Feed on
Posts
Comentários

Exceto uns poucos coroas, como eu, poucos de vocês tiveram a oportunidade mágica de ver o Muhammad Ali (Cassius Clay) conquistar de volta o título mundial de box peso pesado, então de posse do aparentemente invencível George Foreman (sim, aquele mesmo cara do grill doméstico), numa luta histórica, em 1974, no Zaire (graças ao YouTube vocês podem ver alguns trechos do combate). A luta ocorreu num estádio de futebol e a galera ululava e babava sangue, num rito africano inimaginável para nós ocidentais. O Muhammad Ali, vindo de um afastamento compulsório de anos, por não aceitar lutar no Vietnã, era o David diante do Golias. Ninguem acreditava nele, mas todos torciam por ele. A luta começa e, para surpresa de todos, o Ali não agredia, apenas se protegia, entrava em clinch e fugia para as cordas. Da outra parte, o gigante George Foreman mandava porrada, com tudo. Os assaltos passam, iguais, de dar pena a surra que o Ali estava levando. De repente, chega o 12o. e último assalto. Surpresa! Um novo Ali, zero bala, começa bailar em torno de um combalido Foreman, esgotado de tanto dar porradas na guarda fechada do adversário. Dali pra frente foi um show do Ali, que ganhou por knock down. Naquela luta, o Ali foi resiliente

Resiliência é uma palavra difícil. É fácil entender seu significado semântico: a capacidade de um material voltar ao seu estado normal depois de ter sofrido pressão. O difícil é fazer a re-leitura do termo para o mundo corporativo: antecipar crises, prever adversidades, se preparar para elas, respondendo positivamente.

Os profissionais resilientes são hoje os mais valorizados, por responderem melhor às pressões e contínuas adversidades de um mercado em constante ebulição. O profissional resiliente, sob pressão não se intimida, nem fica lambendo as feridas, mas propõe e executa rapidamente novas estratégias para fazer de um problema uma oportunidade.

Como se forma um profissional resiliente? A chave é um ambiente que estimule o risco e compense pelo erro criativo (não reincidente). O mêdo mata a resiliência. Profissionais ditos durões são apenas pessoas com mêdo escondido embaixo de uma capa de agressividade. Da próxima vez que alguém tomar um grande risco e falhar lamentavelmente em sua empresa, chame o cara pra conversar, analise junto o que não deu certo e depois pague para ele um almoço. Mas, para agir assim, você também tem que ter uma mente resiliente. Experimente.

Nos últimos dias eu li algumas coisas, aparentemente desconexas, mas que no final estão unidas pelo fio invisível da lógica. No recém terminado Congresso de Publicidade, o tema comunicação integrada (múltiplos canais, inclusive e principalmente os canais de mídia social web) foi dos mais debatidos. João Batista Ciacco, diretor de publicidade da Fiat (leia a íntegra do artigo) se expressou por todos nós ao dizer que “A sociedade de massa, afinal, não é nem a ruína da alta cultura, nem a plena integração dos povos, o que nos permite concluir que, no nosso negócio, não existe uma receita pronta. O fato novo é que a integração não é mais uma obra de laboratório, mas uma iniciativa deliberada do próprio consumidor”. Ou seja, quem integra as mensagens é o consumidor e o único canal que este usa para expressar sua opinião é a web. A social media, através da web, é o link entre todas as ações de comunicação do mainstream do mundo corporativo com seus mercados.

O Barack Obama, esse cara é esperto pra caramba, foi o primeiro a sacar o potencial da social media como meio de atração e integração de potenciais eleitores com seu discurso. O Obama tem utilizado amplamente seu blog e o site MySpace, maior rede social do planeta, em sua arrancada como pré-candidato na disputa pela vaga democrata na corrida à Casa Branca. O MySpace tem simulou votações, realizado enquetes sobre propostas e tem até ajudado o Obama a arrecadar verba para sua campanha. Boa parte dos US$ 135 milhões levantados pela turma de Obama até janeiro tinha sido doado por internautas, o que lhe permitiu magnanimamente esnobar o financiamento público para sua campanha (praga que como aqui, lá também existe).

