Cadernos de Viagem (1/4) – Paris

Paris é a Cidade Luz, Paris é uma Festa, são lugares comuns mais que merecidos para a cidade mais charmosa do mundo. Eu e minha esposa adoramos Paris, onde já estivemos muitas vezes. Todas as nossas viagens à Europa necessariamente terminam com dois, ou três, diazinhos em Paris.

Desta vez invertemos e iniciamos nossa vigem por Paris, onde passamos quatro noites (na linguagem de turista significa o dia da chegada, mais três dias inteiros). Como já conhecíamos a cidade relativamente bem, desta vez resolvemos viajar com a agenda em branco, numa linha meio easy rider, e ir fazendo aquilo que nos desse na telha. Optamos por acordar um pouco mais tarde e passear pela cidade, sem muita neura de visitar pontos turísticos. Posso dizer que foi muito gostoso, mas poderia ser melhor se fosse ainda mais leve, o que farei na próxima.

Nos hospedamos no Hotel La Tremoille (14 rue de la Trémoille), com quartos grandes e confortáveis, ótimo café da manhã e um bar charmosérrimo para os fins de tarde. A Rue de La Tremoille fica próxima à Av de Montaigne,  onde se localizam as lojas dos principais estilistas franceses, como Dior, Vuitton, Chanel, alem do  Hotel Plaza Athenee. É um ponto estratégico, pois a gente tem acesso a pé e fácil para vários pontos de interesse da cidade. Você está a um pulinho do rio Sena e do Bateau Mouche, pertinho da Av Champs Elisees, pertinho da Torre Eiffel, do Petit e Grand Palais, e, por conseqüência, muito próximo da Place de La Concorde.

No primeiro dia, chegamos cansados de viagem e fomos almoçar o melhor e mais simples entrecote de Paris, com batatinhas fritas crocantes, no Le Relais Du Entrecote (Rue Marbeuf), também ao lado de nosso hotel. Para quem não conhece o lugar, recomendo fortemente. Mais parisiense impossível. Tem dois endereços, esse que eu fui fica na região do Champs Elisees, o outro em St Germain, próximo dos cafés Lês Deux Magots e Flore. As mesinhas são coladas umas às outras, não tem como não ouvir a conversa do vizinho, só tem um prato (o entrecote), as atendentes são rápidas, eficientes e mal educadas. Mas, tudo isso é recompensado por um corte de carne único (que não se encontra no Brasil), com um ponto cozimento perfeito e um molho, senhores e senhoras, de saborear de joelhos. Bem que o Olivier Anquier tentou copiar a receita por aqui, com seu L´Entrecôte de Ma Tante (Rua Doutor Mário Ferraz), que apesar de sempre lotado não chega nem perto do original.

Após o almoço, regado a vinho francês da casa, vagabundo mas delicioso, tivemos a má ideia de ir passear pela Av Champs Elisees. Era um feriado nacional, dia de Pentecostes. Eu não sabia, mas esse é um mega feriado francês, onde todos parecem combinar um passeio, adivinha onde? Exatamente na Champs Elisees, que estava mais lotada que a Praça da Sé no dia 1o. de Maio. Constatada a mancada, passamos o restinho da tarde assistindo ao por do sol a bordo do Bateau Mouche, um programa barato e maravilhoso em Paris.

Nos dias que se seguiram, nada mais fizemos do que vagar por Paris e pela região. No primeiro dia inteiro que tivemos (o segundo da viagem), fomos a Giverny (80 kms de Paris) visitar os Jardins de Monet. Optamos por ir de táxi, a 55 Euros a hora, num passeio de 4 a 5 horas. Com gorjeta você vai gastar de 250 a 300 Euros. Também dá para ir de carro alugado, necessariamente com GPS, pois entrar e sair de Paris é complicado. Ou, você pode optar por ir de trem, saindo da estação Saint Lazaire e chegando em Vernon em 50 mins. Vernon fica  a 7 kms de Giverny. Da estação de Vernon até os Jardins de Monet em Giverny você pode optar por ir de bicicleta alugada, de ônibus, de taxi, ou até a pé, se você tiver disposição e tempo. Nesta época do ano (primavera) os jardins estão em seu apogeu, com os canteiros de flores silvestres literalmente enlouquecidos. Por outro lado, as filas para visitar a casa (também muito interessante) e os jardins são enormes. Eu fui de manhã, mas aposto que se chegássemos após o almoço a visita seria bem mais tranqüila. Para cruzar a pontezinha sobre o jardim flutuante (para ver a imagem das Nympheas, do tão famoso quadro de Monet) enfrentamos uma fila de turistas japoneses que ninguém merece. Se eu fizesse  esse passeio de novo, iria de trem e reservaria um dia inteirinho para isso, terminando a visita aos jardins com um almoço relaxado num bistrozinho qualquer do vilarejo de Giverny.

No final deste dia fizemos nosso jantar gourmet da temporada, no Le Grand Véfour, um dos restaurantes mais antigos e sofisticados da cidade, preferido de Napoleão. Só recomendo para gourmets (eu sou apenas comilão, mas não gourmet), pois além de caríssimo, o menu é muito limitado (5 a 6 pratos). Se você, seu/sua parceiro/a for enjoado/a, como minha mulher, é a maior saia justa: não tem o que escolher. Minha mulher ficou com a alternativa única do pombo estofado, que eu acabei comendo, junto com meu prato, para não devolver inteiro. A Lygia acabou comendo sandwiche no hotel. A comida do Le Grand Véfour é é deliciosa, mas sofisticada demais para meu gosto.

