Ordenando o caos

Eu estou lendo um livro genial, indicado por um não menos genial amigo que, supreendentemente, só começou a ler livros depois dos quarenta. O nome do livro é “A Era das Máquinas Espirituais”, de Ray Kurzweil (www.kurzweilai.net). Eu ainda não cheguei na metade do livro, mas um turbilhão já se formou na minha cabeça e a única forma de alívio é escrever o que penso a respeito, mesmo que eventualmente eu seja o único leitor. A seguir eu misturo conceitos propostos pelo livro, com outros que foram despertados em minha mente.

O autor sugere que o desenvolvimento humano se dá pela contraposição de dois conceitos: caos e ordem. Ele propõe mesmo uma “Lei do Tempo e do Caos” que poderia ser formulada da seguinte maneira: “Em um processo evolutivo, o intervalo de tempo entre eventos relevantes (aqueles que alteram a própria natureza do processo e afetam seu futuro) é inversamente proporcional à quantidade de caos”.

O universo (a natureza, os seres vivos) representa o caos. À medida em que o universo se expande e o caos aumenta, os eventos significativos se tornam mais distantes e o tempo desacelera exponencialmente (isto é comprovado pelo estudo da evolução do universo, desde o Big Bang).

Por outro lado, a evolução tecnológica representa a ordem. À medida em que a ordem aumenta, o tempo se acelera também exponencialmente. Um bom exemplo do aumento da velocidade relacionada à evolução tecnológica é a Lei de Moore, formulada em 1965 por Gordon Moore, o inventor do circuito integrado e ex-presidente da Intel. A Lei de Moore previa que a área ocupada por um transitor sobre a superfície de um circuito integrado seria reduzida em 30% a cada 24 meses. Desde então, esse ritmo tem se confirmado ano após ano.

A lei da aceleração da evolução tecnológica vale infinitamente? Claro que não. As curvas evolutivas de qualquer tecnologia tem a forma de um “S”. Quando o “S” tende a achatar a evolução pelo envelhecimento de uma tecnologia, o caos entra em ação, provocando a inovação que gera um novo ciclo de evolução tecnológica, e assim sucessivamente. Isso significa que caos e ordem são opostos que se complementam, ou as duas faces de uma mesma moeda. Como o caos evolui cada vez mais lentamente e a ordem cada vez mais rapidamente, isso sugere que o tempo não faz muito sentido. E, se o tempo não faz sentido, muito menos o espaço. Imagine que você está a 10 m de um objeto. Reduza essa distância pela metade. Depois reduza a distância novamente pela metade e continue dividindo a distância pela metade, sucessivamente. Quando você atingirá o objeto? A resposta é nunca (ao menos conceitualmente). Agora, afaste-se do objeto, dobrando a distância a cada afastamento. Quando você perderá o contato com o objeto? A resposta também é nunca. Ou seja, proximidade e distância absolutas são abstrações.

É como se zero fosse igual a infinito! Ou seja, início e fim são a mesma coisa. Não existe fim no processo evolutivo. Lembre-se que o final de uma curva “S” é uma nova curva “S”. A vida se nos apresenta sempre em ciclos, sem início, nem fim (dia e noite, as estações do ano, as marés, as fases da Lua,… caos e ordem).

Ou seja, caos e ordem são no fundo a mesma coisa e um depende do outro para existir. Observem que todos os ciclos de ordenamento e progressos rápidos na história da humanidade se seguiram a períodos de caos (guerras, cataclismas, pestes, destruição, caos social,…).

Os países emergentes, que hoje crescem rapidamente, estão saindo de situações de caos (Brasil, Russia, India e China). Se essa observação é válida (valha-me Deus), isso é um bom prognóstico para Cuba, Haiti, Iraque, Venezuela e a Africa como um todo (?!). Alternativamente, isso também significa bad news para USA, Europa, Japão e países desenvolvidos em geral (onde o ordenamento é cada vez maior, deixando pouco espaço para o caos e a consequente inovação).

Onde chegaremos com tudo isso? A lugar nenhum. Não ouso sugerir que Deus represente o caos e o homem a ordem e que ambos sejam a mesma coisa, mas que essa idéia coça, lá isso coça…

Uma coisa é certa. Depois de ler esse livro vou observar o caos gerado pelo governo Lula com um pouco mais de respeito e interesse.

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2 comentários em “Ordenando o caos”

  1. Augusto, assertivo e refinado… e como sempre, sutil como um avião à jato!
    Valeu pela dica, especialmente depois da reflexão inspirada.
    Agora me dá um pouco de tempo para iniciar a minha leitura e eu replico com mais propriedade.
    Um forte abraço,
    Guima

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