Pois bem, o MySpace está chegando ao Brasil e para tentar desbancar o Orkut escolheu oferecer a mesma estratégia do Obama aos candidatos à eleição municipal de São Paulo. E aí, o que aconteceu? Entre nossos internautas, o MySpace e os candidatos, se coloca o nosso querido TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O TSE divulgou no começo de março resolução proibindo propaganda política fora do site dos candidatos. “A propaganda eleitoral na internet somente será permitida na página do candidato destinada exclusivamente à campanha eleitoral”, informa a resolução. Leia a cobertura da matéria na Folha Online. Nossos geniais ministros estão tentando algo tão inédito como “engarrafar peido para evitar que o cheiro se espalhe”!!!??? Me digam vocês, quais as chances do TSE evitar que alguém comente, poste, ou participe na Internet, via MySpace, ou qualquer outro site no mundo que se preste a isso, sobre as eleições no Brasil?

Trocando em miúdos, enquanto o segmento corporativo brasileiro segue colado às tendências do primeiro mundo, governo e políticos continuam pensando que ainda vivemos nos anos 50. Como dizia minha santa avózinha, “tudo que só tem no Brasil e que não é jaboticaba, é merda na certa!”

Exclusão…

3d rendering of white men excluding a red man stock photo

“A origem de toda a exclusão está no aceder a ser-se solidário com os que impõem idéias solitárias”. A autora desta frase, triste mas verdadeira, é a Alice Valente. Eu não conheço a Alice, apenas dei uma espiada em seu blog, que achei bem legal. A palavra exclusão tem sido irritantemente recorrente em minha mente. Pode ser um reflexo de minha idade (segredo pra quem não me conhece), ou apenas uma reflexão mais profunda. A frase da Alice me faz pensar em duas coisas:
  • Todas idéias são solitárias, exceto para seu autor (maldita seja a vaidade e a inveja de todos os seres humanos, no exceptions to the rule).
  • O único signo comum à raça humana é a exclusão. Parece muito alienado? Nós somos. Abaixo vou compartilhar com vocês um pouco de minhas reflexões sobre a exclusão universal dos seres humanos.
Nós nascemos excluídos do mundo à nossa volta. Bebês simplesmente não compreendem o mundo em que vivem, apenas o percebem. As crianças são excluídas do mundo dos adultos, por serem irrelevantes, imaturas, despreparadas, pouco contributivas. Jovens são excluídos pelos adultos, por razões muito semelhantes às crianças, mas já começam a dar o troco excluindo os adultos, que são “todos uns caretas”. De repente o jovem se torna adulto e imediatamente passa a excluir não apenas os jovens, mas também os idosos (porque o seu tempo já passou).
O fato é que nós excluimos intuitivamente tudo aquilo que não tenha como eixo nosso umbigo. Como mudar isso, ou seja, como se enturmar, ser aceito, ser incluído, que é o que todos nós queremos? Sorry, Alice, mas eu acho que a única forma de inclusão é sermos solidários com as idéias solitárias (dos outros)! Como assim? Ora pipocas, por mais estapafurdia que seja uma idéia, dando uma (ou duas, ou três…) voltas ela pode se tornar factível (não é esse o princípio do brainstorming - não existem idéias idiotas?). Para tanto basta que a gente consiga sugerir algo que convença o dono da idéia de que ela pode ser melhorada. Na verdade, não fui eu que inventei isso (Lavoisier: no mundo nada se cria, tudo se transforma).
Assim, excluidos da vida (de certa forma, todos nós), adotem, suportem e ajudem a melhorar as idéias dos outros e não lutem contra elas. Eu acho que essa é a única via para a inclusão total e absoluta. Mas, eu próprio reconheço que vai ser duro pra caramba aceitar as idéias do MST!

Gente, meu post de hoje vai me entregar como noveleiro. Na verdade não sou, mas confesso que belisco uma ou outra imagem da novela das 9, com um livro no colo. Outro dia, concentrado em meu livrinho, me senti envolvido por uma musiquinha de fundo absolutamente inusitada. A novela estava começando e a musiquinha era a abertura (faixa Pa Bailar, do CD Mar Dulce, da banda Bajo Fondo, com argentinos e uruguaios tocando juntos, se é que dá pra imaginar). O clipe do link acima é absolutamente fantástico, uma mistura de street dancing tango e tecno?!