No terceiro dia visitamos a exposição do Yves Saint Laurent no Petit Palais, imperdível, valendo a fila de entrada. Toda a obra do YSL é mostrada de forma primorosa em dezenas de salõezinhos, cada um compondo uma fase de sua carreira. Prepare uma manhã para esta visita e termine degustando um cappucino com croissant no pequeno café que fica nos jardins do Petit Palais (lá dá pra fazer também um almoço rápido, se você preferir). Evite as filas pra ver o Yves Saint Laurent comprando seus ingressos antecipadamente através da conciérge do hotel.

Nós continuamos nosso passeio re-visitando o Louvre (sempre um must), onde também almoçamos. Do Louvre seguimos a pé por um passeio perigoso (muitas lojas sofisticadas), cruzando o Palais Royal, visitando a Place Vendome (a mais chic de Paris) e subindo devagar a Rue de Rivoli até a Madeleine (que eu acho mais bonita que a Notre Dame). Visitamos a loja mais comestível de Paris, a Fauchon, o gourmet food market mais famoso do mundo. Compramos umas besteirinhas e sentamos num café pra degustar e descansar, enquanto nos preparamos para a parte final do passeio. Seguimos então em direção à Place de La Concorde e as Tulheries. Essa é a vista mais emblemática de Paris, com sua ponte mais linda (a Alexandre III) e do outro lado os Invalides. Pra quem ainda tiver fôlego, vale caminhar um pouco pelo Jardim das Tulleries. Nesse dia à noite jantamos o melhor suflê (salgado e doce) do mundo no La Cigale Recamier (4, rue Récamier). Apesar do restaurante oferecer outros pratos, vale ir de suflê de ponta a ponta.

No nosso último dia em Paris, fomos de metrô até a Rue de Montparnasse para comer crepe (dica de minha amiga Bianca em seu blog Buraco da Fechadura. São dezenas de creperies. Escolha a que mais lhe agradar, peça um crepe salgado (o mais simples é o de jamon com queijo), capriche na pimenta do reino e se delicie com a massinha leve e crocante. Vale pedir um crepe doce de sobremesa, os melhores são os flambados, com sorvete se a balança permitir. Em Montparnasse, uma alternativa um pouco mais sofisticada do que o crepe é almoçar na brasserie La Coupole (102, blvd du Montparnasse), uma das mais antigas e tradicionais de Paris (à noite tem musica ao vivo).

Nós emendamos o almoço de crepe com um passeio de Montparnasse à Saint Germain a pé, parando para descansar nos Jardins de Luxemburgo. De volta a Saint Germain visitamos a pequena mas lindinha igreja de Saint Germain de Prés, terminando a tarde apenas escutando a grama crescer e comendo um tostex francês, com um café expresso e uma Evian, no Les Deux Magots. É bem clichê, mas é maravilhoso. Terminamos nossa jornada em Paris nesse dia, jantando na La Rotisserie du Beaujolais (9, Quai des Tournelles), ao lado do La Tour D’Argent, mas infinitamente mais simples e barato, onde se comem assados maravilhosos (experimente a galinha assada; vale a pena).

Uma outra alternativa legal para a Rive Gauche do Sena (que desta vez nós não fizemos por falta de tempo) é almoçar no Quartier Latin, no Restaurante Le Procope, um dos mais antigos de Paris, situado à 13 rue de l’Ancienne Comédie.  Ainda no Quartier Latin, vale visitar a Sorbone, fuçar as muitas lojinhas, brechós  e livrarias diversas (excelentes). Bem no meio do Quartier Latin (não lembro o nome e o endereço, mas a gente tropeça nele) tem um mercado de frutas e alimentos (um marche) que é de babar. Vale a pena comprar algumas coisinhas pra sair comendo pela rua. Termine o passeio cruzando o Sena até a Île de la Cite (a da Notre Dame) e vá até a Glacier Berthillon  (31, rue Saint-Louis-en-l’Ile) para tomar o melhor sorvete que existe, particularmente os sabores de frutas.

Desta vez, não deu tempo de visitar o Museu Rodin (9, rue de Varenne) e o Museu D’Orsay (Rue de la Légion d’Honneur), meus favoritos em Paris. O Museu D’Orsay tem um grande atrativo, que são as exposições itinerantes. Da última vez que visitei estavam com uma exposição de fotos antigas de Nova Iorque maravilhosa. Chequem no site do museu o que eles estão levando no momento. Para quem nunca visitou eu recomendo fortemente.

Bon Voyage!

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2 comentários sobre “Cadernos de Viagem (1/4) – Paris

  1. Oi, Augusto! Acabei de ver o post pelo facebook e já vim curiosa :) Muita coincidência porque tinha acabado de enviar uma mensagem sobre abrir uma garrafa de vinho com sapato…rs. Bom, também somos loucos por Paris, mas acho que ainda sou mais apaixonada pela cidade que o Luiz. Dicas novas devidamente anotadas! Infelizmente, ainda não foi dessa vez que nos encontramos para um bom jantar europeu, mas no início de agosto estaremos por São Paulo. Faço uma exposição que inaugura entre 9 ou 10 de agosto, depois passo os detalhes. Besitos

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