a cachola; e dar um tempo ao tempo, esperando com calma o correto momento…

Se, na boa, você puder enfrentar qualquer vitória, ou derrota a toa, como um jogo da roleta da vida; e firmemente suportar as fofocas e mentiras, que torçam todas as palavras que você diga…

Se quando tudo que você construiu numa vida “for para o espaço” num instante, você puder meter o pé na estrada e seguir avante…

Se um dia você der uma de louco e apostar todas as fichas numa só jogada, perdendo tudo numa só grande bobeada, e, mesmo assim, voltar ao trabalho de mansinho, sem ficar com a história furada enchendo o saco de seu vizinho…

Se você tiver garra e coragem, para vencer a tentação à vadiagem, e fizer de seu corpo e mente sua criadagem…

Se, no meio dos figurões e celebridades, você puder manter a naturalidade, e no meio do povão a personalidade; corajoso não se deixar levar por “puxa-sacos”, ficando “tranquilão” e nunca deixando seu grande amigo na mão…

Se a cada minuto você continuar “sentando a pua”, então a Terra será sua e aí então, careta, você será “o rei da cocada preta”.

Rudyard Kipling, na versão do Guilherme de Almeida:

Se puderes guardar o sangue frio diante de quem, fora de si acusar-te, e no instante em que duvidem de teu ânimo e firmeza, tu puderes ter fé na própria fortaleza, timbrando em confundir a desconfiança alheia…

Se tu puderes não odiar a quem te odeia, nem pagar com a calúnia a quem te calunia, sem que tires daí motivos de ufania…

Se puderes sonhar, sem permitir que o sonho te domine; pensar, sem que em pensar tua ambição se confine; e esperar sempre e sempre, infatigavelmente…

Se, com o mesmo sereno olhar indiferente, puderes encarar a derrota e a vitória, como embustes que são da fortuna ilusória; e estóico suportar que intrigas e mentiras deturpem a palavra honesta que profiras…

Se puderes ao ver em pedaços destruída pela sorte maldosa a obra de tua vida, tomar de novo a ferramenta desgastada e, sem queixumes vãos, recomeçar do nada…

Se, tendo loucamente arriscado e perdido tudo quanto era teu, num só lance atrevido, puderes voltar à faina ingrata e dura, sem se referir jamais à sinistra aventura…

Se tu puderes, coração, músculos e nervos, reduzir pela vontade à condição de servos que, embora exaustos, obedeçam-lhe ao comando…

Se, andando a par dos reis e com os grandes lidando, puderes conservar a naturalidade e, no meio da turba, a personalidade; impávido afrontar adulações, engodos, opressões, merecendo a confiança de todos e que possa contar incondicionalmente contigo teu maior amigo…

Se de cada minuto os sessenta segundos tu puderes tornar com o teu suor fecundos, então a Terra será tua e, o que é melhor, meu filho, então serás um Homem!

Guilherme de Almeida, 2 de abril de 1938.

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