A descoberta do Bajo Fondo me transportou para um mundo novo, que eu ainda não conhecia, do “Tecno-Tango”. Pra quem nunca ouviu falar (talvez eu esteja sóxinho nessa nova onda), o Tecno-Tango é uma nova tendência musical criadapor um grupo argentino chamado Gotam Project, que esteve no Brasil ainda em junho deste ano. O Gotam sacou que o velho Tango poderia ser ressuscitadopara as novas gerações, utilizando uma pegada de Tecno Music. A sacada bombou e de imediato fez sucesso em todo o mundo. Foi aí que a turminha do Bajo Fondo foi fundo (desculpem pelo trocadilho, mas eu não resisti) e lembrou do velho Astor Piazola, dando um viezinho de jazz na batida do Tecno-Tango. Eu não sei o que vocês vão achar, mas pra mim o resultado ficou absolutamente inquietante… você começa a ouvir e não quer mais parar. O album Mar Dulce já está gast no meu Ipod. O Mar Dulce ainda não está a venda no Brasil, mas vocês podem baixar no link http://fenopy.com/torrent/Bajofondo___Mar_Dulce__2007_/OTk4MDk2/index.html.

Se vocês gostarem me dêem feedback e me devolvam outras dicas na mesma linha.

Obama, Osama e Ibama

Como dizia meu querido vovô: o que o relógio tem a ver com as calças? Obama, Osama e Ibama…??? Parece o “samba do crioulo doido” e é. Na verdada nada tem a ver com nada e, ao mesmo tempo, tudo tem a ver com tudo. Vamos às explicações. Nós brasileiros nos consideramos os caras mais abertos do mundo às novas idéias, aqueles que sacam rápido e se adaptam antes que quaisquer outros. Também somos o povo mais alegre e criativo do mundo. Esse nosso jeitão nos leva às vezes a simplificações perigosas, como achar que o Ibama está mais preocupado com os bagres do que com a fome do povo. Ou então, transformamos um dos maiores criminosos da história, o Osama, na personagem simpática do Cafofo do Osaminha. O Osaminha afina quando sua nega chega perto e compra bazukas na feirinha “robauto”. É muito divertido, mas é triste também, pois enquanto brincamos com coisas tão sérias não saimos do lugar, não evoluimos, não resolvemos nossa incongruências.

Enquanto isso, lá na gringolândia do norte, nossos brothers quadradões e retrógrados, preconceituosos ao extremo, escutam atentamente um novo discurso, vindo de um americano meio “Tabajara” (o Obama é negro, nascido no Hawai, de pai queniano, que era mulçumano e batizou o filho com um nome não americano) e, surprise, pouco a pouco apreciam, entendem, aceitam e colocam o novo personagem à frente de um WASP típico (o McCain).

Com todos os defeitos do mundo exterior à nossa volta, seria muito didático para nós brasileiros observarmos os gringos. Sua capacidade de ouvir atentamente, deixando os preconceitos (que existem) de lado, os tornam modernos, adaptados, movendo seus países para frente, a despeito de todos os seus grandes problemas sociais e culturais.

Enquanto isso nós, moderninhos e abertos, gozamos com tudo e com todos, enquanto esquecemos de olhar o próprio rabo. Enquanto criamos o Osaminha, esquecemos da seca, do analfabetismo, da infra-estrutura aos cacos, do sistema de saúde pública inexistente, dos impostos escorchantes e de nossa falta total de cidadania.

O Brasil, embora avançado em algumas tecnologias, com uma economia inegavelmente robusta, continua atrasado no que diz respeito a criar uma sociedade civil organizada e engajada, para atuar como a camada de cobrança e controle entre a população e os políticos.

Nosso desbafo é meter o pau neles, esquecendo que eles somos nós (!?). Da mesma forma que não participamos da sociedade de bairro, ou da associação de pais e mestres, achamos que política é problema dos políticos. Onde esse tipo de atitude vai nos levar? A lugar nenhum, onde já se encontram Argentina, Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador, a África inteira, as nações muçulmanas e todos aqueles que acham que a melhor forma de resolver seus próprios problemas é atribuido-os aos outros.

Houve um tempo que os EUA topavam serem os pais do mundo (vide plano Marshall ao final da segunda grande guerra). Bem, essa época acabou, pois hoje americanos, europeus e todo o primeiro mundo estão muito mais preocupados em resolver seus próprios problemas, do que em pajear os idiotas que sobram no resto do mundo.

O Obama é definitivamente uma lição a ser apreendida.

Get lost!!!

