Isabella

Vocês, como todos nós que ligamos o rádio, a TV, ou folheamos o jornal diariamente já devem estar cansados da overdose sobre o polêmico e triste fim prematuro da garotinha Isabela. Programas de TV “sanguinolentos” exploram todos os ângulos da tragédia humana, até a exaustão. E nós, indefesos consumidores da mídia lixo, nos deixamos levar por essa onda de emoções. Depois de uma semana de consumo excessivo do mesmo assunto nos cansamos, o que também está errado. Triando um pouco de tudo que ouvi sobre o caso, o debate de hoje entre o Carlos Heitor Cony e o Artur Xexéu na CBN finalmente trouxe alguma inteligência à cobertura desse caso sinistro. Trata-se de um caso policial aparentemente simples, dadas as circunstâncias: indícios aos montes e sómente duas pessoas na cena do crime. Descontada a tradicional incompetência investigativa da polícia brasileira, o culpado deve ser apontado brevemente. Já do ponto de vista sociológico, estamos diante de uma trama ultra-complexa. O que levaria (em hipótese) um pai (que segundo todas as testemunhas adorava sua filha) a se transformar num assassino? Por quê faria isso na presença de seus outros filhos? Por quê dos requintes de perversidade (espancamento, esganamento e arremesso do 6o. andar)? Tudo isso nos lembra casos tão complexos como o da menina que mata os pais dormindo, da mãe que lança sua filha recém nascida numa lagoa, dos bandidos que incendeiam um ônibus com as pessoas dentro e por aí vai? Quem consegue explicar toda essa loucura? Lugares comuns como “o mundo sempre foi violento”, ou “resultado das diferenças sociais extremas”, ou ainda “efeito globalização”, tudo isso é muito pouco para explicar. Como todos, eu também teho minha teoria. Nós todos, sociedade maluca do século XXI, somos um pouco os assassinos da Isabela. Ela morreu de indiferença de uma sociedade com sentimentos embotados pela violência banalizada (cinema, jornais, TV’s, You Tube), de reação indevida das pessoas às pressões absurdas da rotina das cidades grandes (trânsito, filas, falta de educação, agressividade) e do desaparecimento dos núcleos familiares tradicionais. Estamos todos girando à toda velocidade dentro do liquidificador social. De vez em quando alguém é apanhado pelas pás e triturado. Isso pode acontecer com qualquer um. São reações espontâneas às pressões da sociedade de ultra-consumo e ultra-competição. Existem antídotos para esse veneno que nos corrói? Não sei. Talvez o próprio veneno possa gerar o antidoto. A extrema pressão gerada pela convivência social quem sabe nos levará a novos patamares de convivência. É tempo de fazermos um furinho na bola de gas, ou então cedo ou tarde ela explodirá em nossa cara.

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Uma opinião sobre “Isabella”

  1. Olá Augusto, como tem passado?
    Como você disse, todos têm uma teoria sobre este e muitos outros casos, tenho a minha do ponto de vista religioso e gostaria de compartilhar com você. Acredito que a crueldade vivida intensamente hoje, apesar de sempre ter feito parte da história deste mundo começando por Caim e Abel, são profecias se cumprindo, existem livros escritos há muitos anos que narram os dias vividos hoje, “por se multiplicar a iniqüidade o amor de muitos esfriará” e esfriou, isso pode explicar muitas coisas que não conseguimos compreender a tamanha crueldade, filhos contra os pais e pais contra filhos, isso é apenas a ponta do Iceberg.
    Nos tornamos indiferentes porque o mau é rotina em nossa vida e nos acostumamos a conviver com ele, para muitas (e eu diria 90%) pessoas é muito mais fácil ser do mau que do bem, mas ainda conseguimos encontrar pessoas no mundo que optam por fazer o bem e são essas pessoas que nos ajudam a suportar o fardo que é viver numa sociedade maculada pela corrupção e tendenciosa ao mau. Como diz a rádio Jovem Pan – “isso é fato”. Obrigada pela oportunidade de poder compartilhar minha opinião com você. Um abraço e um bom dia!

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