Meu pai dizia que o melhor esconderijo do ladrão é a multidão. Sábio paradoxo. Hoje em dia, o melhor lugar para a alguém se esconder é a Internet. Talvez nem todos tenham percebido, mas a Internet nos últimos cinco anos não cresceu, a Internet simplesmente explodiu! O número de internautas no mundo todo mais do que dobrou nos últimos cinco anos, se aproximando rapidamente da cifra de 2 bilhões (estimativa para 2010) de usuários. O conteúdo da WWW em Exabites (1 EB = 10 bytes elevados a uma potência de 18) dobrou nos últimos dois anos, se aproximando hoje de 8 EB. Qual foi o estopim desse crescimento vertiginoso? Três fatores influenciaram muito: o barateamento do acesso à banda larga, a diversificação de conteúdos (web sites, blogs, áudio/podcasts, vídeo/videocasts, documentos, registros médicos, e-mails, mapas, ring tones, fotos, música, brochuras, etc) e novos meios de armazenamento, geração e manipulação desses conteúdos (Internet propriamente dita, PC, Laptop, Celular, Smart Phones, tocadores de MP3, câmeras digitais, HDTV, DVR, etc). Apenas para dar um exemplo, existem hoje na blogosfera, cerca de 50 milhões de blogs em todo o mundo, todos eles produzindo conteúdo 7 X 24.

O perfil desta verdadeira multidão na web está mudando rapidamente. Tudo começou com a chamada Web 1.0 (exemplo da Amazon quando foi lançada), que se baseava na simples apresentação de informações (CD´s e livros são tipos de informação). Mais recentemente, nos últimos dois anos, surgiram os conceitos de Web 2.0 (com os Blogs, Wikis, avaliações de produtos pelos consumidores, leilões, etc), cujo paradigma é a interatividade, com a participação ativas dos internautas como geradores de conteúdo. A Web 3.0, que está próxima, será a Web dos sites inteligentes, que “conversam” e trocam informações entre si.

A partir do advento da Web 2.0 o consumidor sente o gostinho de colaborar e quer influenciar cada vez mais nas decisões do mundo corporativo. Clientes conectados vão pressionar nossa empresa por melhores níveis de serviços, produtos mais aderentes às suas necessidades, atendimento personalizado, novas tecnologias, preços mais baixos, novos canais de distribuição, etc, etc… o céu é o limite da ambição para quem tem o poder da informação na ponta dos dedos.

Portanto, se você quer utilizar a web como uma nova plataforma de negócios é bom se preparar. Sem um plano e um bom mapa, você vai se sentir perdido como se marcasse um encontro na Praça da Sé ao meio dia.

Quando menino estudei o IF de Kipling durante minhas aulas de Inglês. Apesar de perceber a beleza dos versos e a profundidade do tema, nunca pude compreendê-lo plenamente. Até que há cerca de 15 anos atrás tive oportunidade de ler (e guardar) uma belíssima versão, supostamente traduzida por Guilherme de Almeida em 1938. Em vão tentei fazer com que meus filhos a lessem e se inspirassem na profundidade de seu texto. Até que, por inspiração do Casseta & Planeta (meu programa de TV favorito) eu produzi a “versão Tabajara” do If do Kipling. Aí meus fihos leram e entenderam a profundidade da mensagem. Quem sabe poderá ser útil também aos filhos de vocês.

Abaixo as duas versões: a minha e a do Guilherme de Almeida:


Rudyard Kipling, na versão do Seu Creyson

Se você ficar gelado diante de quem lhe injuria, e no instante em que duvidarem de sua palavra você puder ter fé “no próprio taco”, deixando que o seu ofensor “enfie a viola no saco”…

Se você não odiar a quem o odeia, nem sacanear quem o sacaneia e, nem por isso, se sentir com “a bola cheia”…

Se você puder sonhar, sem “viajar na maionese”; dar tratos à bola, sem contudo fundir a cachola; e dar um tempo ao tempo, esperando com calma o correto momento…

Se, na boa, você puder enfrentar qualquer vitória, ou derrota a toa, como um jogo da roleta da vida; e firmemente suportar as fofocas e mentiras, que torçam todas as palavras que você diga…

Se quando tudo que você construiu numa vida “for para o espaço” num instante, você puder meter o pé na estrada e seguir avante…

Se um dia você der uma de louco e apostar todas as fichas numa só jogada, perdendo tudo numa só grande bobeada, e, mesmo assim, voltar ao trabalho de mansinho, sem ficar com a história furada enchendo o saco de seu vizinho…

Se você tiver garra e coragem, para vencer a tentação à vadiagem, e fizer de seu corpo e mente sua criadagem…

Se, no meio dos figurões e celebridades, você puder manter a naturalidade, e no meio do povão a personalidade; corajoso não se deixar levar por “puxa-sacos”, ficando “tranquilão” e nunca deixando seu grande amigo na mão…

Se a cada minuto você continuar “sentando a pua”, então a Terra será sua e aí então, careta, você será “o rei da cocada preta”.

Rudyard Kipling, na versão do Guilherme de Almeida:

Se puderes guardar o sangue frio diante de quem, fora de si acusar-te, e no instante em que duvidem de teu ânimo e firmeza, tu puderes ter fé na própria fortaleza, timbrando em confundir a desconfiança alheia…

Se tu puderes não odiar a quem te odeia, nem pagar com a calúnia a quem te calunia, sem que tires daí motivos de ufania…

Se puderes sonhar, sem permitir que o sonho te domine; pensar, sem que em pensar tua ambição se confine; e esperar sempre e sempre, infatigavelmente…

Se, com o mesmo sereno olhar indiferente, puderes encarar a derrota e a vitória, como embustes que são da fortuna ilusória; e estóico suportar que intrigas e mentiras deturpem a palavra honesta que profiras…

Se puderes ao ver em pedaços destruída pela sorte maldosa a obra de tua vida, tomar de novo a ferramenta desgastada e, sem queixumes vãos, recomeçar do nada…

Se, tendo loucamente arriscado e perdido tudo quanto era teu, num só lance atrevido, puderes voltar à faina ingrata e dura, sem se referir jamais à sinistra aventura…

Se tu puderes, coração, músculos e nervos, reduzir pela vontade à condição de servos que, embora exaustos, obedeçam-lhe ao comando…

Se, andando a par dos reis e com os grandes lidando, puderes conservar a naturalidade e, no meio da turba, a personalidade; impávido afrontar adulações, engodos, opressões, merecendo a confiança de todos e que possa contar incondicionalmente contigo teu maior amigo…

Se de cada minuto os sessenta segundos tu puderes tornar com o teu suor fecundos, então a Terra será tua e, o que é melhor, meu filho, então serás um Homem!

Guilherme de Almeida, 2 de abril de 1938.

A Internet tem sido vista pelo mundo corporativo, erroneamente no meu entender, apenas como mais um canal de vendas. Competindo com vendas diretas, revendas, distribuidores e call centers, a Internet é percebida apenas como o mais um canal, o mais barato e popular deles. Se temos um produto com uma pequena margem, cujas vendas queremos massificar, então imediatamente pensamos na Internet como o canal ideal.

Embora essa visão não esteja de todo errada (é mais fácil vender um livro pela Internet do que um avião), ela é tímida e preconceituosa. A Internet é o “novo Eldorado”. Ela é, em sí, um novo ambiente de negócios. Quem for mais rápido nessa nova corrida do ouro vai levar as pepitas maiores. Se vocês quiserem ser mais ousados, podem considerar a Internet um outro mundo corporativo, paralelo ao mundo físico. A maioria das empresas ainda usa a Internet apenas para comunicar, ou vender algo.

Existe uma enorme diferença entre usar a Internet como um canal de contato com o mercado e ter seu negócio na Internet. Quando oferecemos informações, ou vendemos pela Internet, quem vem até nós são aqueles que nos conhecem. Quando usamos a Internet como um ambiente de negócios, o potencial cliente não precisa saber de nossa existência, basta que ele nos descubra e constate que temos algo a lhe oferecer que lhe interessa (e que eventualmente ele nem sabia que existia).

Vamos a um exemplo banal que diferencia vender pela Internet, de usar a Internet como um ambiente de negócios. Alguém quer comprar um carro popular e para isso deseja consultar as ofertas na Internet. Ele pode pensar no Gol da VW, no KA da Ford e no Uno da Fiat. A pessoa entra no Google e digita “Ford Ka VW Gol Fiat Uno”, tendo como resposta as URL’s dessas várias empresas que marketeiam e vendem na Internet. Suponha agora que uma quarta empresa (uma montadora chinesa, nova no Brasil, mas que tenha um carro popular mais competitivo que os três mencionados) opera na Internet, conhecendo a lógica dos buscadores a ponto de oferecer seu produto CARRO POPULAR sempre que alguém digitar o nome dos concorrentes. Usando dentro de suas páginas web os tags com os nomes dos concorrentes, essa empresa poderia direcionar o buscador Google (ISSO É POSSÍVEL) para seu espaço onde o headline seria: CHEGA AO BRASIL O CARRO POPULAR COM O MENOR CUSTO OPERACIONAL DO MUNDO! Você concorda que pelo menos uma bicadinha o potencial comprador iria dar?

Esse exemplo simples mostra a diferença entre empurrar informação unidirecionalmente a quem procura, ou postar informação de forma inteligente, sabendo que hoje o usuário internet não quer publicidade, mas sim conteúdo aderente à sua necessidade instantânea. Esse é o fascinante mundo da Internet colaborativa, interativa, onde todos postam e geram conteúdo. Essa nova Internet é uma espécie de “mercado persa”, onde só aqueles que lá estabelecem seus negócios conseguem entendem sua lógica mercantil, maximizando as oportunidades.

Sexta-feira. Ansiosamente esperado, o fim de semana se prenuncia sombrio. Início do outono, de repente o céu cinzento, São Paulo garoento e frio. Aquela idéia de sair para comer uma pizzinha, ou curtir um choppinho com picanha na chapa fica sem graça. O que fazer? Assistir ao Jornal Nacional, folhear um livro e cair no sono. Não!!! Definitivamente, não.
Vamos ligar para aquele casal amigo e combinar qualquer coisa em casa, lá pelas 20 hs. Já são 18 hs, assim é preciso correr. Vamos dar um pulinho até o mercadinho gourmet mais próximo de casa. Basta um carrinho pequeno, pois a lista é curta: 200 gramas de um bom presunto “pata negra”, ou Parma, cortado bem fininho; um pão de grãos com pistache e nozes e um outro italianinho; uma cestinha com amoras silvestres; um pedaço de queijo Prima Donna azul bem macio; um punhado de nozes; uma garrafinha de vinho do Porto e uma garrafa (ou duas, ou três) de um vinho de corpo médio (um corte tipo Bordeaux, ou um Tempranillo espanhol, ou um Merlot da Califórnia ou, se o dinheiro estiver sobrando, um Chateau Lafitte 1999 para trás).
Vamos correr para casa, que já são 18:30 hs. Antes do banho, vamos preparar uma reduçãozinha… Peça uma panelinha para sua esposa (uma Tefal vai bem) e uma colher de pau, ou plástico. Derrame dois cálices de vinho do Porto na panelinha, junte as amoras (lave antes), uma colher de café de mel e um pouquinho de canela em pó. Regule a chama do fogão para fogo baixo e comece a mexer, mexer, mexer… até que a mistura se torne pastosa. Você acaba de criar uma redução de frutas no vinho do Porto. Coloque a panelinha na geladeira para esfriar.
Enquanto a sua redução de vinho do Porto esfria, prepare o cenário. Acenda a lareira, fatie os pães, monte a tábua com o queijo, nozes e o presuntinho fatiado. Escolha alguns CD’s cabeça de jazz (um Stan Getz pega muito legal).
Agora vá tomar um banho morno, que seus amigos estão chegando. Uma bela redução de vinho do Porto combina com roupa folgada e chinelões (os amigos têm que ser da casa).
Plim, plim! Os amigos chegaram. Receba-os como se fossem os “reis magos”. Você só abre o vinho na frente deles, pois um deles vai degustar o primeiro gole. Vinho aprovado, vamos à luta. Vale decantar o vinho.
Uma casquinha de pão italiano com “pata negra” e um gole de vinho. Foi bom? Vai ficar melhor. Agora corte uma fatia fininha de Prima Donna e coloque sobre ela uma gota da redução de vinho do Porto com um pedacinho de nozes. É o céu, com Leonardo d Vinci, os anjinhos, a Capela Sistina, e tudo mais, numa só bocada (acompanhada de vinho).
E aí, alguém nota o Stan Guetz acompanhando a Astrid Gilberto na Garota de Ipanema, com pegada de jazz. E o papo cabeça rola. Daqui para frente é puro prazer.
São 21 hs. Acabou o vinho e a redução de Porto. Olha a saia justa. Ache um conhaquinho. Um Remy Martin, ou Martell vão muito bem, mas se não tiver uma boa cachaça de cabeça (já esteve em Pernanbuco?) também serve, ou um bela Bagaceira portuguêsa. Se também tiver uns charutos (Montecristo no. 5, pequeno é a pegada, mas um Dona Flor da Bahia também cai bem), melhor ainda. Faça um bule de café italiano (todo mundo tem uma Bialetti) e daqui para frente a merda rola. Sugira que as mulheres vão assistir à “Saia Justa” (se for o dia, se não for a Luciana Gimenez serve). Daqui para frente o papo é sobre futebol, ou algo ainda mais sério. E a merda rola…
Enjoy!!! A vida se reduz a isso.

“A macaca enfrenta os porcos no Moisés Lucarelli e sai de lá com vantagem para matar o campeonato no Palestra”.

“Sufocada em seu campo, pela tática do Luxa, a macaca não consegue subir além do meio campo”.

“O ala do verdão coloca a bola no segundo pau, encobrindo o Aranha”.

Para quem gosta de futebol, como eu, entendeu tudo. Para quem não gosta, provavelmente acha que eu estou delirando. As frases acima estão em linguagem de “boleiros”, aqueles que de algum jeito estão envolvidos com o mundo da bola (torcedores fanáticos, juizes, jogadores e comentaristas profissionais e amadores). Não existe preconceito entre os “boleiros”. Amadores e profissionais coexistem no maior respeito. É comum ultimamente que atores, cantores, escritores e artistas de várias categorias “incorporem” cronistas esportivos, escrevendo crônicas, comentando jogos na TV e participando de mesas redondas aos domingos à noite.

As mesas redondas são um fenômeno sociológico muito saboroso. Sempre que posso, quando minha mulher cochila e eu tomo posse do controle remoto nos domingos à noite, viajo de uma mesa redonda para outra, ouvindo as mesmas coisas, as interpretações mais “estrambólicas” imagináveis sobre os jogos do dia, não pelo conteúdo, mas apenas para saborear o linguajar dos boleiros.

Ouvir uma discussão acalorada sobre um lance do jogo do dia, entre um ex-jogador, um jogador que aparticipou da partida, um juiz e um comentarista polêmico (tipo Silvio Luiz, ou Cajuru… de novo isso é linguagem de boleiro) é um prato saboroso, a ser degustado por “gourmets do futebol”.

De repente, para explicar um lance confuso e polêmico, aquele ex-juiz famoso (permitam-me não pagar o jabá) se sai com: “a regra é clara”. Isso encerra uma discussão envolvendo toda a mesa, como se “Jeová tivesse se pronunciado definitivamente sobre quem abriu o mar Vermelho”!!!

Outras vezes, quando a câmera pega um lance errado de impedimento não dado pelo juiz, coisa de 10 cm do atacante á frente do zagueiro, começa uma discussão interminável sobre se a bandeirinha gostosa estava distraída e deixou o juiz vendido no lance.

Tudo isso me delicia. É como se eu estivesse assistindo a um espetáculo popular de cordel, ou degustando uma buchada de bode numa feira do nordeste. São sabores sutis, que só podem ser apreciados por quem é fascinado pela sofisticação da simplicidade. Quem nunca experimentou, perca o preconceito e experimente. É viciante, como um bom sandwiche de mortadela com pingado, com o umbigo grudado no balcão da padaria, ao lado de um bêbado degustando um rabo de galo às 8 hs da manhã.

A propósito, para quem não é boleiro:

  • A “macaca” é a designação da torcida para o time da Ponte Preta de Campinas.
  • “Porco” (ou Verdão) é o time do Palmeiras.
  • “Aranha” é o goleiro da Ponte Preta.
  • “Ala” é o jogador que joga nas laterais do campo.
  • “Segundo pau” é a baliza do gol do lado oposto de onde a bola foi cruzada.
  • Palestra é o estádio do Palmeiras e Moises Lucarelli o da Ponte.
  • Luxa é o Wanderley Luxemburgo, técnico do Palmeiras.

Quer aprender mais? Não perca a mesa redonda do domingo, no horário do Fantástico. Eu garanto que é bem melhor do que a turma do Pânico.

« Novos Posts - Postagens Antigas »